terça-feira, 26 de maio de 2009

Galileu não esteve preso nem morreu na fogueira (2ª Parte)

– Quais foram os erros que a Igreja cometeu em seu julgamento a Galileu? O que se concluiu no trabalho feito pela comissão que João Paulo II criou em 1981 para estudar o caso de Galileu?

– Dom Sánchez de Toca: Quem expressou muito bem isso foi o cardeal Paul Poupard no discurso ao finalizar o trabalho desta comissão, quando, com estas palavras – que no discurso parecem sublinhadas – destacou seu julgamento sobre o que aconteceu: “Naquela conjuntura histórico-cultural, a de Galileu, muito afastada da nossa, os juízes de Galileu, incapazes de dissociar a fé de uma cosmologia milenar, acreditaram que adotar a revolução copernicana, que por demais não estava ainda aprovada definitivamente, podia quebrar a tradição católica e que era seu dever proibir o ensinamento”.

“Este erro subjetivo de juízo, tão claro hoje para nós, conduziu-os a uma medida disciplinar por causa da qual Galileu deve ter sofrido muito. É preciso reconhecer estes erros tal como o Santo Padre pediu.”

Os juízes de Galileu se equivocaram não somente porque hoje sabemos que a terra se move, mas naquele tempo não era possível saber. Por outro lado, a história da humanidade esteve cheia de loucos que afirmavam coisas surpreendentes e depois se revelaram falsas, hoje ninguém se lembra de seus nomes. Se Galileu tivesse proposto uma teoria diferente, hoje ninguém se lembraria dele. Este foi o primeiro erro objetivo.

O cardeal Poupard também fala de um erro subjetivo. Qual foi? Creram que deveriam proibir um ensino científico por temor às suas consequências. Pensaram que permitir o ensinamento de uma doutrina científica que não estava aprovada podia colcoar em perigo o edifício da fé católica e sobretudo a fé das pessoas simples. E creram que era seu dever proibir este ensinamento.

Hoje sabemos que proibir o ensinamento de uma doutrina científica é um erro. Não cabe à Igreja dizer se está provada cientificamente ou não. Corresponde à ciência. O que Galileu pedia é que a Igreja não condenasse o copernicanismo, não tanto por medo à sua própria carreira profissional, mas porque depois, caso se demonstrasse que a terra se movia ao redor do sol, a Igreja se veria em uma situação muito difícil e faria o ridículo diante dos protestantes e Galileu queria evitar isto, porque era um homem católico sincero. E dizia também: “Se hoje se condena como herética uma doutrina científica como a que a terra se move ao redor do sol., o que acontecerá no dia em que a terra demonstrar que se move ao redor do sol? Será preciso declarar heréticos então os que sustentam que a terra está no centro?”. Isso é o que estava em jogo, é muito mais complexo do que se costuma dizer.

– Em que consistiu o castigo de Galileu?

– Dom Sánchez de Toca: Disseram que Galileu havia sido veementemente suspeito de heresia, mas não o declararam herege. Pediram-lhe que abjurasse para dissipar toda dúvida. Galileu abjurou. Disse que ele não havia defendido nem defendeu o copernicanismo. Condenou-se ao índice de livros proibidos sua obra “O diálogo”, foi-lhe imposta uma penitência saudável, que consistia em recitar uma vez na semana os sete salmos penitenciais. Sua filha se ofereceu para fazê-lo no lugar dele, e isso foi o mais humilhante, deveriam enviar uma cópia da sentença e da abjuração a todas as nunciaturas da Europa. Foi condenado à prisão de regime domiciliar. Ou seja, digamos que a condenação objetivamente não foi muito grande. Não esteve na prisão nem um só momento, em atenção à sua fama, à sua idade e à consideração que tinha; foi tratado sempre com grande admiração.

– Quem começou a difundir a lenda negra de que Galileu foi queimado na fogueira?

– Dom Sánchez de Toca: Isso é o bom, ninguém o disse, mas todo mundo acredita. Provavelmente porque se sobrepõem as imagens de Galileu e de Giordano Bruno. Em todo caso, o mito de Galileu nasce com o Iluminismo, que converteu Galileu em uma espécie de promotor do livre pensamento contra o obscurantismo da Igreja, um mártir da ciência e do progresso.

