quinta-feira, 12 de maio de 2011

ADIADA VOTAÇÃO DO PROJETO DA HOMOFOBIA (MORDAÇA GAY).


Texto do Senado Federal

Uma discussão entre a senadora Marinor Brito (PSOL-PA) e o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) marcou a reunião da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado nesta quinta-feira (12). Os dois estão em lados opostos no debate sobre o projeto (PLC 122/06) que pune a discriminação a homossexuais.

A fim de que as negociações em torno do projeto avancem, a relatora, senadora Marta Suplicy (PT-SP), decidiu retirá-lo de pauta. A votação do texto na comissão estava prevista para acontecer nesta quinta. Com o projeto fora da pauta, o debate foi suspenso, mas continuou do lado de fora, no corredor das comissões, e de forma acalorada. O presidente da CDH teve de mandar fechar a porta do auditório, para que o exame de outras matérias seguisse sem perturbação.

Ao justificar a retirada da matéria, Marta disse que, no começo, assustou-se com a rejeição por parte de igrejas cristãs com relação ao projeto, mas que ao entender o temor de que ele poderia restringir as liberdades de culto e de expressão, decidiu resguardá-las em seu substitutivo. Como ainda persistem resistências ao projeto, ela se disse disposta a ouvir e prosseguir o debate.

— A sociedade está caminhando para uma maior tolerância. Esse projeto tem a ver com tolerância, respeito, cidadania — disse

O senador Magno Malta (PR-ES), contrário ao projeto, manifestou seu agrado com a retirada do projeto de pauta e a possibilidade de discussão mais aprofundada sobre a matéria.

O debate na CDH foi acompanhado por militantes dos movimentos de defesa dos direitos dos homossexuais e por representantes de entidades contrárias ao projeto. Deputados federais também estiveram presentes. Um deles, Jair Bolsonaro, tem se notabilizado por polêmica oposição ao movimentos de grupos homossexuais.

O resto do texto encontra-se no site do Senado.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Nota da CNBB sobre decisão do STF para união homoafetiva.



Nós, Bispos do Brasil em Assembleia Geral, nos dias 4 a 13 de maio, reunidos na casa da nossa Mãe, Nossa Senhora Aparecida, dirigimo-nos a todos os fiéis e pessoas de boa vontade para reafirmar o princípio da instituição familiar e esclarecer a respeito da união estável entre pessoas do mesmo sexo. Saudamos todas as famílias do nosso País e as encorajamos a viver fiel e alegremente a sua missão. Tão grande é a importância da família, que toda a sociedade tem nela a sua base vital. Por isso é possível fazer do mundo uma grande família.

A diferença sexual é originária e não mero produto de uma opção cultural. O matrimônio natural entre o homem e a mulher bem como a família monogâmica constituem um princípio fundamental do Direito Natural. As Sagradas Escrituras, por sua vez, revelam que Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança e os destinou a ser uma só carne (cf. Gn 1,27; 2,24). Assim, a família é o âmbito adequado para a plena realização humana, o desenvolvimento das diversas gerações e constitui o maior bem das pessoas.

As pessoas que sentem atração sexual exclusiva ou predominante pelo mesmo sexo são merecedoras de respeito e consideração. Repudiamos todo tipo de discriminação e violência que fere sua dignidade de pessoa humana (cf. Catecismo da Igreja Católica, nn. 2357-2358).

As uniões estáveis entre pessoas do mesmo sexo recebem agora em nosso País reconhecimento do Estado. Tais uniões não podem ser equiparadas à família, que se fundamenta no consentimento matrimonial, na complementaridade e na reciprocidade entre um homem e uma mulher, abertos à procriação e educação dos filhos. Equiparar as uniões entre pessoas do mesmo sexo à família descaracteriza a sua identidade e ameaça a estabilidade da mesma. É um fato real que a família é um recurso humano e social incomparável, além de ser também uma grande benfeitora da humanidade. Ela favorece a integração de todas as gerações, dá amparo aos doentes e idosos, socorre os desempregados e pessoas portadoras de deficiência. Portanto têm o direito de ser valorizada e protegida pelo Estado.

É atribuição do Congresso Nacional propor e votar leis, cabendo ao governo garanti-las. Preocupa-nos ver os poderes constituídos ultrapassarem os limites de sua competência, como aconteceu com a recente decisão do Supremo Tribunal Federal. Não é a primeira vez que no Brasil acontecem conflitos dessa natureza que comprometem a ética na política.

A instituição familiar corresponde ao desígnio de Deus e é tão fundamental para a pessoa que o Senhor elevou o Matrimônio à dignidade de Sacramento. Assim, motivados pelo Documento de Aparecida, propomo-nos a renovar o nosso empenho por uma Pastoral Familiar intensa e vigorosa.

Jesus Cristo Ressuscitado, fonte de Vida e Senhor da história, que nasceu, cresceu e viveu na Sagrada Família de Nazaré, pela intercessão da Virgem Maria e de São José, seu esposo, ilumine o povo brasileiro e seus governantes no compromisso pela promoção e defesa da família.

Aparecida (SP), 11 de maio de 2011

Dom Geraldo Lyrio Rocha
Presidente da CNBB
Arcebispo de Mariana – MG

Dom Luiz Soares Vieira
Vice Presidente da CNBB
Arcebispo de Manaus – AM

Dom Dimas Lara Barbosa
Secretário Geral da CNBB
Arcebispo nomeado para Campo Grande - MS

Ativistas gays aproveitam o embalo da decisão do STF para avançar criminalização da chamada “homofobia”


A Comissão de Direitos Humanos (CDH) deve votar nesta quinta-feira (12) o substitutivo que a senadora Marta Suplicy (PT-SP) fez no PLC 122, projeto que tem como objetivo criminalizar toda opinião filosófica, médica, moral e religiosa contrária à relação sexual entre homens.

O texto substitutivo sugere poupar da criminalização apenas os discursos feitos dentro do templo de igrejas. Mas a concessão especial aos religiosos está causando revolta entre os ativistas homossexuais, que veem na concessão uma mutilação da lei.

A equipe de Marta Suplicy rebate tal argumento, indicando que discursos “homofóbicos”, com exceção dos feitos em templos, “serão criminalizados” nas vias públicas, nos programas de televisão e rádio, nas revistas, jornais, etc.

O Projeto de Lei Complementar 122/2006 é de autoria da ex-deputada federal Iara Bernardi, do PT de São Paulo, e foi ardilosamente aprovado em 2006 na Câmara dos Deputados. Mas, desde que chegou ao Senado, tem enfrentado forte resistência da população, que tem feito contato com os senadores no sentido de não aprová-lo. O PLC 122 havia sido arquivado no começo deste ano, depois da derrota eleitoral de sua relatora, a ex-senadora Fátima Cleide, do PT de Rondônia, porém a senadora Marta Suplicy conseguiu desarquivá-lo e agora tenta avançar a lei que criminaliza a “homofobia”.


Ativistas homossexuais acreditam que agora é o “grande” momento de se votar o PLC 122, por causa da aprovação por unanimidade das uniões estáveis para duplas gays pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Se o Congresso relutar e fizer com o PLC 122 o que fez com o projeto de parceria civil homossexual de Marta Suplicy que estava parado desde 1995, os militantes gays esperam que o STF novamente dê um “jeitinho”. 

Fonte: http://juliosevero.blogspot.com/2011/05/plc-122-sera-votado-na-comissao-de.html

terça-feira, 10 de maio de 2011

Dom Raymundo Damasceno - Presidente da CNBB


Já há vários dias está ocorrendo a 49ª Conferência da CNBB e dentro dela já estava agendada a votação para o novo presidente da CNBB.

Ontem, portanto no dia 9 de maio de 2011, em reunião na 49ª Conferência, os bispos brasileiros elegeram o Cardeal Raymundo Damasceno, para presidir a CNBB no período 2011 - 2015.

Nas últimas décadas a CNBB tem gerado amores ou desprezo nos católicos mais atentos. Amores por parte de quem a defende como se fosse instituição infalível, coisa que não é. Desprezo devido às posições esquerdopatas que assume em diversas situações. As Campanhas da Fraternidade são outro ponto que assumem esse viés esquerdista.

