Muita expectativa se formou em torna dessa encíclica e muita bobagem foi dita pela imprensa sobre ela. Até vazaram um rascunho dias antes da sua publicação tal era a expectativa. Pois bem, dessa vez não vamos colocar o texto completo da encíclica aqui porque se trata de um texto demasiado grande para um blog, mas disponibilizamos o download em formatos PDF e EPUB, assim satisfazemos todos os gostos.
Encíclica Laudato Si do Papa Francisco em formato PDF
Encíclica Laudato Si do Papa Francisco em formato EPUB
quinta-feira, 18 de junho de 2015
sábado, 21 de março de 2015
Livro: Sacrosanctum Concilium já disponível.
É com muita satisfação que entrego a todos o acesso ao meu novo livro. Espero que gostem.
Ele pode ser comprado em versão impressa ou digital clicando nesse link:
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domingo, 11 de janeiro de 2015
O revolucionário é um infeliz.
Eu realmente gosto de
arroz, feijão, alguma salada e bife. É minha comida predileta. Não precisa
muito mais que isso, mesmo que todo dia, para me agradar. Eu também gosto de
ler, assistir algumas séries de TV, novela não, mas um ou outro filme,
especialmente daqueles que muita gente morre de uma só vez sabe... estilo “Duro
de Matar” e coisas do tipo. São os meus gostos. Sempre os sigo.
Fico imaginando se
eu fosse um revolucionário desses comunistas ou anarquistas ou qualquer coisa
lunática dessa. Provavelmente, dentro do pensamento deles, eu deveria gostar do
comer arroz, bife e salada, mas não deveria continuar fazendo isso porque iria
contra a revolução.
Na verdade eu não
estou ficando doido e nem escrevi isso em uma noite mal dormida. Na verdade
estou usando um argumento simples: você conserva o que gosta. Seu eu não
gostasse de ver filmes de ação eu simplesmente mudaria de canal. Já que eu
gosto, eu os mantenho. Eu os conservo.
Conseguiu pegar o
cerne da questão? O conservador é aquela pessoa que está feliz e satisfeita com
o que tem e como as coisas são. Não é uma pessoa simplesmente conformista, mas
que está feliz e realmente gosta de como as coisas funcionam. Elas podem até
não funcionarem sempre dentro da perfeição desejada, mas o conservador entende
que as coisas não são perfeitas para que se exija perfeição delas e,
principalmente, entende que as pessoas não são perfeitas, inclusive ele. Se não
há perfeição nos agentes de uma ação, impossível cobrar perfeição no resultado
final. Contudo é possível melhorar cada vez mais o caminho para que se chegue
cada vez melhor em um resultado. O revolucionário não pretende melhorar nada.
Ele pretende destruir todo o caminho pra fazer um resultado melhor. Como isso
pode dar certo, nem eles sabem explicar.
Tudo isso, por parte
do revolucionário, é um tanto quanto contraditório. O revolucionário quando não
gosta do filme ele não se contenta em mudar de canal, ele difama o canal, liga
para a operadora de TV a cabo (se for o caso), reclama nas redes sociais e, no
final de tudo, quebra a televisão. O revolucionário é um infeliz por natureza.
Isso é lógico! Quando se está infeliz com algo o que queremos é mudar e não
conservar. O conservador pretende conservar justamente porque é feliz com o que
pretende manter, apesar de saber que tudo pode ficar ainda melhor.
Trata-se de uma
pequena linha de raciocínio em lógica para definirmos alguns pontos.
Contrapontos são sempre bem vindos, contudo devem ser igualmente bem vindos os
contra-argumentos, o que o revolucionário também não permite já que ele está
certo e você sempre errado pelo simples fato de você existir.
Antes que alguém
realmente me chame de louco por argumentar assim, já afirmo aqui que a linha de
raciocínio não é minha, mas de Peter Kreeft em seu livro “Sócrates encontra
Marx”. Uma bela sugestão de leitura principalmente para os revolucionários de
plantão. Mas tem que ler até o fim heim.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
Ideais sepultados, mas nunca praticados. O que há de errado com o mundo. Parte 5
É
no mínimo interessante pensar o quão difícil pode ser praticar algo que só se
tem uma vaga ideia do que seja. Com o catolicismo é assim. A maioria das
pessoas apenas vagueia pelo mais superficial que se possa encontrar sobre o
assunto e já se consideram os grandes mestres e doutores no assunto. Seria como
requerer CRM após ler o livrinho de biologia do 5º ano, ou como se vangloriar de
ser um entendedor de Direito porque ler o artigo 5º da Constituição Brasileira,
por mais bizarro que fazer isso possa parecer.
O
ideal que se coloca em prática é tudo o que o ideólogo não quer. Enquanto o
ideal está represo na mente de quem quer que seja, ele é apenas um vírus
mental, uma vontade que pode mover montanhas, mas só pode. A partir do momento
que ele é colocado em prática, tudo pode desmoronar ou desmoronar outros ideais
já existentes que nunca chegaram a essa prática. Ideal é feito pra continuar
sendo ideal, caso contrário deixa de ser ideal, já que as dificuldades da sua
prática vão desfortunar o praticante do ideal. Ora, se isso acontece, nada mais
lógico que imaginar que provavelmente não era o ideal que deveria ser colocado
em xeque, mas o praticante do ideal. Provavelmente ele é que não foi competente
pra colocar tudo em prática da melhor forma a fazer funcionar. Quem dera tudo
isso fosse tão simples!
Um
ideal quando colocado em prática provoca sempre fúria e paixão. Fúria por parte
dos seus adversários e paixão por parte dos defensores.
Nada
disso interessa até o momento em que os apaixonados começam a abandonar a ideia
por ser de impossível prática. Ora, mais uma vez nos parece ter ficado claro
que o problema está em quem não conseguiu praticar e não no ideal.
No
tópico 6 da parte I do Livro de Chesterton, O que há de errado com o mundo, ele
coloca justamente que a prática correta do ideal costuma levar os adversários e
apaixonados pelo ideal a apedrejar essa prática.
Ele
cita que o mundo sempre foi absolutamente apaixonado pela pureza e demonstrou
isso desde a mais tenra filosofia grega e romana com a adoração de deusas como
Atena, Ártemis e Vesta, mas assim que as cristãs resolveram colocar em prática
essa pureza virginal, começaram a ser jogadas aos leões e ardiam no fogo romano.
Assim acontece até hoje. Que nenhuma menina ou adulta defenda a virgindade em
público, caso contrário o martírio moral e da ridicularização virá. Quanto aos
homens, ainda mais com relação a esse tema, a coisa piora.
