quinta-feira, 20 de maio de 2010
O Estatuto do Nascituro.
Foi um luta de anos que ainda não acabou. Tratou-se de um grande passo, mas não o último.
A sessão foi tensa devido a matéria e, obviamente, que o PT deu o contra desde já.
Outras questões devem ser avaliadas como a possibilidade que se abriu de haver aborto em caso de estupro e risco de vida para a mãe.
Vários meios de comunicação, inclusive os católicos mas gabaritados e o próprio site da Câmara, divulgaram considerações equivocadas. O sustitutivo foi votado sem modificações. Não há acordos, não há modificações. Apenas ficou claro que a Lei não modificará o artigo do Código Penal que autoriza o aborto em caso de estupro e no caso de risco de vida para a mãe, vejamos:
Art. 128 – Não se pune o Aborto praticado por médico:
Aborto Necessário
I – se não há outro meio de salvar a vida da gestante;
Aborto no Caso de Gravidez Resultante de Estupro
II – se a gravidez resulta de estupro e o Aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.
Assim, essa parte não muda.
O Movimento Brasil sem Aborto publicou um nota em seu blog explicando mais ou menos isso. Vejamos o texto no link.
Coisa importante, por outro lado, é o artigo da lei que define que a vida começa na sua concepção, algo que, a nosso ver, se houvesse coerência dentro dos nossos Poderes (os três) não precisaria nem constar pelo simples fato de que já consta no Pacto de São José da Costa Rica, cujo pacto o Brasil é signatário.
Nesse link vai um vídeo feito na votação.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Direitos iguais onde?
A sociedade divida não tem força para resolver as verdadeiras questões que deveriam ser observadas. Educação, saúde, segurança. Enquanto os guetos, facções e minorias, buscam seu minúsculo espaço, uma força política se torna maior, pela simples divisão de uma sociedade íntegra que se desmancha na pequenez de detalhes que o bom senso deveria ter a capacidade de absorver sem tanto barulho.
Direitos iguais onde? Se cada minoria tem amplos direitos em cima de uma maioria que se debate em um túmulo onde está sendo enterrada viva?
Os exemplos saltam aos olhos todos os dias. Pouco tempo atrás ninguém aceitaria certas coisas que vem acontecendo. Alguns exemplos são importantes de relatar:
- Uma senhora de amplo retrospecto político que diz relaxa e goza;
- Recentemente um ministro da saúde, entre tantas coisas, que manda as pessoas fazerem sexo, de forma explicita, da mesma forma que pergunta se você quer um cafezinho;
- Um presidente que literalmente só fala m..., dá o tom do nível que ele quer que as pessoas conversem. É contra uma evolução e uma educação de qualidade. Ele é exemplo disso;
- É mais barato para um governo dar bolsa para um povo, do que cumprir com as responsabilidades sociais que tem obrigação.
- Povo discutindo se gay pode isto ou aquilo é mais útil do que o povo pedindo melhores escolas.
- Discussão sobre cota para negro ou para pobre é muito mais interessante do que povo exigindo escola e segurança de qualidade para todos.
- Povo falando de sexo é mais útil do que cobrando saúde digna e realmente sendo dono do próprio corpo entendendo como ele funciona e mandando nele através de formação de funcionamento de métodos contraceptivos naturais.
A religião é o grande entrave disso tudo, Deus é uma força maior, e não pode ser enganado, enquanto as famílias estiverem sólidas, tudo é mais complicado.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Bento XVI. Cordeiro em meio a lobos.
Não vou discutir os casos de pedofilia, afinal, pedofilia ou assédio sexual de menores, que são coisas diferentes, diga-se de passagem, se realmente ocorreram devem ser julgados como todo e qualquer caso parecido e condenados da mesma forma que os demais. Sem privilégios.
Não é esse o foco. O foco é que é mais importante para o público a condenação da Igreja e do Papa que a vida dos que “possivelmente” sofreram com esses abusos. Ninguém quer saber desses possíveis abusados. Sejamos justos pelo menos nisso.
Com relação ao ataque ao Papa, importante perceber, também, que ele, o Papa Bento XVI, sabe exatamente que sua função, seu cargo, serve para isso mesmo. Faz parte do cargo e qualquer Papa precisa ter isso em mente. E tem. Não adianta vir falar em renúncia, seja de João Paulo II, seja de Bento XVI.