A eleição de Dom Raymundo Damasceno parece querer, pelo menos tem a intenção, de mudar esse caminho rumo aos vermelhinhos, que Deus ilumine.

Em 1955 D. Raymundo Damascena entrou para o Seminário Menor na cidade de Mariana, onde cursou o segundo grau. Em 1961 foi para Roma onde cursou filosofia e, em 1965 para a Alemanha, onde acompanhou o Curso Superior de Catequese. Dom Damasceno foi ordenado padre em Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais, aos 19 de março de 1968.

Depois de ordenado sacerdote, exerceu as seguintes funções:

- Coordenador de Catequese da Arquidiocese de Brasília, de 1968 a 1970;
- Pároco da Igreja do Santíssimo Sacramento em Brasília, de 1968 a 1976 e
- Chanceler da Arquidiocese de Brasília, de 1968 a 1979.

Exerceu também as funções de Reitor do Seminário maior de Brasília.

A ordenação episcopal de Dom Damasceno aconteceu em 15 de setembro de 1986 na Catedral de Nossa Senhora Aparecida, em Brasília. Daí exerceu as funções de Bispo Auxiliar e Vigário Geral da nessa Arquidiocese, de 1986 a 2003 e Diretor do Curso Superior de Teologia para leigos da Arquidiocese de Brasília, de 1986 a 2003.

Na CNBB ocupou o cargo de Secretário-Geral, por dois mandatos, de 1995 a 1999, e de 1999 a 2003, foi membro da sua Comissão Episcopal de Pastoral para a Comunicação, Educação e Cultura; Presidente do Conselho Fiscal, de 2003 a 2006; Presidente da Comissão Episcopal da CNBB da Campanha para a Evangelização, de 2003 a 2006.

No dia 09 de maio de 2011 foi eleito com mais de 160 votos presidente da CNBB pelos próximos 4 anos (2011-2015).

Foi ainda:

- Membro da Comissão Episcopal do Departamento de Catequese do CELAM de 1987 a 1991;
- Secretário-Geral do Conselho Episcopal Latino-Americano – CELAM, de 1991 a 1995;
- Secretário-Geral da Quarta Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, em Santo Domingo, na República Dominicana, em 1992, nomeado pelo Papa João Paulo II e ainda
- Membro do Comitê Econômico do CELAM, em Bogotá, de 1995 a 1999 e
- Membro da Comissão Episcopal de Comunicação do CELAM, de 2003 a 2006.
- Suplente do Delegado da CNBB junto ao CELAM 2003-2006 e
- Delegado da CNBB na Quinta Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e Caribenho, em maio de 2007.

Na 31ª Assembléia Ordinária do CELAM, Havana, realizada em julho de 2007, foi eleito presidente daquele organismo para o quadriênio 2007-2011.

Dom Raymundo foi Padre Sinodal na 1ª Assembléia Especial para a África  do Sínodo dos Bispos, que aconteceu em Roma no mês de abril de 1994; Padre Sinodal nomeado por João Paulo II, na IX Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, em Roma, abril de 1994. Padre Sinodal Eleito pela Assembléia da CNBB e confirmado por João Paulo II na Assembléia Especial para a América  do Sínodo dos Bispos, em Roma no ano de 1997.

Participou da Conferência de Aparecida em 2007, como membro delegado pela CNBB.

Dom Raymundo foi nomeado pelo Papa Bento XVI como padre sinodal da 2ª Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos, que aconteceu em Roma no mês de outubro de 2009.

Participa, como padre sinodal nomeado pelo Papa Bento XVI da Assembleia Especial para o Oriente Médio do Sínodo dos Bispos, que acontece em Roma no mês de outubro de 2010.

No dia 20 de outubro de 2010 foi anunciada a sua criação como cardeal pelo Papa Bento XVI, no consistório de 20 de novembro. Com a eleição de Dom Raymundo Damasceno, o Brasil passa a dispor de 9 cardeais, dos quais 6 são eméritos. Passou a usar o titulus de Cardeal-padre da Imaculada em Tiburtino, da qual tomou posse no dia 3 de abril de 2011.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Bula de canonização da Santa Clara de Assis (1255).


Clara claris praeclara (1255)