O
mundo considera a pobreza um ideal maravilhoso e que apenas grandes pessoas
podem alcançar, desde que não seja eu ou qualquer um perto de mim. Caso um amigo
resolva deixar tudo o que tem: empresa, emprego, namorada, casa e conta
bancária, para viver em um mosteiro ou mesmo que seja menos radical e vá para
um seminário, imediatamente é taxado de louco. Cinderela sempre será um belo
conto de fadas, desde que ela continue pobre, afinal a história acaba quando
ele sai da pobreza. Queremos padres em todas as ocasiões desde o batizado até o
funeral e missa de sétimo dia, desde que o meu filho não tenha que ir para um
seminário. Ora, não queremos o melhor para os nossos? A pobreza e pureza
virginal não são belos ideais? Porque não podemos coloca-los em prática?
O
que Chesterton pretende é mostrar que os ideais sequer foram explorados e só
não o foram por absoluta incompetência de nós mesmos. Porque a gana de criar
novos ideais se sequer conseguimos praticar os antigos? As pessoas não se
cansaram do cristianismo e por isso vemos o que vemos hoje, na verdade nós
nunca colocamos o cristianismo em prática suficientemente para nos cansar dele.
Os que o fizeram, normalmente não reclamaram, mesmo quando ardiam nas brasas do
martírio. Até pediam por isso. Hoje frequentam os altares.
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
O perigo de um político pobre. O que há de errado com o mundo. Parte 4.
A
pobreza é perigosa para um político. Essa ideia parece absurda, mas é outra que
aparece com o fundamento muito bem colocado no tópico 5 da primeira parte do
livro “O que há de errado com o mundo” de Chesterton.
A
facilidade com que ele coloca essa ideia em poucas linhas é impressionante como
toda a sua obra.
O
estadista pobre é perigoso pelo simples fato de que, sem o cristianismo, isso
para nós ocidentais, a pobreza não significa nada. Explico. Foi o cristianismo
divulgado pela Igreja dos primeiros séculos que criou o pensamento de caridade.
Não a caridade simples de doar coisas, mas essa também. Antes não havia muito
sentido em fazer caridade. Era coisa de gente desequilibrada mentalmente. Jesus
não foi considerado perigoso pelos pensadores da época e louco pelos mais
simples a toa. Essa ideia permeia o cristianismo desde sempre: felizes os
pobres, porque deles é o Reino dos Céus (Mt. 5, 3).
Sem
o cristianismo não há motivo para ser pobre já que não há reino nenhum a ser
atingido. Sem o cristianismo o ser pobre é puro idealismo que leva a pura
demagogia de atingir um bem futuro com essa pobreza, já que só essa vida interessa
e depois nada existe. Assim, a pobreza é só um caminho para a futura riqueza,
talvez não de pertences, mas de poder. Poder que, irremediavelmente leva à
riqueza em algum momento. Esse é o ser humano.
O
político pobre quer, antes de tudo, resolver esse problema que assim ele
entende. Pra uma pessoa que não é impulsionada por ideais cristãos, eu disse
impulsionada e não que divulga ou é cristão, não há motivo algum para continuar
sendo pobre até o fim da vida. A pobreza será apenas as migalhas de pão que
levarão a uma futura e rica casa de doces dos mais variados. O que há lá dentro
é outra história.
O
político pobre, portanto, busca a riqueza. Sua pobreza é um problema em sua
cabeça. O político rico já nasce rico e não precisa chegar à riqueza, já que já
está lá. Obviamente que esse argumento não resolve outros tipos de riqueza como
o poder, mas que diminui muito a necessidade de desvios de riqueza material,
sem dúvida que diminui. No argumento de Chesterton: “ele nasce com uma colher
de prata na boca a fim de, mais tarde, não aparecer com uma no bolso”, “o
estadista é subornado para não ser subornado”. Não é preciso explicar isso. A
metáfora é sempre autoexplicativa.
Claro
que nascer com a colher de prata na boca não significa que não se verá em um
certo momento histórico com uma faca nos dentes, isso segundo Chesterton. Por
esse motivo é que mencionamos que resolve o problema do desvio material, mas
nunca a gana de poder que é inerente e só pode ser resolvido com um pensamento
direto e fácil de ser entendido. Um pensamento que pode permear a vida de
qualquer pessoa, desde o mais pobre ao mais rico e poderoso. Como chega a esse pensamento
é que causa tanta discórdia.
Enquanto
o socialismo promete isso querendo mostrar que todos somos iguais e que podemos
fazer um mundo sempre melhor aqui, com todas as benesses e prazeres, todos
desfrutando de tudo, de todos e de todas as possibilidades, o cristianismo mostra
que o ser humano não quer ser igual porque é criado diferente e,
consequentemente, cada um tem suas necessidades próprias que diferem uns dos
outros. A ideia de igualdade fica maculada desde seu nascedouro. É impossível
fazer com que todos sejamos iguais se não somos iguais em nada. Precisaríamos
mudar a natureza humana. O socialismo tenta fazer isso através de uma revolução
cultural que pode dar certo no início (nosso momento histórico), mas não dura muito
tempo. Dura tão somente até que alguém entenda que está sendo cerceado do seu
direito no lugar de tê-lo por completo como foi prometido.
Por
outro lado, o cristianismo entende essa diferença e mostra a todos que a
verdadeira caridade é o amor pelo qual as pessoas devem ver as necessidades do
próximo e que esse amor deve ser “alterconstrutivo”, ou seja, cada um deve
construir um mundo melhor através da construção de um mundo melhor para a
pessoa que está ao seu lado. Para isso deve agir corretamente, mas deve, antes
de tudo, pensar no outro antes de pensar em si mesmo. Isso leva ao “orgulho” da
pobreza, uma vez que, sendo pobre, está tornando o outro mais feliz porque está
satisfazendo-o ao abrir mão de algo em prol desse outro. Esse outro, por sua
vez, se satisfaz pelo simples fato de que seu próximo está trabalhando no fato
de querer ser melhor, mesmo sem conseguir êxito completo. Assim, cada um está
em um estágio e todos caminhando para o mesmo fim. Uns mais perto do objetivo
outros mais distantes, uns andam mais rápido, outros mais lentamente, mas todos
olhando para o mesmo objetivo.
O
simples pensar dessa forma, mesmo que a prática seja muito mais difícil e
controversa que isso, torna o político um servidor do outro, e não um servidor
dos seus próprios interesses.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
Uma derrota sem refutação. O que há de errado com o mundo. Parte 3.
