terça-feira, 6 de maio de 2008

Heresia. Sabelianismo (Princípio do Séc. III)

O Sabelianismo também foi conhecido como modalismo e foi a crença que se estabeleceu no Século III ministrando que a Trindade Santa não se configura em três pessoas distintas, mas em modos ou módulos, ou atributos de Deus.

Ela é atribuída a Sabélio, que foi um teólogo cristão, provavelmente nascido na Líbia ou Egito. Começou a tornar-se famoso quando foi para Roma e tornou-se líder daqueles que aceitaram a doutrina do monarquianismo modalista. Ele foi excomungado pelo Papa Calixto I no ano de 220.

Sabélio opôs-se ao ensino ortodoxo da Trindade Essencial que a Igreja pregava. Defendeu uma doutrina propria chamada Trindade Econômica. Veremos que a palavra econômica não vem à toa. Deus teria uma substância indivisível, mas dividido em três atividades fundamentais, ou modos, manifestando-se sucessivamente como o Pai (criador e legislador), Filho (o redentor), e o Espírito Santo (o criador da vida, e a divina presença no homem).

Este pregador herético professava três revelações de Deus: uma, como Pai, na criação e na legislação do Antigo Testamento; a segunda, como Filho, na Redenção; e a terceira, como Espírito Santo, na obra de santificação dos homens. Chamava cada uma dessas manifestações como prósopon, palavra grega que significava originariamente “máscara ou papel de ator de teatro“

A palavra Sabelianismo foi posteriormente usada para definir todas as idéias que se vieram e se agregaram às originais idéias de Sabélio e seus seguidores. No oriente, usa-se o termo "Sabeliano" para incluir todos os monarquianistas.

Como podemos perceber, a grande dificuldade consistia em afirmar a Trindade de Pessoas em Deus sem descambar para o triteísmo ou sem professar três deuses.

O famoso Hipólito conheceu o teólogo Sabélio pessoalmente e mencionou-o na Filosofomena. Hipólito sabia que Sabélio discordava da teologia Trinitariana, discordância essa que ele denominou Monarquianismo Modal a heresia de Noetos.

O Sabelianismo foi embalado pelos cristãos em Cirenaica, para quem Demétrio, Patriarca de Alexandria, escreveu cartas rebatendo sua fé. O principal oponente do Sabelianismo foi Tertuliano, que tachou o movimento de "Patripassianismo", a partir dos termos latinos patris para "pai", e passus por "sofrer", já que isto concluiria que Deus, o Pai teria sofrido na Cruz. Assim Tertuliano o definiu e conceituou na obra Adversus Praxeas, Capítulo II, nos seguintes termos: "Com isto Praxeas fez um duplo serviço para o diabo em Roma: ele desviou a profecia para longe e a trouxe em heresia; pôs em vôo o Paracleto, e crucificou o pai".

A controvérsia herética havia de arder em argumentos, adaptações e adesões por todo o século IV, envolvendo todas as camadas da população, englobando desde o Imperador até os mais simples fiéis. A falta de tato e ingerência do poder imperial, que desde 313 era simpático ao Cristianismo, contribuiu para tornar dificultar essas discussões teológicas. Tais discussões assumiam, costumeiramente, um caráter direta ou indiretamente político.

É fundamental verificar que as únicas fontes atuais para chegarmos ao conhecimento do Sabelianismo são exatamente as de seus detratores, do que resulta que os estudantes de teologia modernos não estão de acordo sobre o que Sabélio ou Praxeas ensinaram.

Nos dias atuais, o Sabelianismo é rejeitado pela grande maioria das doutrinas cristãs, chegando alguns a dizer que ele leva necessariamente ao Nestorianismo. É, contudo, aceito em seus princípios por alguns grupos Pentecostais, denominados Unicidade Pentecostal ou grupos "Só Jesus" que temos espalhados por ai.

O Sabelianismo histórico explicita que Deus, o Pai é a única pessoa da Divindade, como o fazem a Unicidade Pentecostal hoje. Seus ensinamento concluem que Deus, o Pai, e Jesus são o mesmo. De acordo com sua crença, os termos "Pai" e "Espírito Santo" descrevem ambos o Deus que habitou em Jesus. Foram os detratores da doutrina que chamaram esta doutrina de "Só Jesus".

A questão provocou na Igreja os estudos e o debruçar de numerosos santos e doutores sobre a questão, que, com seus talentos intelectuais e sua vida, contribuíram de forma definitiva para a reta formulação da fé cristã, debatendo e lançando por terra, finalmente, a heresia.

Os Sabelianistas acabaram por ensinar que Jesus Cristo e Deus Pai não eram pessoas distintas, mas simplesmente dois aspectos, faces ou operações de uma única pessoa. De acordo com essa heresia e seus seguidores, as três pessoas da Trindade existem apenas em referência ao relacionamento de Deus com o homem, mas não como uma realidade objetiva.
Esta visão está presente em muitos movimentos ditos "ecumênicos" protestantes atuais, especialmente entre as seitas mais antigas. Nosso Senhor para eles dissolve-se em uma vaga "divindade".

2 comentários:

Will disse...

Saudações!

A questão é longa, e o Sabelianismo aborda um pouco de um dos lados.
De qualquer forma, vejo q a resposta está em parte no vosso nome: Emanuel = Deus conosco.

Grande abraço!

jones disse...

antes de criticar se é ceita é necessario examinar a biblia pois a palavra de Deus é a verdade!