1 Alexandre, bispo, servo dos servos de Deus, a todos os veneráveis irmãos arcebispos e bispos estabelecidos no reino da França: saúde e bênção apostólica.
2 Clara, preclara por seus claros méritos, clareia claramente no céu pela claridade da grande glória, e na terra pelo esplendor dos milagres sublimes.
3 Brilha aqui claramente sua estrita e elevada religião, irradia, no alto a grandeza de seu prêmio eterno, e sua virtude resplandece para os mortais com sinais magníficos.
4 A esta Clara foi dado o título do privilégio da mais alta pobreza; a ela é dada nas alturas como recompensa uma profusão inestimável de tesouros; e os católicos demonstram para com ela plena devoção e uma honra imensa.
5 Esta Clara foi distinguida aqui por suas obras fúlgidas, esta Clara é clarificada no alto pela plenitude da luz divina. E a maravilha de seus prodígios estupendos declara-a aos povos cristãos.
6 Ó Clara, dotada de tantos modos pelos títulos da claridade! Foste clara antes da tua conversão, mais clara na conversão, preclara por teu comportamento no claustro e brilhaste claríssima depois do curso da presente existência!
7 O mundo recebeu de Clara um claro espelho de exemplo: por entre os prazeres celestiais, ela oferece o lírio suave da virgindade. E na terra, sentem-se os remédios manifestos do seu auxílio.
8 Ó admirável clareza da bem-aventurada Clara, que quanto mais diligentemente é buscada em pontos particulares mais esplendidamente é encontrada em tudo.
9 Brilhou no século e resplandeceu na religião. Em casa foi luminosa como um raio, no claustro teve o clarão de um relâmpago!
10 Brilhou na vida, irradia depois da morte. Foi clara na terra e reluz no céu!
11 Como é grande a veemência de sua luz e como é veemente a iluminação de sua claridade!
12 Ficava esta luz fechada no segredo do claustro, mas emitia raios brilhantes para fora. Recolhia-se no estreito convento, e se espalhava pelo amplo mundo.
13 Guardava-se lá dentro e manava fora.
14 Pois Clara se escondia, mas sua vida se manifestava; Clara se calava, mas sua fama clamava; trancava-se na cela e era conhecida pelas cidades afora.
15 Nem é de admirar, porque uma luz tão acesa, tão luminosa não podia esconder-se, deixando de brilhar e de dar uma clara luminosidade na casa (cfr. Mt 5,14.15) do Senhor. Nem poderia fechar-se um vaso de tantos aromas, deixando de perfumar e de impregnar com suave odor a mansão do Senhor.
16 Mais, como quebrou com dureza o alabastro de seu corpo no estreito recinto da solidão, o ambiente da Igreja ficou totalmente repleto com o odor (cfr. Mt 26,7; Jo 12,3) de sua santidade.
17 De fato, quando ainda menina, no século, procurou desde a mais tenra idade atravessar por um atalho limpo este mundo frágil e imundo, guardando sempre o precioso tesouro de sua virgindade com ilibado pudor,
18 de forma que sua fama grata e louvável passou aos vizinhos e a outros, e São Francisco, ouvindo apregoar esse conceito de que gozava, começou logo a exortá-la, induzindo-a ao perfeito serviço de Cristo.
19 Ela, acolhendo logo suas santas admoestações e desejando renunciar totalmente ao mundo com todas as coisas terrenas e servir só a Deus na pobreza voluntária, cumpriu logo que pôde esse seu ardente desejo.
20 Porque, afinal, transformou todos os seus bens em esmolas e as distribuiu para ajudar os pobres (cfr. Lc 12,33; 18,22), entregando juntos a Cristo ela mesma e tudo que era seu.
21 Quando quis fugir do ruído do mundo, foi para uma igreja do campo, onde recebeu a sagrada tonsura do próprio São Francisco, e passou para uma outra. Aí seus parentes quiseram levá-la de volta, mas ela imediatamente abraçou o altar, agarrou suas toalhas e, mostrando o corte dos cabelos, resistiu com força e constância aos parentes, tomando essa atitude.
22 Porque, como já estava unida a Deus com toda a sua decisão, não podia suportar que a afastassem de seu serviço.
23 Finalmente foi levada pelo próprio São Francisco para a igreja de São Damião, fora da cidade de Assis, onde nascera. E o Senhor lhe ajuntou muitas companheiras, para o amor e o culto assíduo de seu nome.
24 Pois foi dela que recebeu salutar início a insigne e santa Ordem de São Damião, já amplamente espalhada neste mundo.
25 Foi ela que, a conselho de São Francisco, deu começo a esse novo modo de viver a santa observância.
26 Foi ela o primeiro e estável fundamento dessa grande família religiosa. Foi ela a primeira pedra dessa elevada obra.
27 De família nobre, mas ainda mais nobre pelo comportamento, ela, que já antes havia guardado a virgindade, conservou-a principalmente sob essa regra religiosa.
28 Mais tarde sua mãe, chamada Hortolana, mulher dedicada às boas obras, entrou devotamente nesta religião seguindo o exemplo da filha.
29 E aí, afinal, essa ótima hortelã, que produziu tal planta na horta do Senhor, concluiu felizmente os seus dias.
30 Depois de alguns anos, a bem-aventurada Clara, vencida pela forte insistência do próprio São Francisco, aceitou o governo do mosteiro e das irmãs.
31 Na verdade, ela foi a árvore destacada (cfr. Dn 4,8) e eminente, de ampla ramagem, que deu o doce fruto da religião no campo da Igreja, e em cuja sombra agradável e gostosa acorreram e acorrem de toda parte muitas discípulas de fé para saborear um fruto tão especial (cfr. Ct 2,3).
32 Ela foi o veio límpido do Vale de Espoleto, que proporcionou uma nova fonte de água (cfr. Est 10,6) da vida para refazer e ajudar as almas. E se espalhou em ribeiros diversos no território da Igreja, regando o plantio da religião.
33 Ela foi um elevado candelabro da santidade, brilhando com força no tabernáculo (cfr. Hb 9,2) do Senhor, e para seu enorme esplendor correram e correm tantas, querendo em sua luz acender suas lâmpadas (cfr. Mt 25,7).
34 É certo que ela plantou e cultivou no campo da fé a vinha da pobreza, da qual se colhem frutos de salvação, abundantes e ricos.
35 Ela fez no terreno da Igreja o jardim da humildade, formado pela falta de muitas coisas, em que se colhe uma grande variedade de virtudes.
36 Ela edificou nas terras da religião a fortaleza da abstinência estrita, em que se serve a refeição abundante dos pratos espirituais.
37 Ela foi a primeira entre os pobres, a comandante dos humildes, mestra dos continentes, e abadessa dos penitentes.
38 Ela governou o seu mosteiro e a família que nele lhe foi confiada, com solicitude e prudência no temor e no serviço do Senhor e na plena observância da Ordem:
39 Vigilante no cuidado, esforçada no serviço, atenta na exortação; diligente para admoestar, prestimosa para se compadecer, discreta para se calar, madura no silêncio, experimentada em todas as coisas oportunas para um perfeito governo, querendo mais prestar serviço que dominar, e mais honrar do que ser honrada.
40 Sua vida era instrução e doutrina para as outras.
41 Nesse livro da Vida (cfr. Ap 21,27), as outras aprenderam a regra do bem viver; nesse espelho da Vida, as irmãs contemplaram os caminhos da vida.
42 Pois permanecia na terra com o corpo, mas de ânimo andava pelo céu. Foi vaso da humildade, arca da castidade, ardor da caridade, doçura da bondade, força da paciência, vínculo de paz e comunhão de familiaridade. Mansa de palavra, doce nas atitudes, em tudo amável e bem aceita.
43 Para fortalecer o espírito abatendo a carne (porque todos ficam fortes quando o inimigo se enfraquece), usava como leito o solo nu e, às vezes, uns sarmentos, colocando como travesseiro embaixo da cabeça um duro tronco,
44 contente com uma só túnica e um manto de pano grosseiro, desprezado e rude.
45 Servia-se dessas roupas humildes para cobrir seu corpo, usando, às vezes, junto à carne um áspero cilício feito de cordinhas de crina de cavalo.
46 Parca também no comer e discreta no beber, freava-se com tanta abstinência nessas coisas que, por muito tempo, não provou absolutamente nada como alimento de seu corpo em três dias da semana: nas segundas, quartas e sextas-feiras.
47 E também nos outros dias se restringia tanto na limitação do alimento, que os outros se admiravam de que pudesse sobreviver com tão forte rigor.
48 Entregando-se também assiduamente a vigílias e orações, era a isso que dedicava principalmente seu tempo de dia e de noite.
49 No fim, afetada por constantes doenças, como não podia levantar-se sozinha para nenhum exercício corporal, era erguida com auxílio de suas Irmãs e, com apoios colocados nas costas, trabalhava com as próprias mãos (cfr. 1Cor 4,12) para não ser ociosa nem em suas enfermidades.
50 Foi assim que fez fazer com pano de linho desse seu esforço e trabalho muitos corporais para o sacrifício do altar, mandando-os distribuir pelas planícies e montanhas de Assis a diversas igrejas.
51 Mas como amava principalmente e cultivava com zelo a pobreza, fixou-a de tal forma em seu coração, uniu-a tanto a seus desejos, que cada vez mais firme no seu amor e mais ardente no seu abraço, nunca se afastou dessa apertada e gostosa união por necessidade alguma.
52 E jamais pôde ser levada pela persuasão de ninguém a consentir que seu mosteiro tivesse propriedades particulares, ainda que o Papa Gregório, nosso predecessor de feliz recordação, pensando piedosamente na enorme indigência de seu mosteiro tenha querido dar-lhe de boa vontade as propriedades suficientes e adequadas para o sustento de suas Irmãs.
53 Mas como não dá para suprimir um luminar grande e esplêndido, impedindo que solte seus raios de claridade, assim foi sua vida, brilhante em muitos e variados milagres pela força de sua santidade.
54 Pois devolveu a voz a uma das Irmãs do próprio mosteiro, que a perdera quase completamente havia muito tempo.
55 A outra, destituída por completo do uso da língua, deixou falando correntemente.
56 A outra abriu um ouvido surdo.
57 Curou uma que tinha febre, uma inchada pela hidropisia, uma com a chaga de uma fístula e outras oprimidas por outras doenças, fazendo sobre elas o sinal da Cruz.
58 A um frade da Ordem dos Menores curou da loucura de que padecia.
59 Pois uma vez, faltando totalmente o azeite no mosteiro, ela chamou o frade que lá estava, encarregado de pedir esmolas, tomou uma vasilha, lavou-a e colocou-a vazia junto à porta do mosteiro para que o frade a levasse para conseguir o óleo.
60 Mas quando ele foi pegá-la, encontrou-a cheia de azeite, por dom da liberalidade divina.
61 Outra vez, como não houvesse um dia no mosteiro mais do que meio pão para a refeição das Irmãs, ela mandou dividir essa metade em porções para dar às Irmãs. Aquele que “é o pão vivo” e “dá de comer aos que têm fome” (Jo 6,41; Sl 145,7),
62 multiplicou-a nas mãos da que a partia de tal forma que deu para cinqüenta porções suficientes, que foram distribuídas às Irmãs já sentadas à mesa (cfr. Lc 9,14-16).
63 Por esses e outros sinais notáveis, destacou-se, enquanto viveu, pela eminência de seus méritos.
64 Mas também quando estava nas últimas, viu-se um alvo grupo de bem-aventuradas virgens, de coroas refulgentes, em que uma se destacava com maior fulgor, entrando no aposento
65 em que a serva de Deus jazia. Foram até a sua cama e demonstraram estar cumprindo para com ela como que o dever de visitar, dando o conforto de consolação, num gesto de humanidade.
66 Depois de sua morte, levaram ao seu sepulcro um homem que vivia caindo por sofrer de epilepsia, e nem podia andar por causa de uma perna encolhida. Lá, a própria perna fez um ruído de estar quebrando-se e ele ficou livre dos dois males.
67 Nesse mesmo lugar, receberam a cura integral pessoas curvadas na cintura, de membros aleijados, tomadas de fúria e atacadas pelo mal da demência.
68 Houve um cuja mão direita, perdida para o uso por uma violenta pancada, tinha ficado inútil, pois não conseguia fazer nada, mas, pelos méritos da Santa, foi plenamente recuperada.
69 Outro, que tinha perdido a luz dos olhos por prolongada cegueira, foi levado ao sepulcro com ajuda de outra pessoa, mas ali recuperou a visão e voltou sem quem o dirigisse.
70 Esta virgem gloriosa resplandeceu por essas e muitas outras obras e milagres gloriosos, de forma que parece evidentemente cumprido o que sua mãe disse que ouviu, quando estava rezando, na gravidez em que a esperava: que haveria de gerar uma luz que iria iluminar bastante o mundo.
71 Alegre-se, então, a Mãe Igreja, que gerou e educou essa filha que, como genitora fecunda de virtudes, produziu com seus exemplos muitas discípulas da religião, formando-as para o serviço perfeito de Cristo com perfeição.
72 Alegre-se também a alegre multidão dos fiéis, porque o Rei e Senhor dos céus levou (cfr. Ct 1,3; Mt 22,1) com glória para o seu alto e preclaro palácio a sua irmã e companheira, que Ele havia escolhido como esposa.
73 Porque também as fileiras dos santos estão festejando juntas, pois, em suas habitações celestes, celebram-se as núpcias da noiva real.
74 De resto, como é conveniente que a Igreja católica venere na terra aquela que Deus exaltou no céu,
75 pois, após diligente e cuidadosa pesquisa, um exame detalhado e uma solene discussão, ficaram bem comprovados sua santidade de vida e seus milagres,
76 ainda que seus atos fossem já claramente conhecidos, tanto aqui por perto como em países afastados,
77 Nós decidimos colocá-la no álbum dos santos, com o conselho e o consentimento comum de nossos irmãos e de todos os prelados, então, presentes na Sé Apostólica, confiando na onipotência divina, por autoridade dos bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo e nossa.
78 Por isso, recomendamos e exortamos atentamente a vós todos, mandando por esta carta apostólica que celebreis com devoção e solenidade a festa desta virgem no dia 12 de agosto
79 e que a façais celebrar por vossos súditos com toda veneração, para que mereçais tê-la como piedosa e diligente ajuda diante de Deus.
80 Para que os povos cristãos acorram em multidões para venerar com maior desejo e abundância o seu sepulcro e para que sua festa se celebre com maior esplendor,
81 Nós, confiando na misericórdia do Deus todo-poderoso e na autoridade de seus bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo, dispensamos um ano e quarenta dias das penitências que tiverem sido dadas
82 a todos aqueles que verdadeiramente arrependidos e confessados forem cada ano venerar reverentemente seu sepulcro, impetrando humildemente sua intercessão, no dia da festa da virgem.
83 Dado em Anagni, no vigésimo sexto dia de setembro (de 1255), no primeiro ano de nosso pontificado.