Galileu, na realidade, e isto é o que surpreende muitos, não só não foi queimado nem torturado, mas também foi católico e foi crente a vida toda. Não há nele o mínimo rastro de livre pensador. Não foi um católico exemplar, é verdade, e há momentos de sua vida pouco edificantes, mas em nenhum momento renega sua pertença à Igreja.

Ele o diz, exagerando como faz sempre, em uma carta a um nobre francês: “Outros podem ter falado mais piamente e mais doutamente, mas nenhum mais cheio de zelo pela honra e a reputação da Santa Mãe Igreja do que escrevi eu”. É exagerado, mas, em todo caso, demonstra que é verdade.

– Ele teve duas filhas monjas?

– Dom Sánchez de Toca: Teve três filhos, duas mulheres. Quando mudou-se de Pádua à corte de Toscana, colocou-as em um convento para o qual teve que pedir dispensa, porque eram muito jovens. De uma delas, Irmã Maria Celeste, conserva-se a correspondência entre pai e filha, que é verdadeiramente admirável. Ela era uma mulher extraordinária, muito inteligente, de uma grande perspicácia, grande escritora e há um livro que se baseia no epistolário entre a Irmã Maria e o pai.

Galileu não esteve preso nem morreu na fogueira (1ª Parte)

Entrevista com Dom Melchor Sánchez de Toca, subsecretário do Conselho Pontifício para a Cultura

Por Carmen Elena Villa

ROMA, domingo, 24 de maio de 2009 (ZENIT.org).- A Organização das Nações Unidas declarou 2009 como o Ano da Astronomia, devido à comemoração do 4º centenário do nascimento do telescópio por obra de Galileu. Por que alguns organismos da Santa Sé se unem a esta celebração, se condenaram o famoso astrônomo?

Por este motivo, Galileu Galilei é visto hoje como um “santo leigo”, como um “mártir da ciência” e a Igreja, como a “grande inquisidora” deste gênio da astronomia.

O caso de Galileu é mencionado também no livro “Anjos e Demônios”, de Dan Brown, cujo filme foi lançado mundialmente no dia 13 de maio passado.

Zenit falou com Dom Melchor Sánchez de Toca, subsecretário do Conselho Pontifício para a Cultura e co-autor do livro “Galileu e o Vaticano”, sobre aqueles mitos, assim como as verdades históricas do juízo que a Igreja realizou a este controvertido personagem.

– Falemos um pouco das lendas negras de Galileu...

Dom Sánchez de Toca: Em 9 de maio passado, eu estava dando uma conferência sobre Galileu em Toledo, Espanha, a um auditório formado principalmente por seminaristas e pesquisadores católicos, e comecei dizendo-lhes que muitos se surpreendem ao saber que Galileu não foi queimado na fogueira e nem foi torturado, nem esteve na prisão. Ao terminar a conferência, um dos assistentes me disse: “eu sou um desses, eu sempre pensei que Galileu havia morrido na fogueira”.

O curioso do caso é que na realidade ninguém o disse e nem provavelmente o tenha lido. Simplesmente é o que ele imaginava. Isso demonstra a força tão grande que tem o mito que se construiu em torno de Galileu. Como dizia João Paulo II, a verdade histórica dos fatos está muito longe da imagem que se criou posteriormente em torno de Galileu. Todo o mundo está convencido de que Galileu foi maltratado, condenado, torturado, declarado herege, mas não é assim.

Para dar um exemplo muito recente, o livro de Dan Brown, “Anjos e Demônios”, tem um pequeno diálogo a propósito de Galileu, a quem apresenta como um membro da seita dos Illuminati e contém um monte de erros históricos junto a outras coisas que são corretas.

– Podemos falar desses erros históricos de “Anjos e Demônios” com respeito relação ao tema de Galileu?

– Dom Sánchez de Toca: Na realidade, o livro se refere a estereótipos que estão muito difundidos. O problema de fundo deste livro é a mistura de ideias filosóficas e científicas. A trama vem a dizer que o professor e sacerdote Leonardo Vetra é assassinado por uma seita porque descobriu o modo de tornar compatíveis a fé e a ciência; mais ainda, diz que a física é o verdadeiro caminho para Deus. Estas são ideias que se difundem muito, porque conseguiu, no laboratório, criar matéria do nada. Isso é um absurdo, filosoficamente falando. Fisicamente é impossível o que propõe, porque do nada não sai nada. Pode-se criar matéria a partir do vazio, mas o vazio não é o nada, o vazio é, enquanto o nada não é. É um princípio filosófico elementar.