Os
idealistas modernos tem em mente que se algo foi derrotado, foi refutado. Esse
é um dos centros do quinto tópico, da primeira parte do livro “O que há de
errado com o mundo”. O Autor Chesterton menciona essa linha de pensamento em
vários momentos durante o livro e o demonstra perante várias perspectivas,
entretanto ele o coloca como algo que deve ser pensado de forma totalmente contrária, ou seja, justamente porque foi derrotado é porque muito provavelmente não foi refutado.
O
que Chesterton coloca é que se algo foi derrotado, justamente é porque não foi
ou não deve ter sido necessariamente refutado. A história é contada pelos
vencedores, os que sobreviveram. Se é assim não há como, nem porque os vencedores
falarem bem ou divulgarem a ideologia e pensamentos dos derrotados. Eles
simplesmente lançam uma pá de cal sobre o assunto ou tentam demonstrar que as
mais profundas e belas filosofias são de perversidade monstruosa e desumana a ponto de não poderem sequer serem analisadas.
Nossa
realidade é exatamente essa. Apesar de o livro ter sido escrito na primeira
década do século XX, nada mais atual do que esse pensamento e nada será cada
vez mais atual com o decorrer do tempo se continuarmos no toada que estamos.
Boa
parte das ideias religiosas, tomando essa parte como exemplo, sequer pretendem
ser discutidas e são colocadas como erradas (refutadas) pelo simples fato de
existirem. São retrógradas por que são antigas. São ultrapassadas porque vem de
instituições milenares. São refutadas porque as tem como derrotadas. Nada mais
insano! O argumento se torna ad hominem,
ou seja, se você pensa assim, não importam os argumentos que você tenha: você
está errado por existir. Não é necessário sequer ouvir, debater ou analisar
argumentos: você está errado por ter nascido com esse pensamento no século
errado.
Que
levante a mão armada com pedras aquele que tem um pensamento religioso, político
conservador, antirrevolução francesa ou qualquer outro pensamento tido por
ultrapassado e que não tenha se sentido uma voz no deserto, mesmo que fale para
uma multidão. A multidão é surda aos seus argumentos e muito barulhenta frente as atitudes, quando
devia simplesmente ter o respeito de parar e ouvir para entender, mesmo que não
concorde.
Independente
da conduta atual, sua fundamentação que fez evoluir para esse
momento histórico intolerante por natureza, é que os ideais antigos não foram,
na verdade, refutados e por isso derrotados, mas na verdade não foram realmente vividos.
Foram apenas ideais lançados em traços de papeis que nunca foram colocados em prática.
O catolicismo é um bom exemplo disso, tendo ele por base já que é nosso tema
central.
O catolicismo
nunca foi vivido plenamente. Os católicos, hoje mais que na maioria dos
momentos históricos, é formado por uma multidão que diz acreditar em um boneco
de pano. Sequer sabem o que falam ou professam. Dizem pertencer a uma religião
que sequer entendem do que se trata. Apenas se dizem. Nunca foram.
O
Papa Bento XVI, em certa oportunidade de seu pontificado mencionou que sempre
fomos um pequeno grupo de pessoas. A verdade é que por muitos séculos foi moda
ser católico. Muitos se diziam católicos pelo mesmo motivo que hoje muitos
comem sanduíche, ou seja, pelo simples motivo de que é mais fácil e está mais à
mão no momento. Nada mais que modismo e praticidade. Nunca viveram plenamente o
catolicismo. Nunca entenderam. Nunca souberam o que era viver.
Nos
dias atuais somos exatamente assim. Por mais que centenas de milhares encham as
ruas no Círio de Nazaré, nem um por cento vive e ou quer viver realmente o
catolicismo. Fazem por simples tradição, farra ou superstição. Nenhuma das três
opções são realmente católicas.
Isso
tudo só aconteceu não porque o catolicismo foi analisado, entendido e julgado
insuficiente ou errado, a questão é que ele foi superficialmente olhado, em
nada analisado e julgado deficitário e antecipadamente muito difícil de ser
vivido, portanto ultrapassado. Foi puro comodismo mesmo.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
O Mundo não precisa de práticos. O que há de errado com o o mundo. Parte 2.
Na parte I, segundo tópico do livro "O que há de errado com o mundo", Chesterton coloca uma interessante questão: o mundo está muito prático e o prático não resolve problemas.
A ideia é simples: se o mundo não anda bem, significa que algo está errado. Se algo está errado, não podemos usa de praticidade para resolver o erro, mas sim de uma teoria, ou seja, não precisamos de um prático, precisamos de um teórico.
O prático faz as coisas funcionarem de forma considerada eficiente dentro do conceito de sucesso que se quer alcançar. Mas como o prático pode fazer a coisa funcionar se ela não está dando certo? Se contém um erro? Algo precisa ser mudado, melhorado ou consertado. Para se chegar a qualquer uma das três coisas é preciso parar e pensar em como fazer. Isso um prático não faz, apenas um teórico.
O grande problema é que hoje praticamente não temos teóricos e teoricamente só temos práticos. Inobstante o trocadilho quase infame, não se explica mais a ninguém como pensar. Escolas, universidades e família estão tão preocupados com resultados em um período curto de tempo que não sobra tempo para pensar, para teorizar.
Uma grande questão é que hoje tudo é rápido e... prático. Não é preciso saber como plantar um alface já que pra maioria de nossas crianças e até adultos . alface nasce dentro da geladeira, quando muito nasce na seção de hortifruti do supermercado. Quantos adultos você conhece que ficam na dúvida quando perguntados se melancia dá em árvore ou no chão? Essas coisas são simples questões, mas não são nada práticas. É muito mais fácil e... prático, comprar tudo pronto.
Saindo desse microuniverso e indo para o macro, muita gente em sistemas sociais de estudo simplesmente aceitam o que lhe é empurrado goela abaixo tendo em vista que o importante é o resultado. Não se atém ao fato de que, na verdade o problema está na raiz, na teoria. Se não se aprende a pensar e questionar teoricamente tudo quanto possível, impossível corrigir algo. O prático apenas mantém as coisas funcionando. É preciso o teórico para consertá-las.
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
O que há de errado com o mundo. Parte 1.
Logo no início do livro, na parte I, primeiro tópico, se assim pudesse nomear, já que o próprio autor assim não o fez ao topificar, Chesterton faz uma analogia interessantíssima. Aliás analogias interessantíssimas por parte de Chesterton é falar o óbvio ululante, é o máximo do lugar comum, contudo, é assim que minha mera coloquialidade consegue expressar.
Diz Chesterton que na medicina não há muito espaço para ser criativo quando se procura resultados práticos. Segundo ele, é fácil ir ao hospital tratar de um problema na perna e voltar de lá sem ela, mas nunca você encontrará uma pessoa que vai ao hospital tratar de uma perna que volte com três pernas. Essas criatividades médicas nao cabem. O normal é o procurado. Ninguém procura ser anormal a esse ponto.