INSTRUÇÃO SOBRE AS ORAÇÕES PARA ALCANÇAR DE DEUS A CURA.

 
Introdução

O anseio de felicidade, profundamente radicado no coração humano, esteve sempre associado ao desejo de se libertar da doença e de compreender o seu sentido, quando se a experimenta. Trata-se de um fenómeno humano que, interessando de uma maneira ou de outra todas as pessoas, encontra na Igreja particular ressonância. Esta, de facto, vê a doença como meio de união com Cristo e de purificação espiritual e, para os que lidam com a pessoa doente, como uma ocasião de praticar a caridade. Não é só isso porém; como os demais sofrimentos humanos, a doença constitui um momento privilegiado de oração, seja para pedir a graça de a receber com espírito de fé e de aceitação da vontade de Deus, seja também para implorar a cura.
A oração que implora o restabelecimento da saúde é, pois, uma experiência presente em todas as épocas da Igreja e naturalmente nos dias de hoje. Mas o que constitui um fenómeno sob certos aspectos novo é o multiplicar-se de reuniões de oração, por vezes associadas a celebrações litúrgicas, com o fim de alcançar de Deus a cura. Em certos casos, que não são poucos, apregoa-se a existência de curas alcançadas, criando assim a expectativa que o fenómeno se repita noutras reuniões do género. Em tal contexto, faz-se por vezes apelo a um suposto carisma de cura.
Essas reuniões de oração feitas para alcançar curas põem também o problema do seu justo discernimento sob o ponto de vista litúrgico, nomeadamente por parte da autoridade eclesiástica, a quem compete vigiar e dar as directivas oportunas em ordem ao correcto desenrolar das celebrações litúrgicas.
Achou-se, portanto, conveniente publicar uma Instrução, de acordo com o can. 34 do Código de Direito Canónico, que servisse sobretudo de ajuda aos Ordinários do lugar para melhor poderem orientar os fiéis neste campo, favorecendo o que nele haja de bom e corrigindo o que deva ser evitado. Era porém necessário que as disposições disciplinares tivessem como ponto de referência um fundado enquadramento doutrinal que garantisse a sua justa aplicação e esclarecesse a razão normativa. A tal fim, fez-se preceder a parte disciplinar com uma parte doutrinal sobre as graças de cura e as orações para alcançá-las.