Esta tese diz que a física representa um caminho melhor e mais seguro para chegar a Deus. Logo, com relação a Galileu, concretamente, apresenta o estereótipo habitual, segundo o qual ele foi condenado por ter demonstrado o movimento da terra.

Galileu dizia, e nisso estavam de acordo seus juízes, que não pode haver contradição entre o livro da Bíblia e o livro da natureza, porque um e outro procedem do mesmo autor. O livro da Bíblia, inspirado por Deus, e a natureza, observante executora de suas ordens. Se têm o mesmo autor, não pode haver contradição. Quando surge uma aparente contradição, significa que estamos lendo mal um dos dois livros e ele diz: é mais provável que sejamos nós que nos equivoquemos ao ler o livro da Bíblia – porque o sentido das palavras da Bíblia às vezes é recôndito e é preciso trabalhar para extraí-lo – que equivocar-se ao ler o livro da natureza, porque a natureza não se equivoca.

Uma verdade natural, cientificamente demonstrada, tem uma força maior que a interpretação que eu dou do livro da Bíblia. Portanto, diz ele, em presença de uma verdade científica demonstrada, terei de corrigir o modo de interpretar a Bíblia. A Bíblia não se equivoca, mas quem a interpreta se equivoca. Um critério claro compartilhado por seus juízes e por todo o mundo.

O Concílio de Trento, por outro lado, dizia que, na leitura da Bíblia, era preciso seguir a interpretação literal da Bíblia e o consenso unânime dos Padres da Igreja, a menos que houvesse uma verdade demonstrada que nos permitisse fazer uma leitura espiritual ou alegórica. O critério era muito claro: o que ocorre é que Galileu pensou que estava a ponto de conseguir a demonstração do movimento da terra. Uma coisa é estar convencido de que a terra se move e outra coisa é demonstrar que a terra se move. Galileu nunca demonstrou que a terra se movia. Estava convencido disso e hoje sabemos que tinha razão, mas seus juízes lhe diziam que não viam por que tinham de mudar o modo de interpretar a Bíblia, sobretudo quando o bom senso diz o contrário, sem uma prova definitiva. Os juízes de Galileu adotaram uma posição de prudência. Galileu foi além. Qual foi o erro dos juízes de Galileu? Deveriam ter se abstido de condená-lo.

– Como foi, na verdade, o julgamento de Galileu?

– Dom Sánchez de Toca: Fundamentalmente, Galileu foi processado em 1633 por ter violado uma disposição que lhe foi feita em 1616. A disposição de 1616, que Galileu não cumpriu, proibia-o de ensinar o copernicanismo, ou seja, a doutrina que diz que o sol está no centro e a terra se move ao redor dele.

Galileu pensou que a proibição não era tão rígida, sobretudo depois da eleição do Papa Urbano VIII, e publicou um livro no qual, sob a aparência de um diálogo no qual se expõem os argumentos a favor e contra, tanto do sistema ptolomaico como do copernicano, na realidade se escondia uma apologia declarada do sistema copernicano. Não só isto, era já fraudulentamente o imprimatur, enganou a quem o concedeu dizendo que era uma exposição imparcial, mas não era nada imparcial. Por este motivo foi acusado e, portanto, submetido a processos, ou seja, submetido a um processo disciplinar.

Galileu nunca foi condenado como herege, nem tampouco o copernicanismo foi declarado como herético. Simplesmente foi declarado contrário à Escritura porque sobre a base das provas que existiam então não era possível demonstrar o movimento da terra e, portanto, dizer que a terra se movia parecia ir contra a Escritura. Foi muito significativo que em 1616 um grupo de especialistas declarasse que a doutrina segundo a qual a terra se move ao redor do sol era absurda e isso se entende perfeitamente no contexto da época, porque não se podia demonstrar e o bom senso dizia que o sol se põe e sai.

Sem uma física como a de Newton, sem uma prova ótica como o movimento da terra, a coisa parecia absurda.

Nós crescemos desde pequenos vendo modelos e imagens do sistema solar, mas o fato é que ninguém viu a terra mover-se ao redor do sol, nem sequer um astronauta. Temos provas óticas do movimento da terra, mas ninguém viu a terra mover-se. Por isso nos parece que a atitude dos que condenaram Galileu é exagerada, mas na realidade responde a uma lógica.