O Papa sempre foi atacado. E sempre será.
O Papa já sofreu martírios. E continuará sofrendo.
O Papa já sofreu atentados contra sua vida. E continuará sofrendo.
O Papa já foi seqüestrado. E ainda o será novamente.
O Papa já foi ameaçado. E continuará sendo.
O Papa já foi para o exílio. E acontecerá de novo.
O Papa é alvo. E para a glória de Deus continuará sendo.
Durante anos já acontece uma aparente pacificidade com relação ao Papa, isso para leigos ao catolicismo. Não é a primeira vez que o Papa á ameaçado de ser processado ou de ser inescrupuloso, ou mesmo de ser nazista. Não é a primeira vez que o Papa é acusado de ser genocida, de ser contra o sistema ou de ser um sarcástico.
Se duvidam que estudem história. Mas estudem de verdade. Não me venham com livrinhos espúrios de ensino médio ou superior que citam uns aos outros com a intenção de fazer um círculo vicioso e mentir dez vezes para tornar verdade. Quero a fonte. A raiz histórica.
Não estou aqui para acalmar os ânimos contra loucos como o Richard Dawkins. Quero que os ânimos continuem exaltados. Como o próprio Bento XVI afirma, essa tensão é imprescindível para um apurado catolicismo.
O Papa existe para os ataques externos. É nosso escudo. Mas também precisamos fazer nossa parte. Oração é indispensável. Defesa é necessidade. Ataque também é urgente.
O próprio Cristo afirmou que não seria fácil. Disse que estava enviando cordeiros em meio a lobos (São Lucas 10,3). Alguém por ai acha que é fácil ser cordeiro circundado de lobos? Se acha, então crie vergonha e não se diga católico. Se quer ser cordeiro em meio a lobos, abrace a causa de Cristo com todo o seu fervor e se lance aos lobos como os primeiros cristãos faziam questão de se lançarem aos leões.
Não é o sinal dos tempos. É apenas a promessa de Cristo sendo cumprida.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Laos: cristãos seguem detidos “até que renunciem à sua fé”
Fico pensando em quando vou ver ou ler esse tipo de notícia nos grandes jornais. Será que eles pensam que eu quero mesmo saber o que o Arruda amoçou ontem? Que esses católicos não renunciem sua fé, mesmo que isso lhes custe mais do que já lhes custou. Com certeza a recompensa será imensurável. No mais, a (in)tolerância budista tão difundida vai mostrando pra que serve.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Igualdade dos homossexuais e liberdade: a posição de Bento XVI
Sempre nos vemos discutindo e sendo alvejados por um tema recorrente: homossexualismo. Nunca entendem o que queremos dizer e nos atacam frontalmente de todas as formas. O Papa Bento XVI, no uso de suas atribuições e buscando sempre a verdade, buscou, mais uma vez, salientar o fato. Vejamos a reportagem.
Esclarecimento do porta-voz vaticano
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
O Haiti é aqui!
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Brasília. Mensalinho. Arruda. Armadura. PT. Porque?
Acabei sabendo todos os detalhes sórdidos e todas as nuances. Claro que a imprensa se esqueceu de informar que se trata de possibilidade e que as imagens não foram gravadas ontem mas em 2005. Mas isso não importa.
O que me deixa extasiado é que trata-se de uma espécie de crime já bastante conhecido do povo brasileiro e que foi "tipificado" como mensalão. Existe a forma diminutiva chamada mensalinho, mas que não parece ser atenuante mas apenas está em um outro grau da administração que não o legislativo federal. Bom, pelo menos foi isso que entendi. Para os que procuram um tema para escrever um livro eis minha sugestão: escrevam um dicionário do que a imprensa queria dizer com essa ou aquela expressão.
Mas voltando ao assunto, alguém se lembra quem inaugurou esse tipo de crime? Pois é, eu me lembro! E me lembro também que o presidente da República na época não respondeu por nada, simplesmente porque não sabia de nada. Será que Arruda também não sabia? Bom, ele tem um agravante que é a filmagem. Mas e daí? Onde está a armadura em volta de Arruda? Será que só o PT tem direito?
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Formação. Ligação coma Igreja. Distância. Morte através da política.
Alguns anos trabalhando com formação católica, cheguei a uma conclusão: aprendi que não posso e não tenho que divulgar minhas verdades e que essas certezas que tenho vão se rachando a cada linha ensinada pela Igreja.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
12 razões para o crucifixo na escola e para a liberdade.