É bom deixar claro que Chesterton é um indivíduo que teve sua obra principal no início do século XX e, especialmente esse livro "O que há de errado com o mundo" foi escrito antes de 1910. Sendo assim, essa lógica de que procuramos o normal dentro da medicina pode ter mudando um pouco de lá pra cá, afinal aberrações é o que mais vemos hoje em dia, mas o cerne da questão continua o mesmo: ninguém vai o hospital para curar uma perna e sai com três pernas. No máximo duas. Se for preciso amputar, terá apenas uma. Três nunca.
Entretanto, diz ele, no organismo social é diagonalmente o oposto o que acontece. Isso parece independer de época. Sociólogos de plantão, historiadores de fim de semana, cientistas sociais de entretenimento manifestam que se você quer ser algo, então que seja. Se você quer ser um digno consorte de um canino, que seja, afinal não sou eu que me meterei nas suas escolhas sexuais.
O relativismo é a moda. Só que a moda é algo que vem e vai. O relativismo parece ter vindo pra ficar. É uma doença que vem, se instala e dificilmente consegue ser retirada do tecido social porque se adequa a ele, embora o ataque como uma imunodeficiência.
Hoje você acha normal um religioso não ser tão religioso assim, mas quando ele o é, o que é o normal de se acontecer, todos se espantam. Ora, se ele é religoso o que se espera é que ele seja no mínimo.... religioso. O mesmo acontece com abortistas que não quererm ser chamados de abortistas. Ora, se defendem o aborto, do que mais podem ser chamados?
O relativismo com cara renovada de politicamente correto é algo de muito errado com o mundo, pra não fugir do título dado por Chesterton ao seu livro.
Não poder chamar de gordo o gordo e usar de eufemismos, logicamente parece muito mais segregador do que constatar o óbvio, contudo é preciso primeiro prestar atenção na característica, identificá-la como inapropriada para depois eufemiza-la. Ora, se você simplesmente chama o gordo de gordo, basicamente está constatando. Se você para pra pensar que gordo é uma característica malquista pela sociedade, você está segregando, está discriminando. Cosntatar o lógico, que o gordo é gordo e que o preto é preto, não segrega porque é o que os olhos veem. Isso é o politicamente correto trazido pelo relativismo. Esse ponto já existia nos primeiros anos do século XX e era constatado por Chesterton não só nesse livro, mas em muitos outros. As coisas se movimentam, evoluem e infelizmente estamos nos movimentando para trás com esse infame relativismo.
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
Bélgica: debatem ampliar a Lei de Eutanasia para crianças com doenças incuráveis.
Os líderes das principais religiões denunciam: Seria uma prática desumana.
ROMA, 13 de Novembro de 2013 (Zenit.org) - Os líderes cristãos, muçulmanos e judeus da Bélgica, emitiram uma declaração conjunta quarta-feira passada, 9 de Novembro, opondo-se à legalização da eutanásia para menores que tenham doenças incuráveis, uma norma que poderia ser aprovada depois de quase dois anos de debate no Senado. “A eutanásia das pessoas mais frágeis é desumana e destrói os fundamentos da nossa sociedade”, denunciam. “É uma negação da dignidade destas pessoas e as deixa à mercê, ou seja, à arbitrariedade de quem decide”, acrescentam.
Em nota, divulgada pela agência Cathobel, os líderes religiosos destacam também que estão “contra o sofrimento físico e moral, especialmente das crianças”, mas explicam que “propor que os menores possam eleger a sua própria morte é um modo de falsificar a sua faculdade de julgar e por tanto a sua liberdade”. “Expressamos nossa grande preocupação diante do risco da banalização crescente de uma realidade tão grave”, concluem.
Por sua parte, o presidente da Conferência Episcopal e Arcebispo de Malinas-Bruxelas, Mons. André-Joseph Léonard, reconheceu em diversas ocasiões que "é estranho que as crianças não possam tomar decisões em muitas áreas importantes da vida, como, por exemplo, o matrimônio, mas possam dar-se dar ao luxo de tomar uma decisão sobre a sua morte". Trata-se da “decisão mais grave que poderia ser tomada com relação a eles”, concluiu.
A possível legalização da eutanásia para crianças que sofrem de doenças incuráveis está sendo discutido há quase dois anos no Senado. Se a lei for aprovada, a Bélgica vai se tornar em um dos primeiros países a legalizar esta prática. Desta forma se ampliaria a lei da eutanásia para maiores de idade ou menor emancipado (a partir dos 15 anos), capaz, com prognósticos de doença irreversível, que tivesse um sofrimento físico ou psíquico constante e insuportável ou uma doença grave incurável.
A reforma, que é promovida pelos socialistas belgas e apoiada por vários grupos políticos, com exceção do partido flamenco Vlaams Belang e dos democratas-cristãos, tem importância principalmente porque se tornaria na mais permissiva, já que a de outros países como Holanda deixa a decisão nas mãos do menor entre 16 e 18 anos e exige o consentimento paterno para casos entre os 12 e os 16.
No caso belga a condição seria que o menor tenha “capacidade de discernimento”, algo que terá que ser validado pelo médico que cuide do caso e por um psiquiatra infantil.
A eutanásia na Europa está legalizada em Luxemburgo, Suíça, Bélgica e Holanda, onde o número de solicitações de eutanásia e suicídio assistido aumentou em 13 % no ano de 2012. No total, a Holanda chegou a ter 4.188 solicitantes este ano, de acordo com um informe dos comitês sanitários regionais encarregados de avaliar estes procedimentos no país.
terça-feira, 25 de novembro de 2014
Cardeal Castrillón: O papa não vê problemas no rito extraordinário da missa.
No caso dos Frades da Imaculada, Francisco recomendou o novus
ordo devido a questões internas
ROMA, 13 de Novembro de 2013 (Zenit.org) - O cardeal Dario
Castrillón Hoyos, presidente emérito da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei,
participou de uma sessão de perguntas e respostas com os membros da Federação
Internacional Una Voce (FIUV), reunidos em assembleia geral em Roma para
eleição do seu novo presidente.
A Una Voce México é uma associação católica que agrupa os
fiéis leigos daquele país que promovem a liturgia seguindo a forma
extraordinária do rito romano, o rito gregoriano, em especial a santa missa
conhecida como tridentina, de São Pio V ou tradicional.