– E responde não somente ao que a Igreja pensava, mas a sociedade em geral...

– Dom Sánchez de Toca: Naturalmente. O copernicanismo encontrou uma grande oposição, principalmente nas universidades. Teve uma aceitação muito gradual e a oposição não foi só na Igreja Católica. Também as igrejas protestantes se opuseram a Copérnico. E ainda, em 1670, a universidade de Upsala, na Suécia, condenou um estudante porque havia defendido as teses copernicanas.

EUA. Futuro para o Catolicismo?

Com os diversos acontecimentos que se seguem rápido e sorrateiramente nos EUA, tive a curiosidade de procurar um pouquinho de história da Igreja naquele lugar. Inicialmente estava esperando uma Igreja que por muito tempo tentou se estabelecer mas nunca conseguiu e acabou se sucumbindo contra a ortodoxia. Ledo engano.


Eu sinceramente não sabia o que os EUA nos reservava.


Tive a grata satisfação de descobrir que o clero dos EUA, mais especificamente no período que vai do final do século XIX até o Vaticano II, tinha um apostolado bem aguerrido e agressivo (no melhor sentido da palavra). De universidades a jornais de circulação paroquiais as iniciativas eram pulsantes. Isso impressionava a já "morta" Europa que se acomodou em sua posição cristã e não procurou continuar o seu fervor de outrora. Esse clero, que tinha um alto padrão intelectual, nos idos da década de 1950, era alvo de grande respeito até dos ministros protestantes.


Concomitantemente também no Brasil, com o início da república, começava-se a ter um clero e um laicato de elite (Jackson de Figueiredo, Carlos de Laet, Tristão de Athayde na primeira fase, Gustavo Corção, Plinio Corrêa de Oliveira, Pe. Penido, Pe. Leonel Franca, o então Pe. Antonio de Castro Mayer, o então Pe. Sigaud etc). Depois dos anos 60 sobraram poucos. Claro, tínhamos algo no Império, mas o regalismo acabava por impor-se à Igreja.


Atualmente temos alguns Bispos e padres valorosos, mas são poucos os intelectualmente “agressivos”. Por outro o laicato parece despertar e estamos formando bons líderes para o futuro.


Voltando ao apostolado nos EUA, a figura de D. Fulton Sheen nos parece simbólica desse período e desse método positivamente agressivo.


De certa forma, para muitos está claro que os EUA e o Brasil, cada qual por um motivo distinto, indicam serem nações importantíssimas para o futuro da Cristandade (além da África, claro). O Brasil e os EUA mostram todos os indícios de que ocuparão postos-chave para uma evangelização e uma cristianização das estruturas temporais que seja eficazes em um período não muito distante. Que Deus assim nos permita.


Talvez por isso Satanás nos ataque tanto! São países que vem sendo atingidos profundamente em sua fé e isso faz, como sempre fez, com que os Católicos (os de verdade e não os da boca-pra-fora) procurem sua ortodoxia. Não é tempo de ficar em cima do muro.


A história da Igreja do Brasil entre o final do Império e o começo dos anos 60 é instigante. Quantos homens valorosos, quantas iniciativas interessantes. Eles se preparavam para trilhar o caminho que a Providência quer para o país desde seu nascimento com um Missa. O mal, certamente, atuou para atrapalhar esse desenvolvimento e continua atuando.


No caso dos EUA, num outro contexto, havia um ambiente semelhante quanto a qualidade.


Só uma causa sobrenatural pode explicar a desgringolada que levou de uma imagem de padres fortes e espertos, como a que temos em Boys Town com Spencer Tracy ou Going My Way com Bing Crosby, para a de enrolões com desvios sexuais.


Entretanto, a força da Igreja nos EUA continua e continua forte.


Certa vez fiquei admirado com um texto de Bento XVI, onde ele dizia que os EUA eram uma das bases para o futuro da Igreja. Como poderia? Mas depois de conhecer a realidade de lá com mais concretude, viu que a impressão do então cardeal era plausível. Os bons seminários estão cheios, há mais espaço para o rito tradicional e, nos últimos anos, leigos e sacerdotes se juntaram para fundar novas instituições de ensino (que já são conhecidas pelo alto nível e por serem um celeiro de vocações sacerdotais ou de formação de jovens famílias), purificadas do liberalismo que atingiu as antigas universidades católicas como Notre Dame, alvo dos noticiários de dias atrás.