Lendo meus e-mails ontem, vi que tinha no informativo do ZENIT com o mesmo título e ali algo que me interessava. Todos sabem que no Tribunal Europeu para os Direitos Humanos a luta tem sido dura com relação entendimentos do vem a ser liberdade religiosa e a conseqüente retirada dos crucifixos das salas de aula das escolas italianas.
“Eliminar à força o símbolo da cruz é uma violação, como seria obrigar os ateus a pendurarem este símbolo.”
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Liberdade religiosa retrocede no Ocidente
Por Inma Álvarez
BUENOS AIRES, terça-feira, 3 de novembro de 2009 (ZENIT.org).- A liberdade religiosa retrocede no mundo, especialmente no Ocidente, segundo o presbítero Pedro María Reyes Vizcaíno, autor de e-libertadreligiosa.net, um site que recolhe notícias e reflexões do mundo inteiro sobre esta questão.
Reyes Vizcaíno é licenciado
Além de sua atividade como canonista, ele se dedica a pesquisar sobre a liberdade religiosa “por interesse pessoal”, um campo que, em sua opinião, requer maior atenção por parte da opinião pública. Assim explica ele nesta entrevista concedida à Zenit.
-Em termos gerais, você diria que a liberdade religiosa está retrocedendo no mundo? Que fatores estariam levando a isso?
Pedro Reyes: Parece claro que nas últimas décadas estamos assistindo a um retrocesso da liberdade religiosa no mundo. Como exemplo, estão as perseguições contra os cristãos, que às vezes são violentíssimas, com mortes e expulsões de territórios.
O século XX foi chamado de século dos mártires. Por ocasião do grande jubileu do ano
Desde 2000, não parece que as perseguições diminuíram. Em outubro de
No entanto, existem outros atentados à liberdade religiosa, mais solapados, ainda que não sejam violentos, e ocorrem na Europa Ocidental. Nesta região do mundo, está sendo difundida uma doutrina laicista radical que pretende desterrar a fé cristã – ou qualquer outra crença religiosa – da vida pública. Em nome do laicismo, tenta-se proibir qualquer manifestação pública da fé. Expulsam-se os crucifixos de lugares públicos, proíbem-se celebrações religiosas nas ruas, ou o que é pior: censura-se a opinião dos bispos com o único argumento de que é um bispo.
Chegou-se a limites que parecem ridículos, como a denúncia na FIFA contra a seleção brasileira, em julho deste ano, porque, depois de ganhar o troféu, os jogadores fizeram uma oração de ação de graças a Deus. Ou a tentativa, na Catalunha, de trocar o nome das férias de Natal ou de Semana Santa por férias de inverno ou outono, neste curso acadêmico.
-Após a queda do Muro de Berlim e a liberdade recobrada nos países do Leste, especialmente a liberdade religiosa, parecia que o sistema de liberdades do Ocidente estava se consolidando. Não é assim?
Pedro Reyes: Efetivamente, em 1989, o mundo inteiro – e a Europa em particular – parecia acordar de um pesadelo e amanhecia para uma nova era de liberdade e de paz. Tive a sorte de morar em Roma naquele ano e lembro com emoção da passagem de Gorbatchov pela Via della Conciliazione rumo ao Vaticano, para ter uma entrevista com João Paulo II pela primeira vez. Lá estávamos nós, centenas de pessoas, leigos, sacerdotes, frades e freiras aplaudindo o líder da União Soviética como um libertador. Quem teria pensado nisso um ou dois anos antes?
O que ocorreu na Europa Oriental é um exemplo de que nem tudo foi negativo nas últimas décadas. Naqueles países havia milhões de cristãos que viviam na Igreja das catacumbas e agora podem praticar sua fé à luz do dia. Mas ainda há um desafio pela frente, que consiste em conjugar a liberdade religiosa com o desenvolvimento completo da pessoa, sem cair, por exemplo, no laicismo, como está acontecendo nos demais países da cultura ocidental.
-De onde surge politicamente o laicismo atual? O que ele pretende? Por que uma das suas exigências fundamentais, em todos os lugares onde triunfa, são os chamados “direitos sexuais e reprodutivos”?