Respondendo a perguntas dos membros da FIUV sobre a
comunidade dos frades da Imaculada, a quem o papa convidou a usar onovus
ordo, o cardeal colombiano precisou que a postura do papa neste caso se deve
unicamente a dissensões internas e não a um parecer negativo sobre a liturgia
tradicional.
“Eu conversei com o papa Francisco recentemente e ele me
confirmou que não vê inconveniente nenhum no rito antigo e que não vê nenhum
problema nos grupos de leigos e nas associações como a de vocês, que o
promovem”.
O novo presidente da FIUV, o advogado James Bogle, presidente
da União Católica da Grã-Bretanha, declarou: “Estamos muito gratos a Sua
Eminência, o cardeal Castrillón Hoyos, a Sua Eminência, o cardeal Brandmüller,
e ao arcebispo Pozzo por participarem da nossa Assembleia Geral da Federação
Internacional Una Voce”. E acrescentou que os membros da assembleia estão
“muito contentes porque a celebração da missa tradicional está progredindo
mundialmente. É claro que estamos muito gratos a Bento XVI e ao nosso papa
atual, Francisco, por todo o seu apoio ao nosso direito de participar do rito
romano tradicional”.
(RED/HSM)
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Aproximação entre a Igreja Ortodoxa e Romana progridem.
Entrevista com o metropolita Hilarion de Volokolamsk, o ministro de
assuntos exteriores do patriarcado de Moscou
Por Sergio Mora
ROMA, 13 de Novembro de 2013 (Zenit.org)
- O metropolita Hilarion de Volokolamsk, presidente do Departamento para as
Relações Eclesiásticas Exteriores do Patriarcado de Moscou, participou de uma
jornada ecumênica na sala Pio XI, em Roma, organizada conjuntamente pelo
Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos, pelo Departamento de Relações
Exteriores do Patriarcado de Moscou e pelo Pontifício Conselho para a Família,
sobre o tema "Os ortodoxos e os católicos juntos pela família".
Hilarion tem uma agenda intensa de atividades em Roma nos próximos dias.
Ontem, o metropolita se reuniu com o
santo padre e lhe apresentou o livro "Verbo de Deus e palavra do
homem", que recolhe vários pronunciamentos do filósofo Sergei Averintsev.
À noite, presidiu um concerto pela paz, realizado com o apoio do Pontifício
Conselho para a Cultura.
Publicamos a seguir a entrevista que
ZENIT fez com Hilarion.
ZENIT: Como foi o encontro com o santo
padre Francisco?
--O encontro foi muito bem. Falamos
durante uma hora e tratamos de muitos assuntos. Falamos do diálogo bilateral
entre a Igreja ortodoxa russa e a Igreja católica romana, mas também sobre o
diálogo ortodoxo em que participam todas as igrejas ortodoxas.
ZENIT: E sobre as raízes cristãs do
oriente e do ocidente?
--Falamos dos cristãos nos países em
que eles são perseguidos e ameaçados e da necessidade de trabalhar para ajudar
os cristãos perseguidos. Falamos também dos valores cristãos que somos chamados
a defender, do valor da família, que é o tema deste congresso.
ZENIT: Quais são as perspectivas
ecumênicas entre as duas Igrejas?
--Eu acho que as relações entre a
Igreja ortodoxa russa e a Igreja católica romana estão progredindo na direção
certa, em posições comuns que se referem às questões morais. Vamos desenvolver
as nossas relações nos campos em que podemos testemunhar o nosso patrimônio
cristão comum.
ZENIT: E sobre a importância da oração
entre os cristãos para apoiar a unidade dos cristãos?
--A Igreja é uma comunidade de gente
que reza. Sem oração, nenhum homem pode ser chamado de cristão. Tudo o que nos
preocupa tem que ser levado para as nossas orações.
Neste ponto da entrevista, chegaram
colegas de outros meios de comunicação. A jornalista da Rádio Vaticano
perguntou sobre os desafios da família no mundo ortodoxo e ouviu esta resposta
de Sua Eminência:
"São os mesmos [desafios] que
existem para o mundo católico", devido à influência da destruição dos
valores gerada pela ideologia liberal moderna. “Eles tentam persuadir os jovens
de que a família entre um homem e uma mulher abertos à vida é um conceito
obsoleto". Hilarion afirmou que, graças à pastoral familiar, alguns
lugares da Rússia registram hoje taxas altas de crescimento demográfico,
semelhantes às de Bangladesh.
Outro jornalista perguntou sobre o
tempo necessário para um encontro entre o papa e o patriarca ortodoxo.
"Não estamos preparados ainda para dizer quando e onde acontecerá esse
encontro, mas estamos prontos para trabalhar nisto. Que seja uma preparação não
só do ponto de vista do protocolo. E por isso temos que elaborar o conteúdo
desse encontro".
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
Pedidos de intervenção militar.
No dia 29/10/2014 vi uma notícia de capa no Yahoo! Que
dizia o seguinte” Pedidos por intervenção militar e socorro: página do Exército
bomba após eleições”. Claro que me chamou a atenção. Não a matéria, que nem me
lembro o que o jornalista dizia porque opinião de jornalista do Yahoo! e lixo,
ainda prefiro o lixo que pode ser reciclado dependendo do estado.
A questão que eu queria ler eram os comentários. Eu
já esperava que houvesse um ou outro apoiando, mas não a quantidade que eu li.
Vou aqui só colocar alguns que achei na primeira página de comentários, só a
primeira página. Não vou ficar colocando as outras que é pra não dizer que eu
fiquei catando comentários. Vamos lá.
Com mais de 700 curtidas, aquele que se intitula
Christian disse:
“A
grande maioria dos que opinam sobre o regime militar (chamado pela esquerda de
''ditadura'') não tem o mínimo de conhecimento da verdadeira história do
Brasil.
A
chamada ''ditadura'' na verdade foi um regime de exceção, um movimento
civil-militar conhecido como Revolução de 64 que impediu, gloriosamente, a
implantação de uma ditadura comunista no País.
Ao
contrário do que todos afirmam, a democracia jamais esteve na pauta dos grupos
terroristas. Nenhum deles lutou pela retomada da democracia. O plano de todos
os grupos que atuaram nos anos 60 e 70 para derrubar o regime era implantar a
ditadura do proletariado, essa sim uma ditadura real, totalitária e assassina.
O
clamor das pessoas de hoje faz sentido, uma vez que a situação atual lembra, em
vários aspectos, a do início dos anos 60 durante o governo Jango: instabilidade
econômica, corrupção desenfreada, insurgência no campo (MST), tentativa de
enfraquecimento das forças armadas, anarquia, entre outros.”
