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sexta-feira, 23 de agosto de 2024

As Raízes e Desenvolvimento Histórico da Doutrina Social da Igreja

 Introdução

Em uma brevíssima introdução sobre o tema, a Doutrina Social da Igreja (DSI) pode ser conceituada como o corpo de ensinamentos da Igreja Católica que aborda questões sociais, econômicas e políticas à luz do Evangelho, da doutrina e da tradição católica. Seu desenvolvimento histórico reflete a resposta da Igreja aos desafios sociais de diferentes épocas, sendo profundamente enraizada nas Escrituras, nos ensinamentos dos Padres da Igreja e no desenvolvimento da tradição teológica e filosófica ao longo dos séculos.

Podemos até mesmo dizer que se trata de uma bússola sempre atual para uma visão sem as distorções e sem as manipulações que a política, a mídia e os interesses momentâneos e metassociais tem. É uma visão sem turvês, as obscuridades daquelas inserções apaixonadas e ideológicas das políticas em todos os níveis e globalmente inspiradas.

 

1. As Raízes Bíblicas e Patrísticas.

As raízes da DSI estão firmemente plantadas na Bíblia. Assim o é desde o início. O Antigo Testamento já apresenta a preocupação com a justiça social, a dignidade humana, e o cuidado com os pobres e oprimidos. Textos como o Êxodo, os Profetas e os Salmos destacam a importância da justiça, da caridade e da proteção dos vulneráveis. Infelizmente essas pautas, que sempre foram católicas, acabaram sendo furtadas por diversos movimentos que as tem como suas, tendo uma visão distorcida de humanidade uma vez que são pautas de interesse da humanidade e não de grupos específicos com ideologias políticas específicas.

No Novo Testamento, Jesus vem para expandir e aprofundar essa mensagem, particularmente no Sermão da Montanha, quando ensina a importância do amor ao próximo, da misericórdia e da justiça. O Sermão da Montanha é uma base muito profunda para a DSI. As parábolas de Jesus, como a do Bom Samaritano, ilustram a necessidade de agir em favor dos outros, especialmente dos marginalizados.

Os Padres da Igreja, como Santo Agostinho e São João Crisóstomo, também foram fundamentais na formação da DSI, ao refletirem sobre a relação entre fé e sociedade, e a aplicação dos princípios cristãos às questões econômicas e sociais de suas épocas.

Lembre-se, é claro, que falavam sobre esse assunto, aprofundavam esse tema, debatiam essas teses, mas não havia nada “batizado” com o nome de DSI.

 

2. A Idade Média e a Escolástica

Durante a Idade Média, o pensamento social da Igreja foi amplamente influenciado pela filosofia escolástica, particularmente por São Tomás de Aquino. O Santo Angélico, em sua obra "Suma Teológica", desenvolve uma visão integrada da justiça, tanto distributiva quanto comutativa, e da caridade como virtude central na vida social.

Neste período, a Igreja também começa a formular teorias mais detalhadas sobre o direito natural, a propriedade privada, e o papel do Estado, sempre enfatizando a necessidade de que todas as instituições e práticas sociais respeitem a dignidade humana e promovam o bem comum. Tal desenvolvimento foi essencial para que, séculos depois, A DSI tomasse a forma que tomou.

 

3. A Era Moderna e o Surgimento dos Desafios Sociais

Com o advento da era moderna, a sociedade europeia passou por profundas transformações, marcadas pela Revolução Industrial, o surgimento do capitalismo e do socialismo tentando se antagonizar, e a urbanização acelerada. Estes processos trouxeram consigo novos problemas sociais, como a exploração do trabalho, a concentração de riqueza, e a pobreza urbana em massa. Trouxeram também, não só os problemas, mas amplas discussões sobre esses problemas e possíveis soluções que foram se tornando teses cada vez mais profundas e as vezes extremadas umas das outras.

A resposta inicial da Igreja a esses desafios foi fragmentada, com diferentes vozes dentro da Igreja abordando questões sociais em seus contextos específicos. No entanto, a necessidade de uma abordagem mais sistemática e global tornou-se evidente à medida que os problemas sociais se agravavam. A Igreja precisava engajar nessa discussão temporal.

 

4. O Magistério Social e a Encíclica Rerum Novarum

O ponto de partida oficial da DSI como corpo de ensinamentos foi a encíclica Rerum Novarum, publicada pelo Papa Leão XIII em 1891. Esta encíclica responde diretamente aos problemas da classe trabalhadora e ao crescente conflito entre capital e trabalho, debate efervescente na época. Leão XIII defende os direitos dos trabalhadores, incluindo o direito a um salário justo, a condições de trabalho dignas e à formação de sindicatos (não os sindicatos no formato que temos hoje). Ao mesmo tempo, condena tanto o capitalismo desenfreado quanto o socialismo, propondo uma terceira via baseada na justiça social e na moral cristã.

A Rerum Novarum estabelece os princípios fundamentais da DSI, como o respeito à dignidade humana, o bem comum, a subsidiariedade e a solidariedade. Esses são fundamentos da DSI. Ela também marca o início de uma tradição de ensino social papal que se desenvolveu ao longo do século XX e continua até hoje sempre com maior aprofundamento e sem perspectiva de retrocessos nesse aprofundar.

 

5. Desenvolvimentos no Século XX

O século XX viu uma expansão significativa da DSI, através de diversas encíclicas e documentos papais que abordaram questões sociais à luz dos novos desafios globais, que foram muitos e variados.

Pio XI, com a encíclica Quadragesimo Anno (1931), expande os ensinamentos de Leão XIII, especialmente no que diz respeito à reestruturação da ordem social, enfatizando a importância da subsidiariedade.

O Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965, também foi um momento crucial para o desenvolvimento da DSI. A constituição pastoral Gaudium et Spes representa uma reflexão profunda sobre a missão da Igreja no mundo contemporâneo, abordando questões de paz, justiça, desenvolvimento econômico e os direitos humanos.

São Paulo VI, com a encíclica Populorum Progressio (1967), aborda o desenvolvimento econômico e social dos povos, defendendo que o desenvolvimento não deve ser apenas econômico, mas integral, abrangendo todas as dimensões da pessoa humana. Ele não aceita uma visão fragmentada do ser humano.

São João Paulo II, em encíclicas como Laborem Exercens (1981), Sollicitudo Rei Socialis (1987), e Centesimus Annus (1991), reflete sobre a natureza do trabalho humano, os desafios da globalização e a queda dos regimes comunistas na Europa Oriental, todos temas latentes à época e alguns até hoje, mesmo que de forma diferente. Ele reafirma a centralidade da dignidade humana e do bem comum, defendendo uma economia que esteja ao serviço da pessoa e da sociedade.

 

6. A DSI no Século XXI

No século XXI, a DSI continua a evoluir em resposta aos novos desafios globais. A encíclica Caritas in Veritate (2009) do Papa Bento XVI, por exemplo, trata do desenvolvimento humano integral em uma era de globalização, abordando temas como o meio ambiente, a economia global e a responsabilidade social das empresas.

O Papa Francisco, com a encíclica Laudato Si’ (2015), traz uma perspectiva ecológica à DSI, destacando a interconexão entre a crise ambiental e as questões sociais e econômicas. Em Fratelli Tutti (2020), Francisco enfoca a fraternidade e a amizade social como bases para a construção de uma sociedade mais justa e solidária.

