quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Conservador favorável a liberalismo econômico? Isso não existe.

Ultimamente tenho encontrado muitas pessoas que se auto-intitulam conservadoras dizendo que são conservadoras, mas são liberais no que tange a economia.

Ora, não vou ficar aqui debatendo as diferenças entre conservadores e liberais, muito menos que o liberalismo é uma porcaria. Quem não sabe a diferença procure saber por aí e quem acha que liberalismo não é uma porcaria, simplesmente pare de ler porque se continuar vai passar raiva.

Voltando à questão principal, ainda não consegui entender como uma pessoa pode ser conservadora e liberal em nenhum único ponto. Como é possível ser conservador e aceitar quando alguém resolver abrir uma casa de prostituição em frente a uma escola ou igreja? Não que hoje isso não aconteça, mas pelo menos podemos usar o senso moral das pessoas para impedir que isso continue. Se aceitarmos o liberalismo econômico vamos ter que abrir mão desse senso moral para não cairmos em contradição com o que devemos acreditar. O que é mais importante: a economia ou a moral? Quem definir isso?

É claro que existem muito mais exemplos, Mas vamos só mais um. Se você estiver em um liberalismo econômico é claro que não dá pra limitar as atividades econômicas e o comércio. É por esse motivo que os liberais são a favor da liberação de drogas que hoje são ilícitas. Quero só ver quem vai continuar sendo liberal quando o seu vizinho resolver abrir um comércio de maconha ou cocaína bem ao seu lado e os clientes começarem a consumir o produto na sua porta e na frente dos seus filhos.

Enfim, o que estou querendo dizer é que não dá para ser conservador e se dizer liberal apenas em um ponto específico. Claro que existem alguns pontos de intersecção entre os dois, mas são pontos de intersecção e não pontos fixos em que essas duas partes caminham juntas.

Portanto, só para não deixar de usar uma expressão mais atual, caso contrário o texto não vai parecer "descolado", a minha intenção não é colocar ninguém "dentro de caixinhas", até porque eu mesmo não me coloco. A intenção é pedir que você abra os olhos e pelo menos seja coerente com que está defendendo.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Homossexualismo, Dom de Deus? Situação jurídico canônica.

Essa semana fomos capazes de ver um bispo da Igreja Católica  Católica  da Igreja Católica  Católica afirmando que o homossexualismo é dom de Deus. Muitos vieram perguntar se isso caracterizaria cisma ou mesmo apostasia. A verdade é que precisamos conceituar muito bem o que é heresia, o que é cisma e o que é apostasia antes de tentar enquadrar qualquer caso concreto.

Sobre a questão doutrinária em si não há muita necessidade de entrar em detalhes para provar que a fala do bispo é absolutamente heterodoxa. O Catecismo diz que sentir atração pelo mesmo sexo é uma "inclinação objetivamente desordenada" (§2358) e que "As pessoas homossexuais são chamadas à castidade" (§2359)

No caso específico dos ensinamentos desse Bispo, não há caracterização, a princípio, nem de apostasia e nem de cisma. Uma coisa é ensinar heterodoxias e heresias, outra coisa bem diferente é o abandono da fé e o compromisso com outra, o que caracterizaria apostasia.

O Bispo em questão não abandonou a Igreja e foi pra uma seita qualquer (cisma), mas ensina heterodoxias no pior grau. Isso porquê, como bem sabemos, o que ele afirmou é frontal e absolutamente contra qualquer tipo de interpretação doutrinária no cristianismo. 

Apostasia é diferente de heresia, que é diferente de cisma. Esses três podem estar combinados ou não. No caso específico, me parece, não houve nenhum dos três, isso porquê a apostasia é o abandono de toda a fé, a negação do conjunto da doutrina, como já afirmado aqui. Heresia é a negação ou contradição de uma parte da doutrina. Cisma é o rompimento direto e explícito com a autoridade do Papa ou da hierarquia em comunhão com ele. Acontece que esses três devem ser feitos com livre consciência  consciência e pleno conhecimento do que está sendo feito.

Nesse caso específico, o Núncio deve ser acionado pra solucionar a questão.

O que esse bispo fez não se enquadra em nenhum dos casos a princípio. O certo seria agora abrir um processo canônico para investigar qual o nível de consciência e conhecimento desse Bispo sobre o tema abordado. Isso tudo para saber até que ponto essa afirmação foi livre e consciente de expressão para entender se realmente é caso de heresia. Do contrário ele simplesmente falou besteira e deve ser devidamente corrigido.

Mas ainda fica a pergunta se o Bispo não pode ser classificado pelo menos como herege. A resposta é simples mas não tão direta: não necessariamente.

Em dados casos, e me parece que esse é um dos dados casos, o religioso é intelectualmente prejudicado (um bom eufemismo) e por isso não deveria sequer ter sido ordenado para diácono, quanto mais para Bispo, isso foge à sua responsabilidade; e/ou teve uma formação horrível, o que sabemos que é absolutamente comum não só nos dias de hoje, mas também nas décadas de 60, 70 e 80 (também 90) quando a teologia da libertação era muito mais forte.

Um sacerdote ou um prelado que ensina esse tipo de heterodoxia deve ser devidamente colocado em seu lugar, restabelecendo a ortodoxia católica e lembrando-lhe qual sua função; o atual Código de Direito canônico dá essa permissão até ao laicato.