O Luiz, com mais de 200 curtidas, manifestou o
seguinte:
“Falta
perguntar a Dilma se ela e seus camaradas de guerrilha lutavam pelo retorno às
instituições democráticas no país ou para implantar a ditadura comunista
inspirada pela revolução cubana? Interessante por que ninguém pergunta
diretamente isso a ela? Aqueles que pegaram em armas faziam parte de
organizações extremistas e radicalmente a favor do comunismo. Hoje, são
mártires. Quando em breve eles transformarem o Brasil num satélite comunista de
Cuba, certamente, após fecharem as igrejas, irão inventar a sua própria
religião e canonizar os terroristas, guerrilheiros, subversivos não só os que
já estão mortos, mas também os que estão vivos e aproveitando a mamata
verde-amarela.”
Quanto a esse, eu digo, Luiz, que essa canonização
já está acontecendo a muito tempo. A diferença é que canonização de verdade é
muito difícil acontecer e só acontece depois da morte. O que vemos é a
canonização socialista em vida.
Mas vamos continuar porque tem mais coisa
interessante por lá. O usuário chamado Nickname disse o seguinte em letras
garrafais, que eu estou tirando pra ficar mais bem formato esse texto:
“Nunca houve ditadura militar no Brasil. O que houve foi um regime
militar. Se voce quisesse sair do país você era livre para fazê-lo. Bem ao
contrário de Cuba!”
Pois é, falou e disse. Um bom argumento esse. Por
último, vou colocar uma pequena frase do Ernani, que manifesta uma revolta com
a criminalidade e com a corrupção, e pra isso basta ter boa vontade pra
entender, o que muitos não vão ter (nesse caso não posso fazer muita coisa).
“Prefiro
soldado bravo que bandido solto.”
Pois bem, o que me conhecem pessoalmente ou só
pelos meus escritos sabem que eu nem preciso ficar comentando os textos ou
escrever mais sobre o assunto, isso porque os textos falam por si.
Aí está o link
do site e abaixo os comentários.
Quando cada um entrar nesse link os comentários podem não estar na primeira
página porque isso é dinâmico. Independente disso vale ler as opiniões e as
respostas.
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
O Decreto 8243.
O Decreto 8243 ficou
conhecido como aquele que instalava uma forma de democracia direta por cima do
Congresso Nacional, um claríssimo atentado contra a democracia. Esse conceito
não tem nada de sensacionalista ou exagerado para que se imbuísse uma fumaça
malcheirosa em torno do decreto.
Em poucas palavras,
o Decreto pretendia instituir uma série de comissões que teriam voz e vez
legislativa, equiparando-se e, as vezes suplantando o legislativo constituído.
Tudo parece muito bonito quando se coloca que o povo terá voz através dessas
comissões que serão formadas pelo povo. Só que não é isso o que acontece. Eu ou
você, nós pessoas comuns que precisamos trabalhar e estudar, cuidar da família,
fazer compras e outras tarefas diárias, simplesmente não temos tempo para fazer
parte de uma comissão governamental que irá discutir questões profundas ligadas
ao futuro de toda uma nação. Adivinhem que faria parte dessas comissões?!!!
Obviamente que militantes que recebem para fazer política não institucionalizada,
ou seja, militantes partidários que recebem para não ter mandato e instituir
debates e as vezes balbúrdias, é que farão parte dessas comissões. Na prática é
retirar o poder da população de escolher seus representantes no Congresso.
Pois bem, essa
proposta acaba de cair na Câmara dos Deputados. Foi o que aconteceu ontem a
noite (28/10/14). Uma Câmara dos Deputados que, vale lembrar, é infinitamente
mais dócil ao governo que a próxima Câmara que toma posse em janeiro.
O Congresso disse
não ao seu próprio aviltamento e à tentativa do governo de governar em aliança
com "movimentos sociais" aparelhados pelo PT e partidos de linha
socialista clara como é o caso do PSOL, PCO, PCdoB e congêneres. Com isso fica
claro: qualquer derrotismo, qualquer acusação de "tá tudo dominado"
ou discursos do estilo "não adianta nada, o PT sempre vence", não
passam de babaquice e de formas discretas de fortalecer as esquerdas ainda
mais.
Grande parte do PP é
oposição. O partido está rachado, o que pode ser bom ou ruim, dependendo do
ângulo que se vê. Grande parte do PMDB é oposição, a diferença é que o PMDB é dividido
naturalmente e sabe conviver com isso. Como diria uma famosa comentarista de
política: “o PMDB não é para amadores”. O PTB, aliado até outro dia, tornou-se
oposição. A tendência do PSB, tirando um ou outro quadro mais à esquerda (Luiza
Erundina, por exemplo), tende a ser um novo partido de oposição e já mostrou
isso nas eleições. Até o PV arregaçou suas manguinhas nessas últimas eleições
e, apesar de sua insignificância parlamentar, sabe fazer barulho quando quer. A
situação nunca foi tão boa para a oposição ao petismo.
O Senado verá a
chegada de quadros políticos como José Serra, Tasso Jereissatti, Álvaro Dias,
Aloysio Nunes, Ronaldo Caiado. Isso para não falar em Aécio Neves que tende a
ganhar status de líder pessoal de oposição. Que não fraqueje em sua tarefa.
O momento é de união
das oposições e daqueles que, mesmo em partidos que não são oposição, pretendem
que seu partido pule de lado. Não é momento de cobranças. O momento é de
comemorar mais uma vitória política em um assunto que realmente iria contra
tudo o que uma democracia de verdade, que é o que queremos ser, precisa ter.
Não é momento de insistir em choradeiras e conspirações, muito menos em
separatismo. Que bobagem! Eles são mais vítimas que qualquer um do sul, sudeste
ou centro-oeste. O momento é se organizar.
Nunca houve uma
disputa tão acirrada desde 1989 e, sinceramente, não me lembro de na história
ter acontecido uma disputa tão acirrada desde o início da República. É preciso
saber usar desse momento mantê-lo por pelo menos os quatro anos seguintes
É isso que a
democracia e o povo brasileiro esperam de uma oposição. É essa a oposição que o
PT sempre fez. É essa a oposição que precisa ser feita e não aquela feita nos últimos
12 anos que sequer era notada. Uma letargia agonizante que espera-se, tenha
terminado.
É esse o caminho que
cumpre uma oposição séria e verdadeira trilhar. No mínimo isso faz bem ao
sistema democrático que pretendemos ter.
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
Quando um agente estatal exige que uma freira não reze, ainda há liberdade religiosa?