 

Arremate.

A Doutrina Social da Igreja é um corpo de ensinamentos dinâmico, que evoluiu ao longo de vários séculos, desde antes da Igreja inclusive, remontando o Antigo Testamento, tudo em resposta às mudanças sociais, econômicas e políticas. Desde suas raízes bíblicas e patrísticas até os desenvolvimentos contemporâneos, a DSI oferece uma visão moral e ética profunda, destinada a orientar os católicos e toda a humanidade na construção de uma sociedade que respeite a dignidade humana e promova o bem comum.

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

Brevíssima introdução à Doutrina Social da Igreja.

Quando nos manifestamos sobre Doutrina Social da Igreja, antes de falarmos em documentos e em princípios é preciso entender algumas coisas que são intrínsecas ao ser humano e esse não pode ser entendido de forma separada a tais princípios, embora algumas pessoas, ideologias e religiões, não entendam assim e tentem fazer do círculo um quadrado de cinco pontas.

A primeira dessas coisas que precisamos entender é que nós, seres humanos, não nascemos bons. Nós nascemos com um pequeno defeito que a Igreja chama de pecado original. Para comprovar isso é relativamente simples quando olhamos a nossa volta.

A criança é sempre egoísta, porque será? A criança não deveria ser aquela criatura em estado mais virginal e ainda não corrompida pela sociedade, conforme o argumento de muitos? O que vemos, entretanto, é que uma criança sempre é egoísta, sempre pensa em si mesma e dependendo da idade simplesmente não compreende que existe um mundo em volta, mas sim que ela é o centro do mundo. Alguns argumentarão que isso faz parte do ser humano e nos ajudará no nosso mais perfeito desenvolvimento. Pois então, é isso mesmo o que estou dizendo: a criança é egoísta.

Outra prova dessa nossa situação é que nós, agora falando dos adultos especialmente, precisamos sempre lutar para nos manter fazendo o bem e o correto, isso por que é difícil. É difícil justamente porque não é nosso estado natural. Sem dúvida é muito mais fácil cometer o erro, seguir pelo caminho do mal e pecado, do que seguir pelo caminho do bem, da honestidade e da ombridade. Isso acontece porque nascemos com essa tendência ao erro, o pecado, que é o que chamamos, imitando a Igreja, de pecado original.

Apenas para fechar esse assunto, temos uma constatação igualmente simples: os prazeres são melhores que os deveres. Não é preciso argumentar muito sobre isso. Acredito que ninguém discorde seriamente da afirmação.

Pois bem, tendo então a afirmação de que nascemos com esse pecado original que nos deixa sempre pendentes ao erro e ao pecado, percebemos que a história da humanidade remonta essa lógica desde o início do que chamamos de história conhecida. Contudo, uma vez que não temos aqui a intenção de analisar toda a história conhecida da humanidade, mas apenas o que nos trás de forma mais imediata à nossa realidade, temos que nos últimos 700 anos temos vivido momentos de absolutismo e totalitarismo.

A ideia de sempre tentar buscar o paraíso na Terra tem sido algo muito sedutor para muitos. Dessa ideia muitas ideologias surgiram e muitas se desenvolveram ao longo desses séculos. O totalitarismo vem justamente dessa tentativa: quem está no poder sempre busca mais poder, muitas vezes consentido pelo povo, para chegar ao objetivo messiânico do paraíso na Terra. Como bem sabemos, nunca chegam, mas continuam buscando e as pessoas continuam entregando mais e mais poder a esses oportunistas e/ou ideólogos.

Com a Revolução Industrial no século XVIII temos novos tempos, tudo na vida das sociedades começa a mudar. O feudalismo, que séculos antes tinha chegado ao seu apogeu, já estava definhando a muito tempo e contava com seus últimos suspiros dentro do imaginário social. As pessoas cada vez mais buscavam as cidades para viver e trabalhar, já que a zona rural não mais trazia a segurança e qualidade de vida que antes era possível. A Revolução Industrial causou mais algumas sérias mudanças na vida dessas pessoas que agora viviam nas cidades já em uma situação de total insalubridade em todos os sentidos.

A partir da chamada Revolução Industrial muitos perderam o emprego e muitos tiveram que se qualificar para trabalhar com as tais máquinas, mas uma coisa continuou: a exploração da força de trabalho de forma totalmente desmedida.

Pouco antes disso já tinha surgido o mercantilismo que daria todas as bases para o capitalismo se desenvolver plenamente, contudo o que víamos era um capitalismo selvagem, sem qualquer freio e sem qualquer risco de humanidade. A exploração do trabalho não tinha nenhum tipo de humanidade e não seguia regra alguma que não fosse a oferta e procura. Pessoas trabalhavam 20 horas por dia, incluindo crianças que além de trabalhar todo esse tempo ainda ganhavam menos.

Todos esses fatos e essa situação precária, obviamente que seria um prato cheio para todo tipo de ideologias nascerem e foi justamente o que aconteceu.

O liberalismo se desenvolveu como uma forma através de um capitalismo selvagem e o socialismo pelo outro meio também se desenvolveu, ambos devidamente condenados pela Igreja. O capitalismo selvagem que deu aso para o liberalismo porque cai sempre no erro da coisificação do ser humano e a extrema busca do lucro a qualquer preço. O socialismo, por outro lado, é intrinsecamente mau. Ele pretende não ser apenas um sistema econômico, mas algo que envolve toda a pessoa e toda a sociedade. Parte do princípio antropológico pessimista de que o indivíduo é mau e que precisa do Estado para governar a pessoa. Isso dá um status divino ao Estado que pretende purificar o ser humano na sociedade.

Assim sendo, não vamos entrar estritamente nesse contexto de condenação do socialismo e do capitalismo agora, contudo é preciso entender que existem dificuldades com o capitalismo e total confronto entre socialismo e cristianismo.

O mais importante nesse momento de fazer uma breve introdução à Doutrina Social da Igreja, é que a Igreja não elege um modelo de sistema econômico nem de governo. O que a Igreja tem são princípios que se aplicado corretamente dentro de um sistema qualquer que não está em franco confronto, pode dar certo conforme o contexto histórico.

A Igreja não tem, e isso é importante entender, uma centralização na economia ao buscar seus princípios de Doutrina Social. A economia é apenas mais um de vários temas a serem desenvolvidos, uns com menos e outros com mais importância, mas apenas mais um desses temas. Diferentemente, tanto socialismo quanto capitalismo, mesmo o comunismo em si ou o liberalismo tem no seu centro a economia e, a partir desse centro as outras questões se desenvolvem. Tanto assim que o principal ministério de qualquer país hoje em dia é o Ministério do Fazendo, ou algo que o valha.

O centro da Doutrina Social está na família e no indivíduo. É a partir desses dois que tudo deve se desenvolver e em torno deles que tudo deve girar. Eles são a prioridade.

Por fim, nessa brevíssima introdução, vemos a importância de situar a Doutrina Social da Igreja dentro do conjunto doutrinário da Igreja. Portanto, a DSI não é uma sugestão da Igreja para os católicos. A DSI é vinculativa para todos os batizados ou recebidos na Igreja. Se trata de ensinamentos sobre moral em que diversos Papas buscaram ensinar toda a humanidade. O magistério está presente nesse sentido moral e esses princípios se fazem, então, lei para todos os batizados e recebidos na Igreja, não é um encaminhamento, nem um parecer ou uma ideia. Não é uma sugestão com dissemos e nem uma possibilidade, uma faculdade.