Pedro Reyes: O laicismo positivo realmente tem raízes cristãs. Em uma época tão antiga, como no ano de 494, o Papa Gelásio I dizia na carta ao imperador Atanásio I que existem “dois poderes pelos quais este mundo é particularmente governado: a sagrada autoridade dos papas e o poder real”. E lhe recordava que, assim como o imperador deve obedecer os sacerdotes em questões espirituais, “em assuntos que se referem à administração da disciplina pública, os bispos da Igreja, sabendo que o império lhe foi outorgado pela disposição divina, obedecem as suas leis, para que não pareça que há opiniões contrárias em questões puramente materiais”.
Outro assunto é a origem do laicismo radical que agora se estende pelo mundo. Suas raízes devem se encontrar na Ilustração e na Revolução francesa, que considerou o catolicismo como um inimigo e pretendeu reorganizar a Igreja Católica e inclusive exigiu dos sacerdotes um juramento de fidelidade à nova organização.
Desde então, de uma forma ou de outra, os poderes públicos tiveram muitas vezes a tentação de intervir nos assuntos da Igreja Católica. Parece que um dos grandes desejos dos laicistas radicais é dizer à Igreja o que se deve pregar nos sermões, como se as homilias ou as doutrinas religiosas devessem ser aprovadas antes nos parlamentos. É interessante que aqueles que se escandalizam por um bispo que critica uma lei o fazem em nome da plena autonomia do Estado e da Igreja. Não suportam que uma confissão considere certas condutas como pecado.
A insistência nos chamados direitos reprodutivos e sexuais procede das correntes que saíram à luz na revolução de maio de 1968, o Maio Francês. Desde então, pretende-se introduzir estes conceitos no tráfico jurídico. Para esse momento, estava completo o quadro de declarações internacionais de direitos humanos, com a Declaração Universal aprovada pelas Nações Unidas em 1948. Os promotores destes supostos direitos estão tentando redefinir o conteúdo dos direitos humanos de acordo com seu preconceito.
Do ponto de vista da liberdade religiosa, parece claro que é uma falácia que se tente limitar a liberdade dos crentes de expressar suas convicções em assuntos de moral (que é um direito reconhecido pelo artigo 18 da Declaração Universal dos Direitos Humanos e por todos os tratados internacionais na matéria) para tutelar um direito que nem sequer está reconhecido.
-Que peso teve na Igreja o decreto conciliar da liberdade religiosa? Será que ele preparou a Igreja para os tempos atuais?
Pedro Reyes: Acho que a melhor resposta foi a dada por Joseph Ratzinger em 1965. Naquele ano, ele afirmou: “Tempos virão em que o debate sobre a liberdade religiosa será contado entre os acontecimentos mais relevantes do Concílio (...). Neste debate, estava presente na basílica de São Pedro o que chamamos de o fim da Idade Média, e mais ainda, da era constantiniana. Poucas coisas dos últimos 150 anos inferiram à Igreja tão ingente dano como a persistência em posições próprias de uma Igreja estatal, deixada atrás pelo curso da história” (Joseph Ratzinger, Resultados e perspectivas na Igreja conciliar, Buenos Aires 1965).
Ainda não há perspectiva histórica para advertir a importância do decreto Dignitatis humanae sobre a liberdade religiosa. Mas desejamos que tenha tanta transcendência como se augura. Se as expectativas forem cumpridas, poderemos dizer que com este decreto se inaugurou uma nova etapa nas relações entre a Igreja e o Estado, baseadas no respeito mútuo e na autonomia de ambas as realidades.
Penso que a Dignitatis Humanae contém, na verdade, um desafio para os católicos. De fato, este documento conciliar, além de declarar a imunidade de coação em matéria de liberdade religiosa, também proclama a obrigatoriedade de cada homem de seguir os ditados da sua consciência.
Desde o momento em que os cristãos têm o dever de transformar as estruturas da sociedade de forma cristã – tarefa peculiar dos fiéis leigos –, estaria fora de lugar delegar esta tarefa a uma instituição política, seja o Estado ou qualquer outra. Os Estados devem respeitar a lei natural, mas são os fiéis cristãos que devem conseguir que a sociedade seja cada dia mais cristã.
-Quais são as agressões mais frequentes à liberdade religiosa?