A FSSPX também tem uma instituição de ensino superior nos EUA (e em torno dela surgiu espontaneamente uma cidade): http://www.smac.edu/


A força do catolicismo nos EUA, na verdade, é impressionante. As vocações dos Legionários de Cristo só aumentam. As equipes de leigos do Regnum Christi também. A FSSPX (e também o ICR, embora esse tenha suas bases de recrutamento mais na Alemanha e na Áustria) cresce violentamente também naquelas terras.


É impressionante também como outros grupos tradicionalistas ligados à Santa Sé são fundados lá, como os Cônegos Regulares de São João Câncio, paróquias inteiras de rito tradicional (em quase toda diocese tem uma ou mais de uma).


Também é muito fácil achar Missas no rito romano moderno que sejam respeitosas: muitas em latim e versus Deum! Que coisa, não?


A TFP de lá tem apoio de muitos Bispos, que usam batina. O Opus Dei também é forte. Dan Brown que o diga!

Por conta da tradição comunitária protestante, as paróquias católicas acabam por ser verdadeiras comunidades onde se partilha as coisas, a fé, se nutre amizade, e se desempenha normalmente o apostolado ordinário (e nisso devíamos nos espelhar neles, mas com as paróquias que aqui temos...)


Podemos citar também as seguidas conversões de protestantes, incluindo bispos anglicanos e paróquias inteiras deles. Disso tem-se notícias toda semana. Claro que não pela grande mídia, não ouso pensar em ver uma notícia dessa no JN, mas em outros meios ficamos sabendo de detalhes.


Deus nos guarde e nos dê o fervor e a agressividade (positiva) de tantos missionários de poucos séculos atrás.


Nossas paróquias e comunidades só serão vivas se estiverem juntas do Santo Padre e em plena obediência à doutrina da Igreja e em conformidade com as leis litúrgicas.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

O JN e os padres e freiras da Irlanda.

Ontem estava vendo o Jornal Nacional,esperando mais uma vez algum absurdo, como sempre, e percebi que não estava errado. Minha empreitada foi certeira.

Logo na chamada inicial ouvi "Padre e freiras da Irlanda são acusados de abusar de mais de 2000 crianças". Logo pensei em abuso sexual. Aliás acho que era esse mesmo o intuito de quem fez a manchete. Mas parei pra pensei 2 segundos sobre a manchete e vi que não poderia ser. 2000 crianças? Esse povo não tinha mais nada o que fazer a não ser molestar os outros. Deve ser outra coisa, pensei eu.

E era outra coisa mesmo. A notícia remetia 60 anos atrás. É um acúmulo de 60 anos e não se tratava especificamente de abuso sexual. Eram agressões, em sua maioria, advinda de orfanatos.

A matéria foi relativamente rápida e não explicou muita coisa. Disse que a Justiça havia proibido informar nomes entre outras coisas meio estranhas. Estranhas como o fato como um todo.

Como tudo estava meio obscuro (depois a Igreja é que é obscurantista) resolvi pesquisar um pouco sobre o assunto. Cheguei a conclusões interessantes sobre o assunto e vi que, mais uma vez o JN falou tudo errado. Vamos aos fatos:

Vamos aos fatos, resumindo o que falei na outra Católicos:

- Os orfanatos da Irlanda eram em sua maioria da Igreja, o Estado não mantinha os seus próprios mas sim mantinha um convênio com a Igreja para enviar as crianças para os orfanatos que já eram da Igraja.

- O universo é de 2000 reclamações dum total de 150.000 crianças atendidas num período de 60 anos. Isso dá em torno de 1,5%. É melhor do que a FEBEM, por exemplo.

- Os orfanatos não eram administrados por padres. A congregação masculina (sigla CFC, não existe no Brasil) que cuidava dos orfanatos de meninos só possuía irmãos leigos (não clérigos) com os três votos. A congregação feminina era a das Irmãs da Misericórdia. Logo, não houve abuso por parte de padres.