  

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Os pleitos do dia 02 de outubro.

O dia 02/10/16 foi marcado por dois pleitos interessantes: um mais próximo de nós e com nossa participação; e o outro da Colômbia, mas ambos mostraram, guardadas as proporções, a mesma coisa.

Por aqui os analistas estão loucos tentando explicar como João Dória ganhou em primeiro turno em São Paulo tendo o perfil que tem. Como ele pode ter ganhado na periferia e se ele fará as privatizações que prometeu. Eles se esquecem que ninguém quer ser pobre, em outras palavras: pobre não gosta de pobre. Pobre quer ser rico, viver melhor, ganhar melhor, progredir. Quem gosta de pobreza é político populista que pretende fazer do Estado a eterna babá do povo e se eternizar mamando nas tetas da mãe-estado. Apesar de a maioria das pessoas não conseguir explicar isso, eles conseguem entender claramente.

Por todo o país o PT foi colocado literalmente na lata de lixo (onde é o seu lugar, diga-se). Mas é preciso entender, e o povo do Rio de Janeiro não entendeu isso ao que parece, que o PT só é parte do problema. O problema é o socialismo. O embate sempre foi contra o socialismo e precisa continuar sendo. PSOL é mais escancaradamente socialista e de uma esquerda lunática pior do que o PT. Isso é fato e nem eles negam.

Do outro lado tivemos a Colômbia que disse não a propostas de conversa e acordo com terroristas, bem ao estilo do que a esquerda sempre quer. Eu até agora não entendi como se faz acordo de paz, assinado, fotografado e registrado, com terrorista. Com terrorista não há conversa. Com terrorista não se negocia nem se reconhece legitimidade de Estado (paralelo). Terrorista se esmaga. O povo do interior da Colômbia foi decisivo pelo NÃO justamente porque foi o que mais sofreu na mão desses assassinos, esquerdistas, apoiados do PT, PSOL, PCdoB, Venezuela de Chavez e Maduro, Lula, Dilma e companhia. Mas o que se pode esperar quando um Castro, enviado por Cuba, resolve intermediar um acordo de paz com terroristas? Eles são terroristas, sempre foram, como isso pode funcionar?

E assim terminou um domingo que só terminou no calendário porque continuará reverberando por dias e até meses.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Ministério da Cultura. Já vai tarde?

Assim que saiu a decisão de rebaixamento, não de extinção como dizem, do Ministério da Cultura, MinC para os íntimos, e garantidor da Lei Rouanet para incompetentes e ideólogos para os sórdidos, eu publiquei por essas redes sociais a seguinte afirmação: “Fim do Ministério da Cultura (MinC)? Não. Foi só anexado ao da Educação. Não devia nem ser anexado a nada. Devia ser extinta qualquer ideia ou tentativa de pautar a cultura, quanto mais ter uma pasta exclusiva.” Fiquei até surpreso pela quantidade de pessoas apoiando, mas um debate foi interessante, apesar de incompleto porque normalmente esse pessoal corre quando os argumentos começam a faltar, mas enfim, acho que foi válido até o ponto que chegou.

O que me assusta, sinceramente, é a forma dogmática com que veem a política de esquerda. Veja bem que não estou estigmatizando dogmatismo como algo ruim, mas colocando a palavra no contexto ruim que ela merece quando associada à política. Para o pessoal da esquerda, esquerdistas como é moda dizer, não existem argumentos a partir do momento em que eles se voltam contra eles. O argumento só é válido quando favorável, do contrário o válido é uma enxurrada de agressões desmedidas, acusações unilaterais ou o abandono do debate. No meu caso tenho passado por todos esses.

Voltando ao debate sobre o MinC, é inimaginável que uma pessoa com o mínimo de massa cinzenta não consiga prestar a atenção e ligar um mais um. O problema é que para essas pessoas, se o partido quiser que um mais um seja quatrocentos e vinte e dois vírgula sessenta e cinco, vai ser, não importa como chegaremos a isso, mas estará certo.

O argumento é simples, rápido e indolor: não há um só motivo para o Estado manipular a cultura. Cultura se desenvolve sozinha. O Estado pautando só faz ideologizar um setor que pode ser tornar extremamente manipulável conforme os interesses. Basta derrubar esse argumento que me calo, só que ninguém consegue honestamente derrubar o argumento. Pelo contrário, até concordam com ele e dizem que tem que ser assim mesmo. Como debater assim?

Um ministério da Cultura, veja que não estou falando de ministério da cultura do governo PT ou de qualquer que seja, estou falando de forma geral, sempre estará ligado ideologicamente ao que o dito governo pensa ou pretende.

Se sempre estará ligado ideologicamente ao que o governo atual pensa ou pretende, como já concordamos, acho que é muito sensato imaginar e até fazer a assertiva de que o Estado terá sua própria definição do que é cultura, ou pelo menos sua orientação do que deve e do que não deve ser visto, lido, assistido... pela população em geral. Afinal, ao excluir alguns projetos e financiar outros, o interesse é o que move.

Podem me argumentar, e já argumentaram, que isso é estar no governo. Ele decide o que vai na cultura, saúde, educação. O segredo é votar direito, ou melhor ainda, educar direito pra formar cidadão que não tem preguiça de pensar em politica e fazer parte dela.

Esse argumento confunde governo com Estado. Não é a mesma coisa. Governos trazem ideologias, o Estado é a entidade que deve ser governada e que tem por fim os cidadão. Nunca se pode esquecer esse fim. O socialismo sempre esquece. Por esse motivo o Estado deve ser o menor possível, assim terá o mínimo de abrangência possível na vida das pessoas e elas poderão decidir por si. Não há motivo para o Estado continuar pautando tudo na sua vida. Cultura é uma das coisas que deve ser de escolha pessoal e não do Estado. Acho que você tem plena condição de fazer essa escolha.

Não é possível educar cidadãos se você tem uma enorme concorrência com o Estado ao tentar educar seu filho. Você educa em casa e a escola e a cultura escolhida para que ele veja o deseduca sob o seu ponto de vista. Não há escolha.

Quando o Estado coloca a mão na cultura ele escolhe o que é do seu interesse como já dissemos. Ao fazer isso ele desmerece um sem número de coisas boas, mas que na verdade não interessa se são boas sob o seu ponto de vista, mas sim se são boas para quem escolhe ter acesso a elas. Eu posso gostar de determinada coisa e querer ter acesso a ela e você não. Se a coisa merece ser vista por mais gente, e ter incentivo, que tornem a tal arte algo realmente atrativo e artístico. Arte estigmatizada que só atinge um pequeno grupo e o resto fica se achando intelectual por ficar olhando sem entender nada, não faz sentido. Com o Estado fazendo da forma que quer, não temos direito de escolha, mas de engolir o que ele nos coloca a disposição. E não tem outra forma. Ou engole, ou engole, afinal é uma avalanche de propaganda sob determinado tema até que seja impossível não ser abordado por aquilo que não é da sua escolha. E isso não é viver em sociedade. Isso é viver em uma sociedade dominada ideologicamente.

Como pensar se o modus operandi do pensamento está sob o poder do Estado? Ou se pensa igual e produz o que o governo dominante do momento quer ou se está fora do sistema e ninguém te ouve, vê ou sente.