I. ASPECTOS DOUTRINAIS
1. Doença e cura: seu significado e valor na economia da salvação
«O homem é destinado à alegria, mas todos os dias experimenta variadíssimas formas de sofrimento e de dor».(1) Por isso, o Senhor, nas suas promessas de redenção, anuncia a alegria do coração ligada à libertação dos sofrimentos (cfr. Is 30,29; 35,19; Bar 4,29). Ele é, de facto, «aquele que liberta de todos os males» (Sab 16,8). Entre os sofrimentos, os provocados pela doença são uma realidade constantemente presente na história humana, tornando-se, ao mesmo tempo, objecto do profundo desejo do homem de se libertar de todo o mal.
No Antigo Testamento, «Israel tem a experiência de que a doença está misteriosamente ligada ao pecado e ao mal».(2) Entre os castigos com que Deus ameaça o povo pela sua infidelidade, as doenças ocupam espaço de relevo (cfr. Dt 28,21-22.27-29.35). O doente que pede a Deus a cura reconhece que é justamente castigado pelos seus pecados (cfr. Sal 37; 40; 106,17-21).
A doença porém atinge também os justos e o homem interroga- se sobre o porquê. No livro de Job, essa interrogação está presente em muitas das suas páginas. «Se é verdade que o sofrimento tem um sentido de castigo, quando ligado à culpa, já não é verdade que todo o sofrimento seja consequência da culpa e tenha um carácter de punição. A figura do justo Job é uma especial prova disso no Antigo Testamento. (...) Se o Senhor permite que Job seja provado com o sofrimento, fá-lo para demostrar a sua justiça. O sofrimento tem carácter de prova».(3)
A doença, embora possa ter uma conotação positiva, como demonstração da fidelidade do justo e meio de reparar a justiça violada pelo pecado, e também como forma de levar o pecador a arrepender- se, enveredando pelo caminho da conversão, continua todavia a ser um mal. Por isso, o profeta anuncia os tempos futuros em que não haverá mais desgraças nem invalidez, e o decurso da vida nunca mais será interrompido com doenças mortais (cfr. Is 35,5-6; 65,19-20).
É todavia no Novo Testamento que encontra plena resposta a interrogação porque a doença atinge também os justos. Na actividade pública de Jesus, as suas relações com os doentes não são casuais, mas constantes. Cura a muitos deles de forma prodigiosa, tanto que essas curas milagrosas tornam-se uma característica da sua actividade: «Jesus percorria todas as cidades e aldeias, ensinando nas suas sinagogas, pregando o Evangelho do reino e curando todas as doenças e enfermidades» (Mt 9,35; cfr. 4,23). As curas são sinais da sua missão messiânica (cfr. Lc 7,20-23). Manifestam a vitória do reino de Deus sobre todas as espécies de mal e tornam-se símbolo do saneamento integral do homem, corpo e alma. Servem, de facto, para mostrar que Jesus tem o poder de perdoar os pecados (cfr. Mc 2,1- 12); são sinais dos bens salvíficos, como a cura do paralítico de Betsaida (cfr. Jo 5,2-9.19-21) e do cego de nascença (cfr. Jo 9).
Também a primeira evangelização, segundo as indicações do Novo Testamento, era acompanhada de numerosas curas prodigiosas que corroboravam o poder do anúncio evangélico. Aliás, tinha sido essa a promessa de Jesus ressuscitado, e as primeiras comunidades cristãs viam nelas que a promessa se cumpria entre eles: «Eis os milagres que acompanharão os que acreditarem: (...) quando impuserem as mãos sobre os doentes, ficarão curados» (Mc 16,17-18). A pregação de Filipe na Samaria foi acompanhada de curas milagrosas: «Filipe desceu a uma cidade da Samaria e começou a pregar o Messias àquela gente. As multidões aderiam unanimemente às palavras de Filipe, ao ouvi-las e ao ver os milagres que fazia. De muitos possessos saíam espíritos impuros, soltando enormes gritos, e numerosos paralíticos e coxos foram curados» (Actos 8,5-7). São Paulo apresenta o seu anúncio do Evangelho como sendo caracterizado por sinais e prodígios realizados com o poder do Espírito: «não ousaria falar senão do que Cristo realizou por meu intermédio, para levar os gentios à obediência da fé, pela palavra e pela acção, pelo poder dos sinais e prodígios, pelo poder do Espírito» (Rom 15,18-19; cfr. 1 Tes 1,5; 1 Cor 2,4-5). Não é por nada arbitrário supor que muitos desses sinais e prodígios, manifestação do poder divino que acompanhava a pregação, fossem curas prodigiosas. Eram prodígios que não estavam ligados exclusivamente à pessoa do Apóstolo, mas que se manifestavam também através dos fiéis: «Aquele que vos dá o Espírito e realiza milagres entre vós procede assim por cumprirdes as obras da Lei ou porque ouvistes a mensagem da fé?» (Gal 3,5).
A vitória messiânica sobre a doença, aliás como sobre outros sofrimentos humanos, não se realiza apenas eliminando-a com curas prodigiosas, mas também com o sofrimento voluntário e inocente de Cristo na sua paixão, e dando a cada homem a possibilidade de se associar à mesma. De facto, «o próprio Cristo, embora fosse sem pecado, sofreu na sua paixão penas e tormentos de toda a espécie e fez seus os sofrimentos de todos os homens: cumpria assim quanto d'Ele havia escrito o profeta Isaías (cfr. Is 53,4-5)».(4) Mais, «Na cruz de Cristo não só se realizou a Redenção através do sofrimento, mas também o próprio sofrimento humano foi redimido. (...) Realizando a Redenção mediante o sofrimento, Cristo elevou ao mesmo tempo o sofrimento humano ao nível de Redenção. Por isso, todos os homens, com o seu sofrimento, se podem tornar também participantes do sofrimento redentor de Cristo».(5)
A Igreja acolhe os doentes, não apenas como objecto da sua solicitude amorosa, mas também reconhecendo neles a chamada «a viver a sua vocação humana e cristã e a participar no crescimento do Reino de Deus com novas modalidades e mesmo mais preciosas. As palavras do apóstolo Paulo hão-de tornar-se programa e, ainda mais, a luz que faz brilhar aos seus olhos o significado de graça da sua própria situação: "Completo na minha carne o que falta à paixão de Cristo, em benefício do seu corpo que é a Igreja" (Col 1,24). Precisamente ao fazer tal descoberta, encontrou o apóstolo a alegria: "Por isso, alegro- me com os sofrimentos que suporto por vossa causa" (Col 1,24)».(6) Trata-se da alegria pascal, que é fruto do Espírito Santo. Como São Paulo, também «muitos doentes podem tornar-se veículo da "alegria do Espírito Santo em muitas tribulações" (1 Tes 1,6) e ser testemunhas da ressurreição de Jesus».(7)
 
2. O desejo da cura e a oração para alcançá-la
Salva a aceitação da vontade de Deus, o desejo que o doente sente de ser curado é bom e profundamente humano, sobretudo quando se traduz em oração confiante dirigida a Deus. O Ben-Sirá exorta a fazê-lo: «Filho, não desanimes na doença, mas reza ao Senhor e Ele curar-te-á» (Sir 38,9). Vários salmos são uma espécie de súplica de cura (cfr. Sal 6; 37; 40; 87).
Durante a actividade pública de Jesus, muitos doentes a Ele se dirigem, ou directamente ou através de seus amigos e parentes, implorando a recuperação da saúde. O Senhor acolhe esses pedidos, não se encontrando nos Evangelhos o mínimo aceno de reprovação dos mesmos. A única queixa do Senhor refere-se à eventual falta de fé: «Se posso? Tudo é possível a quem acredita» (Mc 9,23; cfr. Mc 6,5-6; Jo 4,48).
Não só é louvável a oração de todo o fiel que pede a cura, sua ou alheia, mas a própria Igreja na sua liturgia pede ao Senhor pela saúde dos enfermos. Antes de mais, tem um sacramento «destinado de modo especial a confortar os que sofrem com a doença: a Unção dos enfermos».(8) «Nele, por meio da unção e da oração dos presbíteros, a Igreja recomenda os doentes ao Senhor padecente e glorificado para que os alivie e salve».(9) Pouco antes, na bênção da óleo, a Igreja reza: «derramai a vossa santa bênção para que [o óleo] sirva a quantos forem com ele ungidos de auxílio do corpo, da alma e do espírito, para alívio de todas as dores, fraquezas e doenças»;(10) e, a seguir, nos dois primeiros formulários da oração após a Unção, pede-se mesmo a cura do enfermo.(11) A cura, uma vez que o sacramento é penhor e promessa do reino futuro, é também anúncio da ressurreição, quando «não haverá mais morte nem luto, nem gemidos nem dor, porque o mundo antigo desapareceu» (Ap 21,4). Por sua vez, o Missale Romanum contém uma Missa pro infirmis, onde, além de graças espirituais, se pede a saúde dos doentes.(12)
No De benedictionibus do Rituale Romanum existe um Ordo benedictionis infirmorum que contém diversos textos eucológicos para implorar a cura: no segundo formulário das Preces,(13) nas quatro Orationes benedictionis pro adultis,(14) nas duas Orationes benedictionis pro pueris,(15) na oração do Ritus brevior.(16)
É óbvio que o recurso à oração não exclui, antes encoraja, o emprego dos meios naturais úteis a conservar e a recuperar a saúde e, por outro lado, estimula os filhos da Igreja a cuidar dos doentes e a aliviá-los no corpo e no espírito, procurando vencer a doença. Com efeito, «reentra no próprio plano de Deus e da sua Providência que o homem lute com todas as forças contra a doença em todas as suas formas e se esforce, de todas as maneiras, por manter-se em saúde».(17)
 