- Os orfanatos eram lotados por razão de uma lei de 1941 que proibia pais/mães solteiros de manterem a guarda e educarem e criarem seus filhos. E, ainda por cima, tinha um problema legal que impedia o pai/mãe de requisitar a custódia de volta se este casasse, porque tinha de ter a assinatura de ambos os pais (se o outro cônjuge sumiu ou morreu, não podia, e a criança ficava presa no orfanato até a maioridade). Essa lei só caiu em 1990.

- As investigações começaram em 2000. Em 2002 criou-se o comitê para avaliar os pedidos de indenização. Em 2004 os Christian Brothers processaram o governo para manter em sigilo os nomes dos abusadores. Agora em 2009 saiu o relatório de 2600 páginas.

Duas coisas precisamos esclarecer:

Primeiro:

Os motivos oficiais para a criação de uma lei como essa, são os de que crianças sem família unida e que cujo pai/mãe solteiro não tenha condições financeiras razoáveis de criá-los, têm propensão a se tornarem criminosos. Isso é fato, não está em discussão.

Isso numa Irlanda do final dos anos 30 e inicio dos 40, havia o trauma de duas grandes guerras. Em 1941 a Irlanda foi bombardeada repetidamente. Fora a Guerra Santa que por lá nunca acaba.

Nesse cenário (ponha-se dentro dele, é importante pra compreender a mentalidade da época) é que a Lei de Proteção à Família foi aprovado. A Coroa precisava de mão de obra semiescrava (e crianças naquela época não tinham direitos, eram considerados força de trabalho) já que a força de trabalho habitual estava às armas.

Por isso mesmo, e aí vêm os motivos extraoficiais, a Coroa não queria famílias separadas para não ter gastos extras ou excessivos. Pais separados, as crianças vão para o orfanato que a Igreja vai dar de comer e educar à elas muito mais barato do que pagar welfare e ter de contratar assistente social para ficar fiscalizando se as crianças estão sendo bem tratadas - época de guerra, toda a verba possível vai para o exército, estão lembrados. O Tesouro de Sua Majestade em si não tinha como ficar sustentando o maquinário do Estado e do bem-estar social e nem ficar sustentando filhos de pais separados.

Segundo:

É preciso lembrar que a forma de educação dos anos 30, 40, 50 não eram as mesmas de hoje. Isos em lugar nenhumd o mundo. Por que lá seria diferente? Já ouviram falar em palmatória? Pois é, hoje é uma agressão que pode ser adjetivada como espancamento na Justiça. Na década de 30 era comum e uma forma muito respeitada e aprovada pelos pais.

Os crimes aconteceram entre 1930 3 1990, ou seja, estão prescritos e isso o JN não explicou quando disse que ninguém vai fazer nada e quando não explicou o porque de não divulgar nomes.

Ainda por cima, no frigir dos ovos, não há provas (só testemunhos e relatos). Sem provas não se condena ninguém, isso é básico do Direito, tudo pode não passar de difamação, como na verdade acredito ser. Tanto que a Suprema Corte Irlandesa deu ganho de causa à congregação dos irmãos cristãos para que os nomes fossem mantidos em sigilo.

A Coroa mesmo assim, de boa vontade e para pacificar suas relações com as possíveis vítimas, resolveu compensar financeiramente os reclamantes, por causa de sua omissão em fiscalizar e em investigar as denúncias originais. Portanto de quem é a culpa? Um doce para quem adivinhar.

Antes que me perguntem vou responder: quanto à punição eclesiástica, os sujeitos não eram clérigos mas sim irmãos leigos, não se incluíam nas leis eclesiásticas que punem tais comportamentos contra o sexto mandamento por parte dos clérigos. Tem que ir pela lei civil mesmo e só ela.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Arcebispo italiano proibe comunhão direto na mão

BOLONHA, 10 Mai. 09 / 11:27 pm (ACI).- O Arcebispo de Bolonha, Cardeal Carlo Caffarra, decidiu proibir a comunhão na mão em três Igrejas de sua jurisdição e pediu aos sacerdotes muita cautela para evitar que se sigam cometendo abusos contra a Eucaristia.

Conforme informou a imprensa local, o Escritório de Pastoral das Comunicações Sociais da Arquidiocese de Bolonha publicou um comunicado oficial com as novas disposições do Cardeal.

O texto recorda que há vinte anos, em 1989, "entrava em vigor a resolução da Conferência Episcopal Italiana, que autorizava, com a aprovação da Santa Sede, a distribuição da Sagrada Comunhão na mão".