Aí vem a pergunta novamente: como o cineasta começando vai fazer seu primeiro curta? Ele que não entende de cinema como os hollywoodianos de que forma o produto dele pode competir pra se pagar? Bom, aí temos que ver a competência e capacidade de empreendedorismo, mas também temos que perceber que no Brasil não dá pra fazer isso pontualmente a não ser que você seja o melhor da sua área e realmente queria distancia da pauta governista. Isso além de raro, certamente vai excluir muita gente boa no início. É o preço que se paga. Vivemos em um sistema que sem o Estado nada é possível. O Brasil está assim. O sonho de quase todos que se formam é serem funcionários públicos. Um país que tem a maioria de suas melhores cabeças pensantes no funcionalismo público e não no empreendedorismo, não tem como ir para frente. O funcionalismo público tem que ser básico, para assuntos básicos e não um cemitério de cérebros incríveis jogados fora em um latão de burocracia e semi-vida produtiva.

Na Europa, por exemplo, existe uma empresa responsável por gerir a cultura. Existem também a Rede Iberoamericana de Las Artes. Elas pegam parte do dinheiro que toda a produção cultural gera e usam isso pra fomentar quem está começando. E o faz com parâmetros mercadológicos. É óbvio que não é o ideal, mas temos que começar por algum lugar. Quem sabe esse seria um bom passo. Só de tirar das mão ideológicas do Estado já é um bem. O melhor seria um começo com algumas dessas empresas que garantissem as diversas formas de pensar que existem em uma sociedade livre. A mais apta e com maior interesse prospera. Arte para meia dúzia de gatos pingados morre como tudo nessa vida e assim caminhamos.

Esses dois sistemas foram concebidos para ficarem mais distantes do Estado para que esse não o contamine ideologicamente. Não creio que cheire a utopia por aqui. Mesmo que não dê certo é preciso tentar sair desse poço que se tornou o patrocínio e a guia estatal da cultura. Isso gera manipulação. Do outro lado, podemos ter um sistema que surpreendentemente funcione ou mesmo uma adaptação que nos surpreenda. E mesmo que nada disso aconteça e que nada dê certo, o que duvido, teremos a satisfação de dizer que nos livramos, de um jeito ou de outro, da manipulação e do cabresto ideológico do Estado.

Um ótimo ponto concreto a ser colocado e que citei acima é a Lei Rouanet. Os agraciados por essa lei com quantias significativas de dinheiro ou mesmo aqueles peixes pequenos que recebem só os farelos, têm uma motivação especial para não atacarem abertamente o governo vigente seja ele qual for. E isso vale até mesmo para quem não gosta do governo. A partir do momento em que o indivíduo perceber que se ficar calado terá uma vantagem financeira – e sim, quem não ataca o governo tem vantagem nisso – a tendência ao silêncio e a conivência será muito maior.


Um Ministério da Cultura envolve tudo isso e ainda trata a cultura como meio para atingir bens políticos. A mão do Estado é pesada, precisa ser retirada de uma série de setores que dogmaticamente parece que ninguém pode mexer. A cultura é um deles e é um começo ,mas só o começo. Muitos outros setores precisar que o Estado tire sua mão podre de cima para que possam se desenvolver.

domingo, 11 de janeiro de 2015

O revolucionário é um infeliz.


Eu realmente gosto de arroz, feijão, alguma salada e bife. É minha comida predileta. Não precisa muito mais que isso, mesmo que todo dia, para me agradar. Eu também gosto de ler, assistir algumas séries de TV, novela não, mas um ou outro filme, especialmente daqueles que muita gente morre de uma só vez sabe... estilo “Duro de Matar” e coisas do tipo. São os meus gostos. Sempre os sigo.

Fico imaginando se eu fosse um revolucionário desses comunistas ou anarquistas ou qualquer coisa lunática dessa. Provavelmente, dentro do pensamento deles, eu deveria gostar do comer arroz, bife e salada, mas não deveria continuar fazendo isso porque iria contra a revolução.

Na verdade eu não estou ficando doido e nem escrevi isso em uma noite mal dormida. Na verdade estou usando um argumento simples: você conserva o que gosta. Seu eu não gostasse de ver filmes de ação eu simplesmente mudaria de canal. Já que eu gosto, eu os mantenho. Eu os conservo.

Conseguiu pegar o cerne da questão? O conservador é aquela pessoa que está feliz e satisfeita com o que tem e como as coisas são. Não é uma pessoa simplesmente conformista, mas que está feliz e realmente gosta de como as coisas funcionam. Elas podem até não funcionarem sempre dentro da perfeição desejada, mas o conservador entende que as coisas não são perfeitas para que se exija perfeição delas e, principalmente, entende que as pessoas não são perfeitas, inclusive ele. Se não há perfeição nos agentes de uma ação, impossível cobrar perfeição no resultado final. Contudo é possível melhorar cada vez mais o caminho para que se chegue cada vez melhor em um resultado. O revolucionário não pretende melhorar nada. Ele pretende destruir todo o caminho pra fazer um resultado melhor. Como isso pode dar certo, nem eles sabem explicar.

Tudo isso, por parte do revolucionário, é um tanto quanto contraditório. O revolucionário quando não gosta do filme ele não se contenta em mudar de canal, ele difama o canal, liga para a operadora de TV a cabo (se for o caso), reclama nas redes sociais e, no final de tudo, quebra a televisão. O revolucionário é um infeliz por natureza. Isso é lógico! Quando se está infeliz com algo o que queremos é mudar e não conservar. O conservador pretende conservar justamente porque é feliz com o que pretende manter, apesar de saber que tudo pode ficar ainda melhor.

Trata-se de uma pequena linha de raciocínio em lógica para definirmos alguns pontos. Contrapontos são sempre bem vindos, contudo devem ser igualmente bem vindos os contra-argumentos, o que o revolucionário também não permite já que ele está certo e você sempre errado pelo simples fato de você existir.


Antes que alguém realmente me chame de louco por argumentar assim, já afirmo aqui que a linha de raciocínio não é minha, mas de Peter Kreeft em seu livro “Sócrates encontra Marx”. Uma bela sugestão de leitura principalmente para os revolucionários de plantão. Mas tem que ler até o fim heim.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O Decreto 8243.


O Decreto 8243 ficou conhecido como aquele que instalava uma forma de democracia direta por cima do Congresso Nacional, um claríssimo atentado contra a democracia. Esse conceito não tem nada de sensacionalista ou exagerado para que se imbuísse uma fumaça malcheirosa em torno do decreto.

Em poucas palavras, o Decreto pretendia instituir uma série de comissões que teriam voz e vez legislativa, equiparando-se e, as vezes suplantando o legislativo constituído. Tudo parece muito bonito quando se coloca que o povo terá voz através dessas comissões que serão formadas pelo povo. Só que não é isso o que acontece. Eu ou você, nós pessoas comuns que precisamos trabalhar e estudar, cuidar da família, fazer compras e outras tarefas diárias, simplesmente não temos tempo para fazer parte de uma comissão governamental que irá discutir questões profundas ligadas ao futuro de toda uma nação. Adivinhem que faria parte dessas comissões?!!! Obviamente que militantes que recebem para fazer política não institucionalizada, ou seja, militantes partidários que recebem para não ter mandato e instituir debates e as vezes balbúrdias, é que farão parte dessas comissões. Na prática é retirar o poder da população de escolher seus representantes no Congresso.