Pedro Reyes: Em um primeiro momento, devem ser citados os atentados violentos à liberdade religiosa. Nos países de tradição muçulmana, a liberdade religiosa está ausente
Em quase todos os demais países muçulmanos, por pressão de grupos islâmicos radicais, estão sendo aprovadas leis muito restritivas da liberdade religiosa. No Paquistão, existem leis antiblasfêmia que deixam os cristãos indefesos diante de qualquer acusação; na Argélia e no Egito, existem leis anticonversão; no Iraque, estão sendo expulsos do país; em Marrocos, expulsaram um grupo de cristãos evangélicos pelo delito de “proselitismo religioso” etc.
Na Índia, os não-hindus cada vez têm mais dificuldade de desenvolver-se. Vários Estados aprovaram leis anticonversão e – o que é mais grave –, no verão de 2008, grupos hindus radicais lançaram uma violenta perseguição contra os cristãos no Estado de Orissa, que deixou mais de 500 mortos, segundo algumas fontes. É chamativo que estes fatos quase não sejam divulgados na mídia ocidental.
Na China, existe atualmente uma Igreja das catacumbas, que é a Igreja Católica fiel a Roma, que não aceita os bispos impostos pelo regime. Além disso, é conhecido que nesse país os budistas do Tibet têm a liberdade de culto muito restrita.
Há outro âmbito em que se assistiu a um retrocesso na liberdade religiosa e é nos países ocidentais. Como já foi indicado, neles está se difundindo certa mentalidade laicista que é contrária à liberdade religiosa.
Não me refiro ao laicismo sadio que propugna a separação da Igreja e do Estado sem mútuas ingerências e com relação às suas respectivas funções na sociedade, o que me parece elogiável. Como disse Bento XVI, “é fundamental, por um lado, insistir sobre a distinção entre o âmbito político e o religioso, para tutelar quer a liberdade religiosa dos cidadãos quer a responsabilidade do Estado em relação a eles, e, por outro, conscientizar-se mais claramente da função insubstituível da religião na formação das consciências e da contribuição que a mesma pode dar, juntamente com outras instâncias, para a criação de um consenso ético fundamental na sociedade” (Bento XVI, Discurso diante das autoridades do Estado no Palácio Eliseu em Paris, 14 de setembro de 2008).
O laicismo radical, que é contrário à liberdade religiosa, pretende reduzir a fé religiosa ao âmbito privado, como se a fé não tivesse manifestações externas. Nos países ocidentais, vemos exemplos desse laicismo todos os dias; por exemplo, quando se critica os bispos porque dão orientações aos católicos sobre leis do aborto ou de casamentos homossexuais (como se houvesse leis que proibissem os bispos, e somente eles, de opinar sobre as leis), ou quando se pede aos cidadãos ou aos deputados que votem com independência de suas crenças.
Segundo o Papa, “não se pode limitar a plena garantia da liberdade religiosa ao livre exercício do culto, mas é preciso levar em consideração a dimensão pública da religião e, portanto, a possibilidade de que os crentes contribuam para a construção da ordem social” (Bento XVI, Discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, 18 de abril de 2008).
-Falando concretamente sobre a nova lei de liberdade religiosa na Espanha, que os católicos olham em geral com receio, em que vai mudar as coisas?
Pedro Reyes: Realmente, é difícil julgar a intenção do governo ao anunciar esta nova lei, pois ele o fez há mais de um ano e ainda não se conhece o projeto. Unicamente conhecemos certas declarações vagas da vice-presidente do governo, María Teresa Fernández de la Vega, afirmando que garantirá melhor o exercício deste direito ou que promoverá a sã laicidade do Estado. Estas declarações são o suficientemente ambíguas como para que não seja possível emitir um juízo.
Só revelou um ponto concreto, e é que a nova lei pretende retirar todos os símbolos religiosos que existam nos colégios e institutos públicos, com exceção daqueles que tenham valor histórico ou artístico. Considero esta medida uma discriminação contra os cristãos, mas não é uma grande mudança. Suponho que o projeto de lei que o governo está preparando terá reformas mais importantes.
A reforma prevista da Lei Orgânica de Liberdade Religiosa de 1980 deverá ter em conta em todo caso a Constituição Espanhola de 1978, que em seu artigo 16 “garante a liberdade ideológica, religiosa e de culto dos indivíduos e das comunidades sem mais limitação, em suas manifestações” e ordena aos poderes públicos ter em conta as crenças religiosas da sociedade espanhola e manter as conseguintes relações de cooperação com a Igreja Católica e as demais confissões.