3. O carisma da cura no Novo Testamento
Não só as curas prodigiosas confirmavam o poder do anúncio evangélico nos tempos apostólicos; o próprio Novo Testamento fala de uma verdadeira e própria concessão aos Apóstolos e aos outros primeiros evangelizadores de um poder de curar as enfermidades em nome de Jesus. Assim, ao enviar os Doze para a sua primeira missão, o Senhor, segundo a narração de Mateus e de Lucas, concede-lhes «o poder de expulsar os espíritos impuros e de curar todas as doenças e enfermidades» (Mt 10,1; cfr. Lc 9,1) e dá-lhes a ordem: «Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, sarai os leprosos, expulsai os demónios» (Mt 10,8). Também na primeira missão dos setenta e dois, a ordem do Senhor é: «curai os enfermos que aí houver» (Lc 10,9). O poder, portanto, é concedido dentro de um contexto missionário, não para exaltar as pessoas enviadas, mas para confirmar a sua missão.
Os Actos dos Apóstolos referem de modo genérico prodígios operados por estes: «inúmeros prodígios e milagres realizados pelos Apóstolos» (Actos 2,43; cfr. 5,12). Eram prodígios e sinais e, portanto, obras portentosas que manifestavam a verdade e a força da sua missão. Mas, além destas breves indicações genéricas, os Actos referem sobretudo curas milagrosas, realizadas pelos evangelizadores individualmente: Estêvão (cfr. Actos 6,8), Filipe (cfr. Actos 8,6-7) e sobretudo Pedro (cfr. Actos 3,1-10; 5,15; 9,33-34.40-41) e Paulo (cfr. Actos 14,3.8-10; 15,12; 19,11-12; 20,9-10; 28,8-9).
Quer a parte final do Evangelho de Marcos quer a Carta aos Gálatas, como antes se viu, alargam a perspectiva e não circunscrevem as curas prodigiosas à actividade dos Apóstolos e de alguns evangelizadores que tiveram papel de relevo na primeira missão. Neste particular contexto, são de extrema importância as referências aos «carisma de cura» (1 Cor 12,9.28.30). O significado de carisma é, por si, muito amplo: o de «dom generoso»; no caso em questão, trata-se de «dons de curas obtidas». Estas graças, no plural, são atribuídas a um único sujeito (cfr. 1 Cor 12,9) e, portanto, não se devem entender em sentido distributivo, como curas que cada um dos curados recebe para si mesmo; devem, invés, entender-se como dom concedido a uma determinada pessoa de obter graças de curas em favor de outros. É dado in uno Spiritu, sem contudo se especificar o modo como essa pessoa obtém as curas. Não seria descabido subentender que o seja através da oração, talvez acompanhada de algum gesto simbólico.
Na Carta de São Tiago, faz-se aceno a uma intervenção da Igreja, através dos presbíteros, em favor da salvação, mesmo em sentido físico, dos doentes. Não se dá, porém, a entender se se trata de curas prodigiosas: estamos num contexto diferente do dos «carismas de curas» da 1 Cor 12,9. «Algum de vós está doente? Chame os presbíteros da Igreja para que orem sobre ele, ungindo-o com o óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente e o Senhor o confortará e, se tiver pecados, ser-lhe-ão perdoados» (Tg 5,14-15). Trata-se de um acto sacramental: unção do doente com óleo e oração sobre ele, não simplesmente «por ele», como se fosse apenas uma oração de intercessão ou de súplica. Mais propriamente, trata-se de uma acção eficaz sobre o enfermo.(18) Os verbos «salvará» e «confortará» não exprimem uma acção que tenha em vista, exclusivamente ou sobretudo, a cura física, mas de certo modo incluem-na. O primeiro verbo, se bem que nas outras vezes que aparece na dita Carta se refira à salvação espiritual (cfr. 1,21; 2,14; 4,12; 5,20), é também usado no Novo Testamento no sentido de «curar» (cfr. Mt 9,21; Mc 5,28.34; 6,56; 10,52; Lc 8,48); o segundo verbo, embora assuma por vezes o sentido de «ressuscitar» (cfr. Mt 10,8; 11,5; 14,2), também é usado para indicar o gesto de «levantar» a pessoa que está acamada por causa de uma doença, curando-a de forma prodigiosa (cfr. Mt 9,5; Mc 1,31; 9,27; Actos 3,7).
 
4. As orações para alcançar de Deus a cura na Tradição
Os Padres da Igreja consideravam normal que o crente pedisse a Deus, não só a saúde da alma, mas também a do corpo. A propósito dos bens da vida, da saúde e da integridade física, Santo Agostinho escrevia: «É preciso rezar para que nos sejam conservados, quando se os tem, e que nos sejam concedidos, quando não se os tem».(19) O mesmo Padre da Igreja deixou-nos o testemunho da cura de um amigo, alcançada graças às orações de um bispo, de um sacerdote e de alguns diáconos na sua casa.(20)
A mesma orientação se encontra nos ritos litúrgicos, tanto ocidentais como orientais. Numa oração depois da Comunhão, pede-se que «este sacramento celeste nos santifique totalmente a alma e o corpo».(21) Na solene liturgia da Sexta-Feira Santa convida-se a rezar a Deus Pai todo-poderoso para que «afaste as doenças... dê saúde aos enfermos».(22) Entre os textos mais significativos, destaca-se o da bênção do óleo dos enfermos. Nele pede-se a Deus que derrame a sua santa bênção sobre o óleo, a fim de que «sirva a quantos forem com ele ungidos de auxílio do corpo, da alma e do espírito, para alívio de todas as dores, fraquezas e doenças».(23)
Não são diferentes as expressões que se lêem nos rituais orientais da Unção dos enfermos. Citamos apenas alguns dos mais significativos. No rito bizantino, durante a unção do enfermo reza-se: «Pai Santo, médico das almas e dos corpos, Vós que enviastes o vosso Filho unigénito Jesus Cristo para curar de toda a doença e libertar-nos da morte, curai também, pela graça do vosso Cristo, este vosso servo da enfermidade do corpo e do espírito que o aflige».(24) No rito copto pede-se ao Senhor que abençoe o óleo para que todos os que com ele forem ungidos possam alcançar a saúde do espírito e do corpo. Depois, durante a unção do enfermo, os sacerdotes, depois de terem mencionado Jesus Cristo, mandado ao mundo «para curar todas as enfermidades e libertar da morte», pedem a Deus «que cure o enfermo das enfermidades do corpo e lhe indique o recto caminho».(25)
 
5. O «carisma de cura» no contexto actual
No decorrer dos séculos da história da Igreja, não faltaram santos taumaturgos que realizaram curas milagrosas. O fenómeno, portanto, não estava circunscrito ao tempo apostólico. O chamado «carisma de cura», sobre o qual convém hoje dar alguns esclarecimentos doutrinais, não fazia parte porém desses fenómenos taumaturgos. O problema põe- se sobretudo com as reuniões de oração que os acompanham, organizadas no intuito de obter curas prodigiosas entre os doentes que nelas participam, ou então com as orações de cura que, com o mesmo fim, se fazem a seguir à Comunhão eucarística.
As curas ligadas aos lugares de oração (nos santuários, junto de relíquias de mártires ou de outros santos, etc.) são abundantemente testemunhadas ao longo da história da Igreja. Na antiguidade e na idade média, contribuíram para concentrar as peregrinações em determinados santuários, que se tornaram famosos também por essa razão, como o de São Martinho de Tours ou a catedral de Santiago de Compostela e tantos outros. O mesmo acontece na actualidade, como, por exemplo, há mais de um século com Lourdes. Estas curas não comportam um «carisma de cura», porque não estão ligadas a um eventual detentor de tal carisma, mas há que tê-las em conta ao procurar ajuizar, sob o ponto de vista doutrinal, as referidas reuniões de oração.
No que concerne as reuniões de oração feitas com a finalidade precisa de alcançar curas, finalidade, se não dominante, ao menos certamente influente na programação das mesmas, convém distinguir entre as que possam dar a entender um «carisma de cura», verdadeiro ou aparente, e as que nada têm a ver com esse carisma. Para que possam estar ligadas a um eventual carisma, é necessário que nelas sobressaia, como elemento determinante para a eficácia da oração, a intervenção de uma ou várias pessoas individualmente ou de uma categoria qualificada, por exemplo, os dirigentes do grupo que promove a reunião. Não havendo relação com o «carisma de cura», é óbvio que as celebrações previstas nos livros litúrgicos, se realizadas em conformidade com as normas litúrgicas, são lícitas e até muitas vezes oportunas, como é o caso da Missa pro infirmis. Quando não respeitarem as normas litúrgicas, perdem a sua legitimidade.
Nos santuários são também frequentes outras celebrações que, por si, não se destinam especificamente a implorar de Deus graças de curas, mas que nas intenções dos organizadores e dos que nelas participam têm, como parte importante da sua finalidade, a obtenção de curas. Com esse objectivo, costumam fazer-se celebrações litúrgicas, como é o caso da exposição do Santíssimo Sacramento com bênção, ou não litúrgicas, mas de piedade popular, que a Igreja encoraja, como pode ser a solene reza do Terço. Também estas celebrações são legítimas, uma vez que não se altere o seu significado autêntico. Por exemplo, não se deveria pôr em primeiro plano o desejo de alcançar a cura dos doentes, fazendo com que a exposição da Santíssima Eucaristia venha a perder a sua finalidade; esta, de facto, «leva a reconhecer nela a admirável presença de Cristo e convida à íntima união com Ele, união que atinge o auge na comunhão sacramental».(26)
O «carisma de cura» não se atribui a uma determinada categoria de fiéis. É, aliás, bem claro que São Paulo, quando se refere aos diversos carismas em 1 Cor 12, não atribui o dom dos «carismas de cura» a um grupo particular: ao dos apóstolos ou dos profetas, ao dos mestres ou dos que governam, ou a outro qualquer. A lógica que preside à sua distribuição é, invés, outra: «é um só e mesmo Espírito que faz tudo isto, distribuindo os dons a cada um conforme Lhe agrada» (1 Cor 12,11). Por conseguinte, nas reuniões de oração organizadas com o intuito de implorar curas, seria completamente arbitrário atribuir um «carisma de cura» a uma categoria de participantes, por exemplo, aos dirigentes do grupo. Dever-se-ia confiar apenas na vontade totalmente livre do Espírito Santo, que dá a alguns um especial carisma de cura para manifestar a força da graça do Ressuscitado. Há que recordar, por outro lado, que nem as orações mais intensas alcançam a cura de todas as doenças. Assim São Paulo tem de aprender do Senhor que «basta-te a minha graça, porque é na fraqueza que se manifesta todo o meu poder» (2 Cor 12,9) e que os sofrimentos que se têm de suportar podem ter o mesmo sentido do «completo na minha carne o que falta à paixão de Cristo, em benefício do seu corpo que é a Igreja» (Col 1,24).
 