Pois bem, essa proposta acaba de cair na Câmara dos Deputados. Foi o que aconteceu ontem a noite (28/10/14). Uma Câmara dos Deputados que, vale lembrar, é infinitamente mais dócil ao governo que a próxima Câmara que toma posse em janeiro.

O Congresso disse não ao seu próprio aviltamento e à tentativa do governo de governar em aliança com "movimentos sociais" aparelhados pelo PT e partidos de linha socialista clara como é o caso do PSOL, PCO, PCdoB e congêneres. Com isso fica claro: qualquer derrotismo, qualquer acusação de "tá tudo dominado" ou discursos do estilo "não adianta nada, o PT sempre vence", não passam de babaquice e de formas discretas de fortalecer as esquerdas ainda mais.

Grande parte do PP é oposição. O partido está rachado, o que pode ser bom ou ruim, dependendo do ângulo que se vê. Grande parte do PMDB é oposição, a diferença é que o PMDB é dividido naturalmente e sabe conviver com isso. Como diria uma famosa comentarista de política: “o PMDB não é para amadores”. O PTB, aliado até outro dia, tornou-se oposição. A tendência do PSB, tirando um ou outro quadro mais à esquerda (Luiza Erundina, por exemplo), tende a ser um novo partido de oposição e já mostrou isso nas eleições. Até o PV arregaçou suas manguinhas nessas últimas eleições e, apesar de sua insignificância parlamentar, sabe fazer barulho quando quer. A situação nunca foi tão boa para a oposição ao petismo.

O Senado verá a chegada de quadros políticos como José Serra, Tasso Jereissatti, Álvaro Dias, Aloysio Nunes, Ronaldo Caiado. Isso para não falar em Aécio Neves que tende a ganhar status de líder pessoal de oposição. Que não fraqueje em sua tarefa.

O momento é de união das oposições e daqueles que, mesmo em partidos que não são oposição, pretendem que seu partido pule de lado. Não é momento de cobranças. O momento é de comemorar mais uma vitória política em um assunto que realmente iria contra tudo o que uma democracia de verdade, que é o que queremos ser, precisa ter. Não é momento de insistir em choradeiras e conspirações, muito menos em separatismo. Que bobagem! Eles são mais vítimas que qualquer um do sul, sudeste ou centro-oeste. O momento é se organizar.

Nunca houve uma disputa tão acirrada desde 1989 e, sinceramente, não me lembro de na história ter acontecido uma disputa tão acirrada desde o início da República. É preciso saber usar desse momento mantê-lo por pelo menos os quatro anos seguintes

É isso que a democracia e o povo brasileiro esperam de uma oposição. É essa a oposição que o PT sempre fez. É essa a oposição que precisa ser feita e não aquela feita nos últimos 12 anos que sequer era notada. Uma letargia agonizante que espera-se, tenha terminado.


É esse o caminho que cumpre uma oposição séria e verdadeira trilhar. No mínimo isso faz bem ao sistema democrático que pretendemos ter.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Quando um agente estatal exige que uma freira não reze, ainda há liberdade religiosa?


Por Paulo Vasconcelos Jacobina

Recentemente, uma freira me trouxe a notícia de que uma servidora da Secretaria de Educação do Governo do Distrito Federal lhe informara que, no seu planejamento educacional para o ano de 2015, ela deveria considerar retirar as orações e as atividades de natureza religiosa do seu planejamento, cessando qualquer tipo de religiosidade na sua conduta. Uma vez que a creche que a congregação religiosa dirige recebe recursos públicos, e a realização de orações e devoções, segundo a referida servidora pública, "violaria o Estado laico". Em leve tom de ameaça, a servidora pública sugeriu enfaticamente à freirinha que "considerasse seriamente esta sugestão".

Esta situação ocorreu dias depois de outra igualmente preocupante: estive num grande escritório de contabilidade empresarial com outra freira, de uma congregação profundamente dedicada ao atendimento dos "mais pobres dos pobres", cuja regra de vida, aliás, impede terminantemente que a instituição receba quaisquer recursos públicos. Mas como a Congregação emprega ajudantes e atende pessoas carentes, consome água e energia, além de gerar tributos por posse de imóveis, precisa de cadastros infindáveis em diversos Ministérios do Governo Federal, além de entidades congêneres das esferas estadual e municipal nos diversos locais em que atua. Exige-se-lhe inclusive a contratação de responsáveis técnicos na área de psicologia, pedagogia e serviço social, além de cadastros nos diversos órgãos profissionais respectivos. As despesas com atividades burocráticas de uma entidade que não recebe, nem pretende receber, recursos públicos, e que pretende apenas exercer a caridade, ou seja, o acolhimento amoroso dos que não são lembrados nem pelo próprio Estado, são volumosas e saem das doações privadas de leigos comprometidos e empresas com responsabilidade social. 

Estas religiosas muitas vezes têm dificuldade de apoio na própria estrutura formal da Igreja, que já tem problemas suficientes para sobreviver perante suas próprias dificuldades burocráticas, e deixa de se posicionar mais agudamente frente a um Estado que cresce e se torna cada vez mais ameaçador para quem quer atuar na atividade de assistência social como reflexo das suas convicções religiosas. É como, por um lado, se a própria manifestação ostensiva de pertença religiosa dessas instituições fosse quase uma atitude inaceitável perante um Estado cada vez mais dominado pelas ideologias ateístas, e, por outro, como se fosse quase uma concessão estatal precária que alguém possa ter acesso aos pobres fora das estruturas estatais e burocráticas - uma monopolização da miséria pelos órgãos estatais e suas ONGs de viés para-partidário.

É relevante perceber que o Estado brasileiro tem criado uma série de facilidades para a pequena atividade empresarial, como as "microempresas individuais" que gozam de sistema tributário facilitado, mas para a atividade de caridade há apenas a multiplicação de exigências e burocracia, mesmo quando não há, nem se pretende que haja, aporte de recursos públicos nestas entidades. Se os pequenos empresários podem gozar de um sistema simplificado de recolhimento, as pequenas entidades religiosas sofrem cada vez mais com um sistema absurdo de exigências burocráticas, que culminam agora na própria exigência de que abandonem suas próprias convicções religiosas no planejamento de suas atividades, em nome de uma suposta laicidade estatal. Isto é tão absurdamente autoritário que é impressionante que não esteja sendo denunciado como autoritário até por aqueles intelectuais que, embora não tenham convicções religiosas, têm na democracia um pilar das suas próprias convicções. Não há democracia sem liberdade religiosa, e esta pode ser restringida de muitas maneiras, algumas ostensivas, outras sutis, como as que estamos agora vivendo.