Se o Governo, com a nova lei, realmente pretendesse desenvolver a Constituição de acordo com as exigências atuais e à luz da Declaração Universal dos Direitos Humanos, promoveria o laicismo sadio e limitaria o laicismo radical. Desejo que seja assim, mas teremos de esperar a que se apresente o projeto para emitir uma opinião.
-Parece que na América Latina avança um laicismo cada vez mais agressivo, especialmente na Venezuela, Colômbia... Quais as causas?
Pedro Reyes: Na América Latina se desenvolvem tendências intelectuais procedentes de outros continentes, sobretudo da Europa Ocidental. Em termos gerais, o laicismo da América Latina pretende expulsar a Igreja Católica do âmbito público, como no resto do mundo. No entanto, em cada país tem seus matizes, consequência da peculiar história de cada nação. Não é o mesmo laicismo do Uruguai –que funde raízes na fundação da República– o da Costa Rica, que proclama a religião católica como oficial no artigo 75 da Constituição.
O laicismo da América Latina também tem fontes próprias derivadas do indigenismo. Cada vez se aprecia mais o legado cultural dos povos originários da América, e por isso se tende a rechaçar qualquer intervenção cultural vinda de culturas exteriores, particularmente das nações colonizadoras. Os indigenistas mais radicais incluem entre elas o legado da evangelização.
Surpreende que os mesmos grupos que rechaçam a Igreja Católica por não pertencer ao legado dos povos históricos aceitem sem nenhum espírito crítico os valores que agora se difundem desde a Europa como a anticoncepção, o aborto, etc., apesar de que com estas doutrinas está-se produzindo uma autêntica colonização cultural.
-De onde partiu sua ideia de fazer um site sobre liberdade religiosa?
Pedro Reyes: Comecei esta página web em primeiro lugar como uma contribuição para lutar contra o laicismo radical, posto que cada vez é mais agressivo. Também pensei que seria uma oportunidade de ajudar tantos irmãos na fé que atualmente estão sofrendo violência por sua fé e o suportam com grande fidelidade a Cristo. Pensei que uma boa ajuda era difundir na opinião pública estes ataques violentos.
Depois destes anos me dei conta de que esta motivação, que a tinha em segundo lugar, é cada vez mais urgente. Deus quer que em breve o site se faça desnecessário, pelo fato de se terem cessado as violências por causa da fé.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
A DIGNIDADE DO SACERDOTE
I. Idéia da dignidade sacerdotal
Diz Santo Inácio, mártir, que a dignidade sacerdotal tem a supremacia entre todas as dignidades criadas. Santo Efrém exclama: “É um prodígio espantoso a dignidade do sacerdócio, é grande, imensa, infinita". Segundo São João Crisóstomo, o sacerdócio, embora se exerça na terra, deve ser contado no número das coisas celestes. Citando Santo Agostinho, diz Bartolomeu Chassing que o sacerdote, alevantado acima de todos os poderes da terra e de todas as grandezas do Céu, só é inferior a Deus. E Inocêncio III assegura que o sacerdote está colocado entre Deus e o homem; é inferior a Deus, mas maior que o homem.
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Segundo São Dionísio, o sacerdócio é uma dignidade angélica, ou antes divina; por isso chama ao padre um homem divino. Numa palavra, concluí Sto. Efrém, a dignidade sacerdotal sobreleva a tudo quanto se pode conceber.
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Basta saber-se que, no dizer do próprio Jesus Cristo, os padres devem ser tratados como a sua pessoa: “ Quem vos escuta, a mim escuta; e quem vos despreza, a mim despreza” . Foi o que fez dizer ao autor da Obra imperfeita: "Honrar o sacerdote de Cristo, é honrar o Cristo; e fazer injúria ao sacerdote de Cristo, é fazê-la a Cristo”. Considerando a dignidade dos sacerdotes, Maria D’oignies beijava a terra em que eles punham os pés...
Muito interessante e importante porque diversas vezes não é bem isso o que vemos. Frequentemente pessoas da nossa Igreja apenas sabem criticar e denegrir a dignadade do sacerdote e até mesmo nós, de vez em quando fazemos isso, quando só deveríamos orar muito por eles.