Por Paulo Vasconcelos Jacobina
Recentemente, uma freira me trouxe a notícia de que uma servidora da Secretaria de Educação do Governo do Distrito Federal lhe informara que, no seu planejamento educacional para o ano de 2015, ela deveria considerar retirar as orações e as atividades de natureza religiosa do seu planejamento, cessando qualquer tipo de religiosidade na sua conduta. Uma vez que a creche que a congregação religiosa dirige recebe recursos públicos, e a realização de orações e devoções, segundo a referida servidora pública, "violaria o Estado laico". Em leve tom de ameaça, a servidora pública sugeriu enfaticamente à freirinha que "considerasse seriamente esta sugestão".
Esta situação ocorreu dias depois de outra igualmente preocupante: estive num grande escritório de contabilidade empresarial com outra freira, de uma congregação profundamente dedicada ao atendimento dos "mais pobres dos pobres", cuja regra de vida, aliás, impede terminantemente que a instituição receba quaisquer recursos públicos. Mas como a Congregação emprega ajudantes e atende pessoas carentes, consome água e energia, além de gerar tributos por posse de imóveis, precisa de cadastros infindáveis em diversos Ministérios do Governo Federal, além de entidades congêneres das esferas estadual e municipal nos diversos locais em que atua. Exige-se-lhe inclusive a contratação de responsáveis técnicos na área de psicologia, pedagogia e serviço social, além de cadastros nos diversos órgãos profissionais respectivos. As despesas com atividades burocráticas de uma entidade que não recebe, nem pretende receber, recursos públicos, e que pretende apenas exercer a caridade, ou seja, o acolhimento amoroso dos que não são lembrados nem pelo próprio Estado, são volumosas e saem das doações privadas de leigos comprometidos e empresas com responsabilidade social.
Estas religiosas muitas vezes têm dificuldade de apoio na própria estrutura formal da Igreja, que já tem problemas suficientes para sobreviver perante suas próprias dificuldades burocráticas, e deixa de se posicionar mais agudamente frente a um Estado que cresce e se torna cada vez mais ameaçador para quem quer atuar na atividade de assistência social como reflexo das suas convicções religiosas. É como, por um lado, se a própria manifestação ostensiva de pertença religiosa dessas instituições fosse quase uma atitude inaceitável perante um Estado cada vez mais dominado pelas ideologias ateístas, e, por outro, como se fosse quase uma concessão estatal precária que alguém possa ter acesso aos pobres fora das estruturas estatais e burocráticas - uma monopolização da miséria pelos órgãos estatais e suas ONGs de viés para-partidário.
É relevante perceber que o Estado brasileiro tem criado uma série de facilidades para a pequena atividade empresarial, como as "microempresas individuais" que gozam de sistema tributário facilitado, mas para a atividade de caridade há apenas a multiplicação de exigências e burocracia, mesmo quando não há, nem se pretende que haja, aporte de recursos públicos nestas entidades. Se os pequenos empresários podem gozar de um sistema simplificado de recolhimento, as pequenas entidades religiosas sofrem cada vez mais com um sistema absurdo de exigências burocráticas, que culminam agora na própria exigência de que abandonem suas próprias convicções religiosas no planejamento de suas atividades, em nome de uma suposta laicidade estatal. Isto é tão absurdamente autoritário que é impressionante que não esteja sendo denunciado como autoritário até por aqueles intelectuais que, embora não tenham convicções religiosas, têm na democracia um pilar das suas próprias convicções. Não há democracia sem liberdade religiosa, e esta pode ser restringida de muitas maneiras, algumas ostensivas, outras sutis, como as que estamos agora vivendo.
Mesmo aquelas entidades religiosas que estabelecem parceria com o Estado, recebendo recursos públicos para desempenhar sua missão social, têm a garantia constitucional plena à sua própria identidade confessional. Quando o art. 19 da Constituição Federal ressalva a colaboração de interesse público entre entidades religiosas e o Estado, ela o faz para garantir que essas entidades possam relacionar-se com o Estado exatamente como são, ou seja, como entidades religiosas. Quando um agente estatal faz uma exigência a uma entidade religiosa prestadora de serviços de interesse público de deixar suas atividades confessionais em nome da "laicidade estatal", ele está escancaradamente negando vigência ao artigo 19, II, da Constituição; nega que as entidades religiosas possam relacionar-se com o Estado sem deixar de ser confessionais. E não se ouve nem as vozes dos juristas, nem as vozes das pessoas comprometidas com o regime democrático e do Estado de Direito contra essa distorção autoritária e negadora do direito constitucional de liberdade religiosa. Não existe religiosidade "privada" ou "teórica", a não ser na mente de quem, além de não ter pessoalmente religião, tornou-se um militante contra a religião. Esta atitude é tão mais perniciosa quando vem embalada numa crescente série de exigências burocráticas e ideológicas cumulativas, afinadas ademais com uma atitude arrogantemente ateia nas universidades e centros de produção intelectual, a ponto de tornar insensível aos próprios católicos a situação alarmante. Precisamos denunciar esta tendência autoritária enquanto a própria possibilidade de denunciar não se torna um crime de lesa-majestade: não há verdadeira liberdade religiosa quando o Estado, por exigências indiretas ou ostensivas, torna inviável que a fé se torne ação.
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
Os fiéis leigos não podem de maneira nenhuma abdicar de participar na política
Reflexões do Card. Dom Orani João Tempesta, Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
Por Card. Dom Orani Tempesta, O.Cist.
Os fiéis batizados que querem se apresentar ao escrutínio público das urnas devem discernir bem sobre os caminhos a percorrer, propostas a apresentar e onde se afiliar.
A Congregação para a Doutrina da Fé publicou, em 24 de novembro de 2002, Festa de Jesus Cristo, Rei do Universo, a “Nota doutrinal sobre algumas questões relativas à participação e comportamento dos católicos na vida política”, endereçada aos Bispos e ao Povo de Deus em geral, especialmente àqueles que se interessam por tomar parte na vida pública e política da sociedade.
Trata-se, evidentemente, de um Documento resumido que, como ele mesmo diz, deseja apenas relembrar, sem a pretensão de ser completo, alguns princípios próprios da consciência cristã, que inspiram o empenho social e político dos católicos nas sociedades democráticas.
Sua razão de ser, no entanto, é deveras oportuna, dado que, “nestes últimos tempos, não raras vezes sob a pressão dos acontecimentos, apareceram orientações ambíguas e posições discutíveis, que tornam oportuna a clarificação de aspectos e dimensões importantes da temática em questão”, ou seja, a participação do verdadeiro fiel católico na vida pública e política de seu país, qual sal da terra e luz do mundo (cf. Mt 5,13-14).