Entretanto, precisa que nos últimos tempos se receberam notificações de graves abusos sobre esta decisão pelo que o Cardeal Caffarra decidiu que na Catedral de São Pedro, a Basílica de São Petrônio e o Santuário da Virgem de São Lucas, "a comunhão se distribua aos fiéis unicamente sobre a língua".

Segundo uma carta do pró-vigário geral de Bolonha, Dom Gabriele Cavina, originaram-se "graves abusos", porque "existem pessoas que levam as Sagradas Espécies para tê-las como 'souvenires'", "quem as vende", ou pior "quem as leva para profaná-las em ritos satânicos".

O sacerdote explicou que, "por desgraça, se repetiram casos de profanação da Eucaristia aproveitando a possibilidade de receber o Pão consagrado na palma da mão, sobre tudo, mas não exclusivamente, nas grandes celebrações ou nas grandes Igrejas que são lugares de passagem de numerosos fiéis. Por este motivo é bom para controlar o momento da Santa Comunhão a partir do cumprimento das normas comuns por todos bem conhecidas".

O Cardeal Caffarra pediu que durante as Missas, "os servidores ajudem ao Ministro, na medida do possível, vigiando para que cada fiel, depois de ter recebido o Pão consagrado o consuma imediatamente ante o Ministro e por nenhum motivo seja levado dali, ou colocado no bolso ou em sacos ou em qualquer outro lugar, ou caia no chão e seja pisado".

Fonte: http://www.acidigital.com/noticia.php?id=15940


"quem as leva para profaná-las em ritos satânicos".

Cada vez que isso acontece prova-se mais e mais a Presença real de Jesus na Eucaristia. Se o Cristo não estivesse na Hóstia Consagrada, não roubariam para leva-lO à rituais satânicos, o carrancudo não iria perder seu tempo assim, a toa.

A comunhão diretamente na boca é sempre a preferível mas, infelizmente o que é direito, não se negocia. No Brasil, é possível distribuir a comunhão aos fiéis tanto na boca, como na mão, estando eles de joelhos ou em pé, a preferência vem de cada fiel e deve ser respeitada, pois se trata de direito dele. Não cabe ao ministro (ordinário ou extraordinário) decidir só pelo seu gosto pessoal.

Contudo, quando a autoridade diocesana restringe a comunhão na mão, baseada em situações concretas, age amparada pela legislação e com total bom senso. Também os ministros ordenados ou não, em caso de prudente dúvida, pode negar a comunhão na mão, mas, repita-se, não pode ser por gosto pessoal, e sim, por risco real de profanação.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Comissão de liberdade religiosa vigia a Venezuela pela primeira vez.

Recebemos ontem a informação de que a Comissão de liberdade religiosa vigia a Venezuela pela primeira vez. Não é tão espantoso assim por parece que isso já era uma carta lançada. Sabe aquela história de “eu falei que isso ia acontecer!”, pois é, aconteceu.

O Presidente da Comissão Americana sobre Liberdade Religiosa Internacional, Felice Gaer, apresentou no dia 1º de maio o Informe Anual 2009 sobre as violações da liberdade religiosa no mundo. Claro que essas violações não são poucas, mas, pela primeira vez na história, a Venezuela se encontra entre os países vigiados. Penso que isso se deve a alguém com nome e sobrenome bem conhecidos.

Segundo o Presidente da Comissão Felice Gaer, este informe foi publicado em “um momento crítico”: “com os extremistas associados aos talibãs avançando 60 milhas da capital paquistanesa Islamad na semana passada, a relevância de nosso trabalho é cristalina”.

“De fato, um ponto de atenção chave da comissão durante este período informativo é a ameaça que este extremismo religioso supõe para a liberdade de pensamento, consciência, religião e crença em todo o mundo, e para segurança global e regional.”

Três das quatro audiências públicas da Comissão examinaram este tema visando as políticas para o Sudão, Bangladesh e Paquistão.

A capa do informe destaca as mulheres paquistanesas que levantaram-se em protesto contra estes grupos extremistas violentos que naquele país estão agindo. Suas assinaturas estão escritas em urdu e protestam contra o fanatismo religioso e a destruição sistemática de escolas femininas, das quais se informa que já foram demolidas 150. A Comissão documentou como o aumento do extremismo leva a abusos dos direitos humanos.