No Livro: O Diálogo, de Santa Catarina de Sena, Deus Pai, diz a ela durante seus êxtases: "Se os ministros meditassem sobre a própria dignidade, não viveriam em pecado mortal, não manchariam sua alma. Se eles não me ofendessem, se não pecassem contra a própria dignidade, se entregassem até o corpo para ser queimado, mesmo assim não me agradeceriam suficientemente pelo dom que receberam. Neste mundo é impossível uma dignidade maior. São ungidos meus, meus cristos...Nem os anjos possuem dignidade igual a esta concedida aos homens na pessoa dos sacerdotes..." (Ed. Paulus, 8ª edição, 2004, pp. 235 e 236)
Ainda na mesma obra: "A respeito deles diz a Escritura: 'Não toqueis nos meus cristos' (Sl 105,15). Quem os punir cairá na maior infelicidade. Se me perguntares por que a culpa dos perseguidores da santa Igreja é a maior de todas e, ainda, por que não se deve ter menor respeito pelos meus ministros por causa de seus defeitos, respondo-te: porque em virtude do sangue por eles ministrados, toda reverência feita a eles, na realidade não atinge a eles, mas a mim...Quem vos obriga a respeitá-los é o ministério do sangue...” p. 239
"Quando desejais receber os sacramentos, procurais meus ministros; não por eles mesmos, mas pelo poder que lhes dei. Se recusais fazê-lo em caso de possibilidade, estais em perigo de condenação. A reverência é dada a mim e a meu Filho encarnado, que somos uma só coisa pela união da natureza divina com a humana. Mas também o desrespeito. Afirmo-te que devem ser respeitados pela autoridade que lhes dei, e por isso não podem ser ofendidos. Quem os ofende, a mim ofende. Disto a proibição: 'Não quero que mãos humanas toquem nos meus cristos!'
Nem poderá alguém escusar-se, dizendo: 'Eu não ofendo a santa Igreja, nem me revolto contra ela; apenas sou contra os defeitos dos maus pastores'! Tal pessoa mente sobre a própria cabeça...injúria ou ato de reverência dirigem-se a mim. Qualquer injúria: caçoadas, traições, afrontas. Já disse e repito: não quero que meus cristos sejam ofendidos. Somente eu devo puni-los, não outros." p. 239
E prossegue o assunto, explicando a Catarina de Sena o por quê de ser tão grave perseguir os sacerdotes. Mesmo que eles estejam errados, como por exemplo os envolvidos nas questões de pedofilia, que é público e notório, nosso dever é rezar por eles para que se convertam e nada mais.
Não se trata aqui de por panos quentes sobre os erros dos sacerdotes. Nada disso. Trata-se de entender que a dignidade dos sacerdotes está acima da nossa por sua própria situação. Eles não deixaram de serem homens, humanos. Possuem erros e muitos erros e devem saber que a quem muito é dado, muito será cobrado. Se a eles foi concedido serem sacerdotes é porque esse era o meio mais próximo da salvação para eles. Deus não concede nada a ninguém sabendo que essa concessão pode levar à perdição, ou seja, Deus não lhe permitiria ser sacerdote se não soubesse de sua capacidade e possibilidade de dignificar essa dignidade.
Os erros deles serão respondidos por eles perante Deus. Seus erros terrenos, se assim a lei determinar e for uma lei que segue, ou pelo menos tenta seguir os preceitos divinos, esses erros devem ser pagos conforme a sociedade assim determina, nada mais nada menos. Sua dignidade não é menor por isso.
A nós cabe mostrar seus erros, contudo com o devido respeito e reverência. Mostrar os erros não se trata de desrespeito. A forma de mostrar o erro é que pode fazer toda a diferença. Apontar o dedo e dizer “você está errado” não é a forma correta de corrigir um erro de quem quer que seja, quanto mais de um sacerdote. Corrigir um erro com uma correção fraterna é o que podemos fazer, além, claro, de rezar muito por eles.
O ano sacerdotal vem nos lembrar isso. Que os sacerdotes são dignos e deles muito é cobrado, tanto pelos homens quanto por Deus, mas que são humanos e erram e precisam muito de oração e ajuda nos momentos difíceis. Sua dignidade é intocável, mas seus erros existem. Não é fácil para nós fazer essa divisão entre a correção e o ataque puro e simples. Mas quem disse que ser católico é fácil? Quem disse que a porta é larga?
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Anglicanos de volta ao Catolicismo.