Daí, não ser em vão que a Nota doutrinal tem início lembrando que os cristãos, sempre, ao longo da história, tomaram, enquanto cristãos e cidadãos, parte na vida pública e política de suas nações, segundo lembra, já no século II, a Carta a Diogneto, 5.5, com as seguintes palavras: “Os cristãos residem em sua própria pátria, mas como residentes estrangeiros. Cumprem todos os deveres de cidadãos e suportam todas as suas obrigações, mas de tudo desprendidos [...]. Obedecem às leis estabelecidas, e sua maneira de viver vai muito além das leis... Tão nobre é o posto que lhes foi por Deus outorgado que não lhes é permitido desertar”.
Em outras palavras: os cristãos têm consciência de que estão neste mundo, mas que não são dele (cf. Jo 15,19). São concidadãos dos santos (cf. Ef 2,19). No entanto, enquanto vivemos em sociedade, não nos furtamos à submissão às autoridades legítimas – salvo se prescrevem o que é contrário às exigências da ordem moral, aos direitos fundamentais das pessoas e aos ensinamentos do Evangelho (cf. Catecismo n. 2242) – nem à corresponsabilidade para com o bem comum, que exigem de nós o pagamento dos impostos, o exercício do direito ao voto, a defesa do país e a oração pelas autoridades (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 2240).
Portanto, a política não é, nem deve ser uma atividade estranha aos cristãos, de modo que “a Igreja venera entre os seus Santos, diz a Nota, numerosos homens e mulheres que serviram a Deus através do seu generoso empenho nas atividades políticas e de governo. Entre eles, São Tomás Moro, proclamado Padroeiro dos Governantes e dos Políticos, que soube testemunhar até ao martírio a ‘dignidade inalienável da consciência’. E, embora sujeito a diversas formas de pressão psicológica, negou-se a qualquer compromisso e, sem abandonar ‘a constante fidelidade à autoridade e às legítimas instituições’ em que se distinguiu, afirmou com a sua vida e com a sua morte que ‘o homem não pode separar-se de Deus nem a política da moral’ (São João Paulo II, Carta Apost. Motu Proprio dada para a proclamação de São Tomás Moro, Padroeiro dos Governantes e dos Políticos, n. 1, AAS 93 (2001) 76-80)”.
Pois bem, se no século II a Carta a Diogneto já registrava a participação dos fiéis na vida social e política de suas comunidades, muito mais essa missão é exigida e até melhor propiciada nos nossos dias, quando há, na maioria dos países, ao menos na teoria, a “liberdade democrática” a propiciar aos cristãos, fiéis aos ensinamentos da Igreja, e aos não cristãos, sua presença nos centros decisórios da sociedade.
Daí ensinar o Concílio Vaticano II que “os fiéis leigos não podem de maneira nenhuma abdicar de participar na ‘política’, ou seja, na multíplice e variada ação econômica, social, legislativa, administrativa e cultural, destinada a promover de forma orgânica e institucional o bem comum” (São João Paulo II, Exort. Apost. Christifideles laici, n. 42), que compreende a promoção e defesa de bens, como são a ordem pública e a paz, a liberdade e a igualdade, o respeito da vida humana e do ambiente, a justiça, a solidariedade etc.
Há aqui, no entanto, um paradoxo muito bem lembrado pelo Documento da Santa Sé: se, por um lado, a humanidade tem seus ganhos nos vários segmentos, por outro, apresenta graves perigos como aqueles propostos por certas tendências culturais que tentam orientar as legislações e, por conseguinte, os comportamentos das futuras gerações. Fundado nesta falsa liberdade, tenta-se sufocar a Lei Natural e, com ela, a presença cristã nas instituições, em nome de uma “tese relativista, segundo a qual não existiria uma norma moral, radicada na própria natureza do ser humano e a cujo ditame deva submeter-se toda a concepção do homem, do bem comum e do Estado”, em favor de uma liberdade aparente, mas que, no fundo, é ditatorial.
Sim, ditatorial, pois – conforme a Nota doutrinal – “invocando, erroneamente, o valor da tolerância, pede-se a uma boa parte dos cidadãos – entre eles, aos católicos – que renunciem a contribuir para a vida social e política dos próprios Países, segundo o conceito da pessoa e do bem comum que consideram humanamente verdadeiro e justo, a realizar, através dos meios lícitos, que o ordenamento jurídico democrático põe, de forma igual, à disposição de todos os membros da comunidade política”.
Caímos, assim, nas mãos de um Estado que, embora se diga laico e, portanto, aberto à pluralidade de pensamento, é, em essência, laicista, logo, defensor de uma ideologia bem definida contrária à Religião e contra os que a professam.
Tem-se, desse modo, mais ou menos o seguinte “diálogo” do cidadão que se arvora em “liberal” para com o cidadão religioso: “Como você tem uma convicção religiosa, não pode impô-la a mim. Mas eu, que sou agnóstico ou ateu, posso impor a minha a você. Nós divergimos, mas quem tem razão sou eu, que tenho a mente livre e não atada por dogmas religiosos. Trata-se de um estranho Estado de Direito, dito democrático e pluralista, no qual somente os ateus e agnósticos têm o direito de falar e modelar as leis segundo seus princípios” (Pe. David. Francisquini. Catecismo contra o aborto. São Paulo: Artpress, 2009, p. 35).
Como se vê, tal modo de pensar, muito presente na sociedade de nossos dias, pode fazer com que o político católico seja considerado um cidadão de segunda classe por não pactuar com o laicismo reinante sob capa de “liberdade de pensamento”. Afinal, “se o cristão é obrigado a ‘admitir a legítima multiplicidade e diversidade das opções temporais’ (Concílio Vaticano II, Const. Past. Gaudium et spes, n. 76), é igualmente chamado a discordar de uma concepção do pluralismo em chave de relativismo moral, nociva à própria vida democrática, que tem necessidade de bases verdadeiras e sólidas, ou seja, de princípios éticos que, por sua natureza e função de fundamento da vida social, não são ‘negociáveis’”.
Em suma: o fiel católico sabe que nos assuntos temporais a Igreja admite muitas saídas possíveis para um mesmo problema. É o que chamamos de pluralismo de opiniões. No entanto, nenhuma dessas saídas possíveis pode chocar-se com os princípios éticos que norteiam a Doutrina Social da Igreja, cuja base está na Lei Natural Moral, compreensível pela razão a todos os homens, e, para os que creem, também na Revelação Divina, contida na Escritura e na Tradição, interpretada pelo Magistério da Igreja.
Eis, pois, um ponto complexo que merece ser aprofundado pelo povo de Deus em geral, segundo deseja a Nota doutrinal da Santa Sé.
Orani João, Cardeal Tempesta, O.Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
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