Mesmo aquelas entidades religiosas que estabelecem parceria com o Estado, recebendo recursos públicos para desempenhar sua missão social, têm a garantia constitucional plena à sua própria identidade confessional. Quando o art. 19 da Constituição Federal ressalva a colaboração de interesse público entre entidades religiosas e o Estado, ela o faz para garantir que essas entidades possam relacionar-se com o Estado exatamente como são, ou seja, como entidades religiosas. Quando um agente estatal faz uma exigência a uma entidade religiosa prestadora de serviços de interesse público de deixar suas atividades confessionais em nome da "laicidade estatal", ele está escancaradamente negando vigência ao artigo 19, II, da Constituição; nega que as entidades religiosas possam relacionar-se com o Estado sem deixar de ser confessionais. E não se ouve nem as vozes dos juristas, nem as vozes das pessoas comprometidas com o regime democrático e do Estado de Direito contra essa distorção autoritária e negadora do direito constitucional de liberdade religiosa. Não existe religiosidade "privada" ou "teórica", a não ser na mente de quem, além de não ter pessoalmente religião, tornou-se um militante contra a religião. Esta atitude é tão mais perniciosa quando vem embalada numa crescente série de exigências burocráticas e ideológicas cumulativas, afinadas ademais com uma atitude arrogantemente ateia nas universidades e centros de produção intelectual, a ponto de tornar insensível aos próprios católicos a situação alarmante. Precisamos denunciar esta tendência autoritária enquanto a própria possibilidade de denunciar não se torna um crime de lesa-majestade: não há verdadeira liberdade religiosa quando o Estado, por exigências indiretas ou ostensivas, torna inviável que a fé se torne ação.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Xingamento padrão FIFA ou O Legado de Lula.

Interessante a análise de alguns, estilo Juca Kfouri sobre o palavreado, digamos assim, da torcida ontem na Abertura da Copa para a Presidente Dilma Rousseff.

Dizem eles que foi um absurdo, que não se faz aquilo, que é uma grosseria, que ela é legitimamente eleita, que foi um elite que não gosta do que ela faz pelo povo que a xingou e outras coisas mais.

Sobre ela ser legitimamente eleita podemos falar disso depois. Trata-se de um assunto muito mais profundo.... e sórdido.

Sobre ser uma elite que a xingou, penso que a desonestidade intelectual desses donos da mídia e militantes petistas, já chegou a um ponto que os tornou não humanos na acepção da palavra. Viraram robôs, pra não falar mulas (aquelas mesmas que levam e trazem drogas em seu próprio corpo para contrabando, aqui nesse caso trazem ideologias espúrias)

Bom, se você chegou até esse ponto do texto significa e sabe o que significa espúria, quer dizer que não é militante petista, eles não tem condições de ler e entender argumentos sem atacarem raivosamente a pessoa do interlocutor no lugar de atacarem os argumentos. Parabéns!

Pois bem, sobre a elite, penso que esse pessoal nunca entrou em um estádio de futebol. Não conheço um jogo, mesmo que seja daqueles de 300 pagantes, que não se xinga ou solta um palavreado de baixo calão. O padrão FIFA nunca vai chegar nesse ponto.

Quanto a não fazer isso em um local com crianças, famílias e demais elementos que não merecem ficar ouvindo esses palavrões, tenho pra mim que ir a um estádio que já se sabe que essas coisas acontecem, são escolha individual, já ouvir certas músicas com incentivo de verba federal que andam circulando por aí não são devido a altura que ouvem e isso destrói muito mais.

Em outro argumento, se não for no estádio, então que marquem uma audiência com a presidente (presidenta não) para xingá-la em particular. Quem sabe ela não os atende.

Ainda quanto a ser elites a xingá-la, já que o povo está ao lado dela, o que me dizem desses indivíduos de manifestações, formada por gente que eles chamam de povo, está fazendo nas ruas? E quanto as greves de professores, metroviários, motoristas rodoviários urbanos, saúde, segurança pública e até o judiciário vem fazendo? Todos são elite? Eu, na minha humilde opinião, acho que todos SÃO elite, afinal o PT rebaixou tanto esse critério pra não termos mais pobreza no Brasil que agora até o favelado (que não se chama mais assim, agora é membro da comunidade), passou a ser "das elite".


A verdade é que já encheu essa história de defesa a todo custo. Já encheu essa história de intocáveis, manipulação de mídia, manipulação de opinião pública, uso da máquina e tanto outros casos. Que xinguem muito nessa Copa em todos os Estádios, seja em jogos do Brasil, seja de outros países. Pelo menos assim ela ouve as notícias, já que duvido que volte ao Estádio mesmo que o Brasil vá à final.

Então Dilma, vai tomar caju ou vai comprar shampoo! E contente-se com o carinho do seu povo, queira ou não.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Homossexuais são os primeiros a ir para o paredão socialista.

A notícia é no mínimo, no mínimo interessante, mas e daí? Jean Willys, Randolfe, Chico Alencar e corja et caterva não vão deixar de adorá-lo por causa disso.

Que homossexuais são os primeiros a ir para o paredão em ditaduras comunistas, isso a história conta, a doutrina marxista conta, a honestidade intelectual conta e até a lógica comunista conta. E daí? Quem disse que pessoas que seguem o socialismo e fecham suas cabeças para qualquer outro tipo de argumento querem saber?!

Abaixo está o texto completo da reportagem que saiu em vários meios de comunicação na época. Essa aí debaixo é do Estadão em agosto de 2010. Perguntem se aqueles citados lá em cima repercutiram algo sobre isso. Pergunta!

Claro que não repercutiram nada. E se tivessem falado teriam falado que o governo de Cuba entendeu que agiu errado e não vai fazer mais isso. Que coisa feia o que fizera, não é? A questão é que fizeram. Agora não precisa mais fazer. Quando for preciso, lá estarão, firmes e fortes para colocar seus rifles em riste e derrubar homossexuais como se mata patos em uma caçada. Continuem nesse caminho e verão.

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O ex-presidente cubano Fidel Castro admitiu hoje, em entrevista concedida a um jornal mexicano, que seu governo perseguiu homossexuais nas décadas de 1960 e 1970 e declarou que "aqueles foram momentos de muita injustiça". Na época, gays e lésbicas foram exonerados de cargos públicos, presos ou enviados a campos de trabalho forçado.

Fidel disse ao periódico mexicano La Jornada que seu governo agiu errado. "É verdade que nós fizemos isso", disse Fidel. "Estou tentando limitar minha responsabilidade por tudo isso porque, de fato, eu não carrego comigo esse tipo de preconceito", declarou. Questionado sobre se o Partido Comunista ou alguma entidade específica esteve por trás da perseguição, Fidel respondeu: "Não. Se alguém deve ser responsabilizado por isto, sou eu."
O histórico líder cubano - afastado do poder desde 2006, quando foi acometido de uma grave doença gastrointestinal - disse que estava ocupado demais na época cuidando de problemas como a Crise dos Mísseis, ocorrida em 1962, que não teve como impedir o que acontecia. "Tínhamos diante de nós problemas tão terríveis, questões de vida ou morte, que não prestamos atenção suficiente a isto."
Atualmente, campanhas promovidas pela mídia estatal cubana denunciam o preconceito contra os homossexuais. Nos últimos anos, o sistema público de saúde cubano realizou operações de mudança de sexo. Mariela, sobrinha de Fidel e filha do atual presidente de Cuba, Raúl Castro, é hoje a principal defensora dos direitos dos homossexuais no país.
Livro
Fidel já havia comentado anteriormente a questão em entrevistas concedidas ao jornalista francês Ignacio Ramonet entre os anos de 2003 e 2005. "Eu gosto de pensar que a discriminação contra os homossexuais é um problema que está sendo superado", afirmou. "Velhos preconceitos e visões estreitas serão, cada vez mais, coisas do passado", disse ele nas entrevistas a Ramonet, que resultaram no livro "Fidel Castro - Biografia a Duas Vozes" (Boitempo Editorial, 624 páginas). 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Vietnã: ativista católico condenado a 30 meses de prisão

Le Quoc Quan: "Na prisão rezo por todos". A Anistia Internacional registrou 75 dissidentes presos
Por Ivan de Vargas

ROMA, 20 de Fevereiro de 2014 (Zenit.org) - O Tribunal de Recurso de Hanói confirmou na última terça-feira (18) a condenação a 30 meses de prisão para o ativista católico Le Quoc Quan. Na leitura da sentença, os juízes decidiram que não havia "nenhuma nova evidência" que provasse a inocência do advogado de 43 anos, que deverá cumprir até o fim a sentença imposta em outubro de 2013.