VATICANO, 20 Out. 09 / 11:57 am (ACI).- Autoridades vaticanas anunciaram esta manhã a próxima publicação de uma Constituição Apostólica para responder aos “numerosos” pedidos de clérigos e fiéis anglicanos que desejam ingressar na Igreja Católica em comunhão plena.
Finalmente, recordou que “nossa comunhão se reforçou por diversidades legítimas como estas, e estamos contentes de que estes homens e mulheres ofereçam suas contribuições particulares a nossa vida de fé comum”.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Buscar a santificação é coisa diária.
Engraçado como as pessoas entendem a santidade. Esses dias falávamos aqui mesmo sobre quem é o típico religioso. Discorremos que a Igreja não é para os santos, esses estão prontos, a Igreja é para os pecadores. Não é para os bonzinhos, mas especificamente para os mauzinhos, pois assim se redimiriam dos seus erros.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
"E vós, quem dizeis que Eu sou" Monsenhor João S. Clá Dias
"E vós, quem dizeis que Eu sou". Reconhecer a Jesus Cristo como filho de Deus significa aceitar não somente suas glórias, mas todo o seu sofrimento em favor da humanidade. Como diz Mons. João S. Clá Dias, nesta homilia, “A fé se prova pela aceitação resignada dos dramas da vida”.
Não há nada como ouvir uma homilia dentro da ortoxia em meio a tanta coisa estranha que se é obrigado a ouvir e ver por ai. Recomendo vivamente essa pequena homilia que parece algo muito próximo de todos nós, mas ao mesmo tempo tão distante.quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Epidemiologista francês respalda Papa sobre preservativo.
PARIS, terça-feira, 15 de setembro de 2009 (ZENIT.org).- Para René Ecochard, professor de medicina, epidemiologista, chefe do serviço de bioestatística do Centro Hospitalar Universitário de Lyon, "as palavras de Bento XVI sobre o preservativo são simplesmente realistas".
Este é, de fato, o título de um documento que assinou em abril passado, após a viagem pontifícia à África (de 17 a 23 de março) e a polêmica lançada por meios de comunicação ocidentais sobre as declarações do Papa sobre o preservativo.
Entrevistado pelo jornal francês La Manche Libre, o professor Ecochard lamentou "a falta de realismo" que se dá "nesta questão que é prisioneira da ideologia". Parece algo como "se a opinião perdesse seus pontos de referência quando enfrenta as questões da sexualidade e da família".
René Ecochard considera que "se deu um erro de compreensão na opinião pública". "As pessoas acreditaram que o Papa falava da eficácia do plástico, do preservativo, quando na realidade falava das campanhas de difusão do preservativo. Isto é muito diferente".
"Da mesma forma que todo objeto tecnológico de prevenção, o preservativo tem uma eficácia quantificada", afirma. Mas, "o problema não está aí: todos os epidemiologistas concordam hoje em afirmar que as campanhas de difusão, nos países em que a proporção das pessoas afetadas é muito elevada, não funcionam".
"Se o preservativo funciona quatro de cada cinco vezes", isto pode ser suficiente "quando a Aids não está estendida". "Mas em um país em que 25% dos jovens de 25 anos estão afetados (Quênia, Malaui, Uganda, Zâmbia), isto não é suficiente". "O fracasso desta forma de prevenção é uma realidade epidemiológica".
"Rodeado de especialistas, bem informado pela Academia de Ciências de Roma, o Papa dominava perfeitamente esta questão antes de ir para a África", acrescenta.
Na entrevista, René Ecochard se detém em particular sobre o caso de Uganda, o único país "em que o número dos enfermos foi dividido por três na idade de 25 anos". "Além da campanha sobre o preservativo, este país realizou uma ampla campanha baseada no tríptico ABC (abstinência, fidelidade, castidade ou preservativo)".
"O casal presidencial, os grupos religiosos, as escolas, as empresas... todo mundo apoiou esta campanha, freando a Aids, que será combatida se cada um buscar ter atitudes sexuais conformes às tradições familiares", explicou.
"Pode ser que não seja fácil reproduzir isto de um país ao outro, mas hoje, é a única esperança", acrescenta o epidemiologista francês.
Hoje, "mais de 60% dos cientistas estão a favor das campanhas ABC", declarou, recordando que é a política adotada por ONUSIDA.