II. DISPOSIÇÕES DISCIPLINARES
Art. 1 - Todo o fiel pode elevar preces a Deus para alcançar a cura. Quando estas se fazem numa igreja ou noutro lugar sagrado, convém que seja um ministro ordenado a presidi-las.
Art. 2 - As orações de cura têm a qualificação de litúrgicas, quando inseridas nos livros litúrgicos aprovados pela autoridade competente da Igreja; caso contrário, são orações não litúrgicas.
Art. 3 - § 1. As orações de cura litúrgicas celebram-se segundo o rito prescrito e com as vestes sagradas indicadas no Ordo benedictionis infirmorum do Rituale Romanum.(27)
§ 2. As Conferências Episcopais, em conformidade com quanto estabelecido nos Praenotanda, V, De aptationibus quae Conferentiae Episcoporum competunt(28) do mesmo Rituale Romanum, podem fazer as adaptações ao rito das bênçãos dos enfermos, que considerarem pastoralmente oportunas ou eventualmente necessárias, com prévia revisão da Sé Apostólica.
Art. 4 - § 1. O Bispo diocesano(29) tem o direito de emanar para a própria Igreja particular normas sobre as celebrações litúrgicas de cura, conforme o can. 838, § 4.
§ 2. Os que estão encarregados de preparar ditas celebrações litúrgicas, deverão ater-se a essas normas na realização das mesmas.
§ 3. A licença de realizar ditas celebrações tem de ser explícita, mesmo quando organizadas por Bispos ou Cardeais ou estes nelas participem. O Bispo diocesano tem o direito de negar tal licença a qualquer Bispo, sempre que houver uma razão justa e proporcionada.
Art. 5 - § 1. As orações de cura não litúrgicas realizam-se com modalidades diferentes das celebrações litúrgicas, tais como encontros de oração ou leitura da Palavra de Deus, salva sempre a vigilância do Ordinário do lugar, em conformidade com o can. 839, § 2.
§ 2. Evite-se cuidadosamente confundir estas orações livres não litúrgicas com as celebrações litúrgicas propriamente ditas.
§ 3. É necessário, além disso, que na sua execução não se chegue, sobretudo por parte de quem as orienta, a formas parecidas com o histerismo, a artificialidade, a teatralidade ou o sensacionalismo.
Art. 6 - O uso de instrumentos de comunicação social, nomeadamente a televisão, durante as orações de cura, tanto litúrgicas como não litúrgicas, é submetido à vigilância do Bispo diocesano, em conformidade com o estabelecido no can. 823 e com as normas emanadas pela Congregação para a Doutrina da Fé na Instrução de 30 de Março de 1992.(30)
Art. 7 - § 1. Mantendo-se em vigor quanto acima disposto no art. 3 e salvas as funções para os doentes previstas nos livros litúrgicos, não devem inserir-se orações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas, na celebração da Santíssima Eucaristia, dos Sacramentos e da Liturgia das Horas.
§ 2. Durante as celebrações, a que se refere o art. 1, é permitido inserir na oração universal ou «dos fiéis» intenções especiais de oração pela cura dos doentes, quando esta for nelas prevista.
Art. 8 - § 1. O ministério do exorcismo deve ser exercido na estreita dependência do Bispo diocesano e, em conformidade com o can. 1172, com a Carta da Congregação para a Doutrina da Fé de 29 de Setembro de 1985(31) e com o Rituale Romanum.(32)
§ 2. As orações de exorcismo, contidas no Rituale Romanum, devem manter-se distintas das celebrações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas.
§ 3. É absolutamente proibido inserir tais orações na celebração da Santa Missa, dos Sacramentos e da Liturgia das Horas.
Art. 9 - Os que presidem às celebrações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas, esforcem-se por manter na assembleia um clima de serena devoção, e actuem com a devida prudência, quando se verificarem curas entre os presentes. Terminada a celebração, poderão recolher, com simplicidade e precisão, os eventuais testemunhos e submeterão o facto à autoridade eclesiástica competente.
Art. 10 - A intervenção da autoridade do Bispo diocesano é obrigatória e necessária, quando se verificarem abusos nas celebrações de cura, litúrgicas ou não litúrgicas, em caso de evidente escândalo para a comunidade dos fiéis ou quando houver grave inobservância das normas litúrgicas e disciplinares.
O Sumo Pontífice João Paulo II, na Audiência concedida ao abaixo assinado Prefeito, aprovou a presente Instrução, decidida na reunião ordinária desta Congregação, e mandou que fosse publicada.
Roma, Sede da Congregação para a Doutrina da Fé, 14 de Setembro de 2000, Festa da exaltação da Santa Cruz.
+ Joseph Card. RATZINGER, 
Prefeito
+ Tarcisio BERTONE, S.D.B., 
Arc. Emérito de Vercelli, 
Secretário