Quan, além do mais, terá que pagar uma multa de 1.200 milhões de dongs (€ 42.027 euros ou 56.834 dólares) por uma suposta fraude fiscal cometida em 2001, como informou a organização dissidente Viet Tan.

O advogado de Le Quoc Quan reiterou perante os juízes a sua "total inocência”. E acrescentou, dirigindo-se aos juízes que, “se querem julgá-lo pelo seu ativismo, não é preciso arrastá-lo ao tribunal por sonegação de impostos".

Enquanto isso, o acusado disse em um breve comunicado que é "vítima de uma conspiração política".

O conhecido ativista católico denunciou com frequência em seu blog as deficiências do Vietnã em direitos humanos, liberdade política e religiosa.

"Na minha prisão, eu estou em paz e mantenho uma fé firme no futuro no nosso povo. Penso em todos e rezo para que todo o mundo possa viver tranquilamente e progredir (···). Sinto-me neste momento cheio de fé na bondade, na caridade e na compaixão do homem, e com uma forte energia para lutar incansavelmente contra a crueldade e o mal, e em favor do desenvolvimento da consciência e do coração”, escreveu em uma mensagem que conseguiu enviar aos seus seguidores no mês de Janeiro (31) por motivo do ano novo lunar.

"O bem aumentará e o mal diminuirá. A democracia florecerá, a ditadura diminuirá. As pessoas saberão como conhecer os seus objetivos e realizá-los. Ninguém tem direito nem possibilidade de fazê-lo em seu lugar”, acrescentou o ativista dos direitos humanos.

Apenas publicada a primeira sentença, o diretor para Ásia do Human Rights Watch (HRW), Brad Adams, disse que "o crime que parece ter cometido Le Quoc Quan é converter-se em um crítico eficaz do governo vietnamita”. “Quando o governo aceitará que a liberdade de expressão inclui a liberdade de dizer pacificamente opiniões diversas das do partido no poder?”

Além disso, o presidente do Comitê para a Defesa dos Direitos Humanos no Vietnã, Vo Van Ai, denunciou recentemente que "enquanto Vietnã agrava a censura com novas leis e regulamentos, aumentam as repressões policiais, as prisões, as intimidações e até mesmo as agressões sexuais contra jovens blogueiros para assustá-los e impor-lhes o silêncio e a auto-censura".

A Constituição vietnamita prevê a liberdade de expressão e de imprensa, mas o governo se ampara no artigo 88 que criminaliza a propaganda contra o Estado ou o Partido Comunista, a fim de perseguir os críticos e dissidentes.

De acordo com o último relatório da Federação Internacional para os Direitos Humanos (FIDH), pelo menos 32 blogueiros dissidentes estão presos por publicar opiniões consideradas "subversivas" pelo Governo.

Por Repórteres Sem Fronteiras (RSF)  Vietnam se classifica no ranking de número 172 de uma lista de 179 nações em seu nível de liberdade de imprensa e qualifica o país asiático como a terceira maior prisão do mundo para blogueiros depois da China e Irã.

Nos últimos anos, este país condenou a dezenas de ativistas, jornalistas e blogueiros por “ameaçar a segurança nacional”, embora oficialmente o Governo insiste em que não persegue a ninguém por causa das suas crenças políticas ou religiosas, mas sim aqueles que violam a lei.

Anistia Internacional estima que são 75 os dissidentes políticos (blogueiros ou não) que permanecem em prisões vietnamitas, “alguns deles em condições muito duras há anos”.
(Trad.TS)

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Bélgica aprova a eutanásia infantil.

Pediatras protestam. Se transforma no primeiro país do mundo que não estabelece limites de idade. Será preciso o consentimento dos pais e um informe psiquiátrico da maturidade da criança
Por Ivan de Vargas

ROMA, 13 de Fevereiro de 2014 (Zenit.org) - Bélgica tornou-se na tarde de hoje no primeiro país do mundo que acrescenta à sua legislação a eutanásia de menores sem requisito de idade. O Congresso dos Deputados aprovou definitivamente um projeto polêmico, que contou com 86 votos a favor, 44 contra e 12 abstenções. Com a nova lei, os menores com doenças incuráveis poderão aceder a essa prática, sempre que cumpram com uns requisitos rigorosos. O principal é demonstrar a capacidade de discernimento.

A passagem pelo Congresso dos Deputados fez algumas mínimas alterações ao projeto aprovado pelo Senado, que na Bélgica é a câmera com iniciativa legislativa. O sofrimento da criança só poderá ser físico - a eutanásia para adultos contempla também o psíquico – e os médicos deverão comprovar que, em qualquer caso, o paciente morreria em curto prazo .

A Holanda era, até agora, o único país que incluía crianças na prática da eutanásia, com um requisito de idade fixado entre 12 e 18 anos, dependendo do caso. Bélgica deu um passo a mais ao optar por avaliar a maturidade mental da criança em vez de estabelecer uma idade de referência.

O texto final estabelece que será o médico encarregado do caso que avaliará se o menor é capaz de tomar a decisão, mas terá que consultar previamente um psiquiatra infantil. Na atualidade, Bélgica já prevê o direito à eutanásia a partir dos 15 anos para jovens emancipados.

Inúmeros profissionais médicos reagiram violentamente a uma lei que segundo eles não responde a nenhuma demanda da sociedade nem do setor sanitário, mas sim às cabalas eleitorais de uns políticos que nesta mesma primavera concorrem às eleições gerais.

Assim, a iniciativa aprovada hoje pelo Parlamento belga recebeu as críticas do primeiro Congresso Internacional de Cidadãos Paliativos Pediátricos celebrado nesta semana na Índia e que incluiu na sua declaração final uma “chamada urgente ao Governo belga para que reconsidere a sua decisão”.

Os especialistas reunidos no Congresso Internacional defenderam que todos os menores em estado terminal devem ter acesso aos meios adequados para controlar a dor e os sintomas, bem como aos cuidados paliativos de alta qualidade. "Acreditamos que a eutanásia não é parte da terapia paliativa pediátrica e não é uma alternativa", disse o comunicado.

Também uns 40 pediatras belgas publicaram uma carta aberta para advertir que consideram “precipitado” a tramitação desta lei e mostrar que não existe uma demanda social nem médica para dar este passo. Uma carta semelhante, à qual se somaram até 160 pediatras, como informa a mídia local, foi dirigida ontem aos grupos políticos na véspera do voto para pedir-lhes que o atrasem até a próxima legislatura.

Enquanto isso, os líderes das grandes religiões da Bélgica (cristãos, muçulmanos e judeus) têm mostrado repetidamente a sua rejeição à lei. Neste sentido, no 6 de novembro emitiram uma declaração conjunta opondo-se à legalização da eutanásia para menores. "A eutanásia das pessoas mais vulneráveis ​​é desumana e destrói as bases da nossa sociedade", denunciavam. "É uma negação da dignidade destas pessoas e as abandona ao critério, ou seja, à arbitrariedade de quem decide", acrescentaram.