(1) JOÃO PAULO II, Exortação Apostólica Christifideles laici, n. 53, AAS 81(1989), p. 498.
(2) Catecismo da Igreja Católica, n. 1502.
(3) JOÃO PAULO II, Carta Apostólica Salvifici doloris, n. 11, AAS, 76(1984), p. 12.
(4) Rituale Romanum, Ex Decreto Sacrosancti Oecumenici Concilii Vaticani II instauratum, Auctoritate Pauli PP. VI promulgatum, Ordo Unctionis Infirmorum eorumque Pastoralis Curae, Editio typica, Typis Polyglottis Vaticanis, MCMLXXII, n. 2.
(5) JOÃO PAULO II, Carta Apostólica Salvifici doloris, n. 19, AAS, 76(1984), p. 225.
(6) JOÃO PAULO II, Exortação Apostólica Christifideles laici, n. 53, AAS 81(1989), p. 499.
(7) Ibid., n. 53.
(8) Catecismo da Igreja Católica, n. 1511.
(9) Cfr. Rituale Romanum, Ordo Unctionis Infirmorum eorumque Pastoralis Curae, n. 5.
(10) Ibid., n. 75.
(11) Cfr. Ibid., n. 77.
(12) Missale Romanum, Ex Decreto Sacrosancti Oecumenici Concilii Vaticani II instauratum, Auctoritate Pauli PP. VI promulgatum, Editio typica altera, Typis Polyglottis Vaticanis, MCMLXXV, pp. 838- 839.
(13) Cfr. Rituale Romanum, Ex Decreto Sacrosancti Oecumenici Concilii Vaticani II instauratum, Auctoritate Ioannis Pauli II promulgatum, De Benedictionibus, Editio typica, Typis Polyglottis Vaticanis, MCMLXXXIV, n. 305.
(14) Cfr. Ibid., nn. 306-309.
(15) Cfr. Ibid., nn. 315-316.
(16) Cfr. Ibid., n. 319.
(17) Rituale Romanum, Ordo Unctionis Infirmorum eorumque Pastoralis Curae, n. 3.
(18) Cfr. CONCILIO DE TRENTO, sessão XIV, Doctrina de sacramento extremae unctionis, cap. 2: DS, 1696.
(19) AUGUSTINUS IPPONIENSIS, Epistulae 130, VI,13 (PL 33,499).
(20) Cfr. AUGUSTINUS IPPONIENSIS, De Civitate Dei 22, 8,3 (PL 41,762-763).
(21) Cfr. Missale Romanum, p. 563.
(22) Ibid., Oratio universalis, n. X (Pro tribulatis), p. 256.
(23) Rituale Romanum, Ordo Unctionis Infirmorum eorumque Pastoralis Curae, n. 75.
(24) GOAR J., Euchologion sive Rituale Graecorum, Venetiis 1730 (Graz 1960), n. 338.
(25) DENZINGER H., Ritus Orientalium in administrandis Sacramentis, vv. I-II, Würzburg 1863 (Graz 1961), v. II, 497-498.
(26) Rituale Romanum, Ex Decreto Sacrosancti Oecumenici Concilii Vaticani II instauratum, Auctoritate Pauli PP. VI promulgatum, De Sacra Communione et de Cultu Mysterii Eucharistici Extra Missam, Editio typica, Typis Polyglottis Vaticanis, MCMLXXIII, n. 82.
(27) Cfr. Rituale Romanum, De Benedictionibus, nn. 290-320.
(28) Ibid., n. 39.
(29) E quantos a ele são equiparados em virtude do can. 381, § 2.
(30) CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ, Instrução Il Concilio Vaticano II, Sobre alguns aspectos do uso dos instrumentos de comunicação social para a promoção da doutrina da fé, Cidade do Vaticano [1992].
(31) CONGREGATIO PRO DOCTRINA FIDEI, Epistula Inde ab aliquot annis, Ordinariis locorum missa: in mentem normae vigentes de exorcismis revocantur, 29 septembris 1985, in AAS 77(1985), pp. 1169-1170.
(32) Cfr. Rituale Romanum, Ex Decreto Sacrosancti Oecumenici Concilii Vaticani II instauratum, Auctoritate Pauli PP. VI promulgatum, De exorcismis et supplicationibus quibusdam, Editio typica, Typis Vaticanis, MIM, Praenotanda, nn. 13-19.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O STF e o julgamento sobre gays formando uma entidade familiar.


O Supremo Tribunal Federal (STF) deve resolver nesta quarta-feira (04/05/11), pelo menos é o que esperamos, uma das polêmicas sobre relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo e que interessa amplamente a nós católicos, uma vez que se trata de ataque frontal à doutrina católica e, por conseqüências a todos que se dizem cristãos não católicos também.

O STF é a mais alta Corte do país e julga questões de afronta constitucional, seja por ordem positiva concedendo a constitucionalidade ao que se questionava inconstitucional seja negativa ao declarar inconstitucional tal procedimento ou ato normativo.

Haverá hoje o julgamento de duas ações que pedem o reconhecimento da união entre gays como uma “entidade familiar”, o que significaria estender aos homossexuais todos os direitos garantidos à união estável entre homem e mulher, ou seja, fazer o que nem os Romanos, no auge de sua degradação moral fizeram. Naquele império a degradação moral foi tamanha de acabou por destruí-lo por inteiro, contudo nunca foi reconhecida a relação homossexual como igual à relação natural heterossexual. A prática homossexual era amplamente divulgada e exercitada, mas nunca se tentou reconhecer como igual ao casamento, muito menos elevar uma dupla homossexual à condição de equiparada ou igualitária à família, por acaso célula tronco da sociedade.

A análise do tema – que já começou antes do julgamento em outras instâncias da Justiça – promete um debate sobre garantia de direitos fundamentais, como igualdade, e a forma como os poderes Legislativo e Judiciário têm tratado o casamento gay.

De acordo com a Constituição Federal, “para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento”. Esquecem-se que casamento vem de casal e casal somente existe se houver um homem e uma mulher. Mas mudar os conceitos é praxe de minorias que tentam impor sua vontade, algo que vem se tornando comum principalmente após o advento de um governo com viés esquerdopata como o do PT e congêneres.

Para o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), um ex-BBB, ou seja, um exemplo para o país, defensor dos direitos dos gays, o julgamento desta quarta demonstra que o Judiciário “está mais avançado” que o Congresso Nacional na busca de garantias dos direitos dos homossexuais.

Apenas para enfatizar o que esse indivíduo vem fazendo dentro do Congresso, ele, em seu blog particular publicou várias mensagens dizendo que cristãos são doentes, homofóbicos, preconceituosos, violentos, ignorantes e fanáticos, e que ele se dedicará ainda mais a eliminar a influência do cristianismo na sociedade. O deputado enfatizou que seu mandato tem como foco a defesa dos interesses da militância gay e o combate a seus "inimigos".

Depois somos nós que os doentes. O cara nasce com órgão genital masculino e resolve que não deve usá-lo naturalmente. Prefere usar outra parte do corpo para a cópula, uma parte naturalmente e visivelmente feita com outra finalidade. Depois eu é que sou doente!

Mas voltando ao assunto, “Todas as decisões favoráveis de juízes em prol da união estável e da adoção de crianças [por parte de casais gays] mostram que o Judiciário está à frente do Legislativo no sentido de estender a cidadania ao conjunto da população. Estou muito esperançoso”, afirmou o enfermo deputado acima citado.

De outro lado, a defesa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) – que atua como parte interessada no processo – afirma que não usará argumentos religiosos, mas pretende provocar um debate técnico no STF. O debate técnico é bom e essencial, contudo a CNBB teima em buscar só o debate técnico esquecendo que a amplíssima maioria da população é cristã e a maior parte dela é católica, o que faz com que o debate religioso não possa faltar, trata-se de democracia. Não é assim que aprendemos na escola: a maioria. Então, a maioria segue preceitos religiosos e a maioria sequer se importa com questões técnicas e sequer as sabe.

Segundo o advogado da CNBB, Hugo Sarubbi Cysneiros, o reconhecimento de uniões estáveis já é tratado de forma “clara e evidente” na Constituição. “A lei diz que a família se dá pela convivência entre homem e mulher. Não há nada que ser interpretado. Não consigo conceber porque a expressão ‘homem e mulher’ tenha que ser discutida”, alegou o advogado.

A CNBB vai ao STF pedir que a lei seja mantida como está e defender que o papel de mudar a Constituição é do Congresso Nacional e não da Justiça. O pior e tudo é ainda dar ideia pra esse povo herefóbico: “O fenômeno homossexual sempre existiu e a Igreja [Católica] reconhece que é um fato e o próprio Catecismo prega o respeito a essa situação. Mas [a união entre gays] não é família, porque a Constituição diz que não é”, afirmou Cysneiros.

Aliás nem poderia ser já que se a humanidade resolver se enveredar por esse caminho ela estará extinta em uma única geração, afinal desse mato não sai cachorro, ou mais claramente falando, homem com homem dá lobisomem, mulher com mulher dá jacaré. O que não dá nunca é ser humano.