Na nota, divulgada pela agência Cathobel, os chefes religiosos destacavam também que estão “contra o sofrimento físico e moral, em particular das crianças", mas explicavam que "propor que os menores possam eleger a sua própria morte é uma maneira de distorcer sua capacidade de julgar e, portanto, a sua liberdade". "Expressamos nossa profunda preocupação com o risco de banalização crescente de uma realidade tão grave”, concluíam .

Os líderes religiosos da Bélgica afirmavam também em outra mensagem conjunta que “a eutanásia das pessoas mais vulneráveis é desumana e destrói as bases da nossa sociedade"; e acrescentavam que "é uma negação da dignidade dessas pessoas e as abandona à arbitrariedade de quem decide".

O número de eutanásias praticadas na Bélgica atingiu um recorde em 2012, com um total de 1.432 casos, um 25% a mais do que no ano anterior, de acordo com dados da Comissão Federal de Controle e de Avaliação da Eutanásia.

O rei Felipe deverá assinar a lei para que entre em vigor. Até agora, o rei, pai de quatro filhos, não se pronunciou publicamente sobre o assunto .

Na Europa, a eutanásia ativa (com assistência médica) está descriminalizada na Bélgica, Holanda, Luxemburgo e Suíça.

Trad.TS

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Cuba: em ambiente difícil, bispos realizam seminário sobre a comunicação.


Evento é organizado pelo Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais e pelo CELAM

Roma, 06 de Fevereiro de 2014 (Zenit.org) Sergio Mora

Acontece em Havana o “Seminário de Bispos sobre a Comunicação”, que começou ontem, 4, e termina neste sábado, 8 de fevereiro. Organizado pelo Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais e pelo CELAM (Conselho Episcopal Latino-Americano), o evento tem como objetivo “ajudar os bispos a compreender os desafios e as oportunidades que as tecnologias de comunicação oferecem à Igreja”, explicou na semana passada, em Roma, o presidente do dicastério, dom Claudio Maria Celli.

Praticamente não estão sendo veiculadas notícias sobre o seminário. Um jornalista cubano contatado por ZENIT informou que “tudo está sendo muito controlado”.

O contexto

Nos dias 28 e 29 de janeiro, 33 países da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) se reuniram em Havana para uma reunião de cúpula, aberta pelo presidente anfitrião, Raúl Castro.

O governo de Barack Obama se declarou "decepcionado" com o fato de os líderes da América Latina e do Caribe terem ido até a ilha para participar da reunião do bloco e não terem condenado o sistema de partido único dos irmãos Castro. O secretário geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, se encontrou com Fidel Castro e apresentou aos funcionários do governo castrista a necessidade de consolidar as liberdades e a urgência de que Cuba ratifique os tratados sobre direitos humanos.

O único presidente que se reuniu com dissidentes da ilha foi o do Chile, Sebastián Piñera, que encontrou a líder do grupo opositor, Berta Soler, logo após a reunião dos chefes de Estado da Celac. Piñera também se encontrou com o cardeal Jaime Ortega, mas os conteúdos da conversa não foram divulgados. O purpurado cubano mediou em 2010 a libertação de dezenas de dissidentes.

Por outro lado, a oposicionista Comissão Cubana de Direitos Humanos e de Reconciliação Nacional (CCDHRN), em comunicado oficial, afirmou que, durante o mês de janeiro de 2014, o governo de Raúl Castro realizou pelo menos 1.052 detenções arbitrárias com o objetivo de "silenciar as vozes dissidentes" durante a II Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).

O comunicado da CCDHRN declara que "predominaram os sequestros policiais sem a divulgação de informações sobre o paradeiro dos detidos nem a permissão imediata para que eles se comunicassem por telefone com os seus familiares ou advogados". A Comissão divulga ainda que os opositores documentaram "ao menos 79 agressões físicas, 91 atos de pressão psicológica, 89 atos de repúdio e 53 atos de vandalismo" contra as suas casas durante a realização da cúpula.


A CCDHRN detalha que, no total, durante o mesmo mês, 179 dissidentes cubanos foram "agredidos fisicamente"; 153 sofreram os chamados "atos de repúdio" e um número igual sofreu "outras formas de pressão", como "atos de vandalismo" contra seus lares.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Pedofilia no clero.


Certos setores da ONU desferem contra a Igreja um ataque visivelmente ideológico

São Paulo, 06 de Fevereiro de 2014 (Zenit.org) Edson Sampel

As recentes investidas da ONU contra a Santa Sé devem ser refletidas com muito cuidado. É claro que houve casos de abusos sexuais contra menores praticados por padres. Conhecemos o desastre na Arquidiocese de Boston, por exemplo. No entanto, sabemos que a Igreja tomou providências drásticas para pôr um fim à pedofilia. Entre as medidas levadas a cabo, destaca-se, ainda no pontificado de Bento XVI, o alargamento da prescrição penal canônica, de 10 para 20 anos.

Os crimes de pedofilia, na verdade, são punidos, com o rigor da lei, pelos diversos Estados ou países onde residem os clérigos pedófilos. Cada nação faz atuar seu direito penal próprio. A Santa Sé, ou o Vaticano, não tem como impedir que um presbítero seja processado. Demais, Bento XVI determinou que nenhum bispo deixasse de denunciar um pedófilo às autoridades civis. Outro dado importante a ser considerado, já tantas vezes repisado, é que a pedofilia, desafortunadamente, infecciona outros setores da sociedade, como a própria família desajustada, e não só o ambiente clerical.

O que está por trás desse súbito ataque da ONU? A resposta se encontra no nuperpromulgado relatório da instituição que, além da pedofilia, alude à posição da Igreja contra os denominados casamentos homossexuais e o aborto. Graças à sua soberania, a Igreja, através do sucessor de são Pedro, é a única sociedade no mundo que pode anunciar intrepidamente o evangelho de Jesus Cristo, sem respeitos humanos, conclamando os homens à conversão. Neste sentido, a Igreja ensina que único caminho para a vivência sadia do sexo é a heterossexualidade, no matrimônio. Por outro lado, a Igreja combate o aborto, pois se trata de um dos delitos mais covardes e nefandos que se pode perpetrar.

No fundo, certos setores da ONU desferem contra a Igreja um golpe visivelmente ideológico. Por este motivo, sob o pretexto da pedofilia, tremulam, outrossim, as bandeiras do homossexualismo e do aborto. A soberania da Cidade-Estado do Vaticano constitui um ingrediente imprescindível a favor da vida e da família. Imaginem se o papa fosse um simples súdito de algum país! Ele seria ameaçado o tempo inteiro; ele estaria cerceado no múnus de confirmar a fé dos cristãos e pregar o evangelho.

A pedofilia será cabalmente lancetada, a partir do instante em que os valores cristãos, como o matrimônio, voltarem a vicejar na comunidade. O denominado iluminismo pô-los abaixo, destronou-os, sugando da humanidade a seiva do vigor evangélico.


Edson Sampel, doutor em Direito Canônico, membro da União dos Juristas Católicos de São Paulo (Ujucasp) e da Academia Marial de Aparecida (AMA).