Este ano, em suas conclusões, a comissão recomendou que 13 países sejam designados como de especial preocupação. Estes países são Mianmar, China, Eritréia, Irã, Iraque, Nigéria, Coréia do Norte, Paquistão, Arábia Saudita, Sudão, Turcomenistão, Turquia e Venezuela. Seis deles são novos: Laos, Rússia, Somália, Tadjiquistão, Turquia e Venezuela.

O que nos assusta é que nos outros “novos” país a distância física ainda é grande e não se trata de uma novidade tão grande dizer que a Rússia, por exemplo, está violando direitos de liberdade de religião. Entre a lista de países de especial preocupação e a lista de países em observação, a comissão nomeou seis novos países que se acrescentam à lista de países que violam severamente a liberdade religiosa.

A Comissão se preocupa já que, depois de mais de uma década, o Departamento de Estado não tenha implementado – ou estão precárias – as medidas chave da Lei de Liberdade Religiosa Internacional de 1998, que criou a comissão e sua atividade. “Tanto as administrações democráticas como as republicanas não utilizaram adequadamente os importantes componentes desta legislação”, afirmou Gaer.

Segundo Gaer, nomearam só oito países no ano passado. E nos dez anos desde que a Lei existe, não há mais que 10 ou 12 países que tenham sido designados. Dos oito designados em janeiro passado, nos últimos dias da anterior administração, só um recebeu uma sanção: Eritréia. Outros dois receberam dispensas que evitam uma ação dos Estados Unidos: Arábia Saudita e Uzbequistão. A Comissão espera que a nova administração adote um novo enfoque das ações presidenciais sob a Lei de Liberdade Religiosa Internacional, acabando com a prática de sanções que não se referem a violações específicas da liberdade religiosa.

Na apresentação do informe, os membros da comissão se referiram a vários países nesta situação, como o Vietnã, um país de especial preocupação, e Bangladesh, um país que costuma estar na lista de observação.

Nossa preocupação com a Venezuela é a presença física muito próxima com o Brasil e a frouxidão com que o governo federal brasileiro lhe dá com os países da América do Sul. Hugo Chaves vem crescendo flagrantemente frente ao mundo e o Brasil assiste calado e dá apoio a verdadeiras barbaridades não só políticas como as que atingem frontalmente nossa religião.

O socialismo, sistema que Hugo Chaves tenta confessadamente implantar, sempre afirmou que a primeira coisa a se fazer para que uma implementação do socialismo tenha sucesso era a destruição da Igreja Católica. Não é novidade de Gramsci falava isso.

O câncer do ataque à Igreja se alastra como se estivesse em metástase. A Venezuela já é um país totalmente contaminado e doente. O Brasil está ao seu lado. Se profilaxias não forem feitas imediatamente, esse câncer se instalará de uma vez por todas no Brasil, coisa que já vem dando sinais a muito tempo de que vem acontecendo.

quinta-feira, 26 de março de 2009

A IGREJA CATÓLICA CONFESSOU QUE ERROU.

Existe uma série de mentiras deslavadas que são lançadas na internet contra a Igreja. Qual Igreja, ora, a única. Não vou mais em meus textos por aqui ficar dizendo Igreja Católica, é Igreja e pronto. Uma dessas mentiras deslavadas que são jogadas em nossa cara todas as vezes que entramos em qualquer discussão em defesa da Igreja é a de que, por intermédio de João Paulo II, a Igreja teria confessado oficialmente que errou. Mentira!

Muita gente já rebateu o texto desse indivíduo mas eu ainda não, então vamos lá à argumentação. Vou colar apenas um excerto do texto e quem quiser dá um pulinho link e se enojem a vontade:

"O que acontece é que a Igreja Católica Apostólica Romana admite oficialmente que errou, que a salvação não é obtida pelas boas obras. Atenção: segundo o acordo, ambas as partes passam a professar que a salvação decorre da graça de Deus e não das boas obras. Segundo: só se chega à salvação pela fé. Terceiro: embora não levem à salvação, as boas obras são conseqüências naturais da fé; em outras palavras, o cristão faz boas obras, não para se salvar, mas como um testemunho de fé. Isso foi tudo o que a igreja protestante pregou até hoje e agora a igreja católica vai assumir que estava errada e vai passar a pregar isto. Porém, esta notícia que parece ótima, na verdade encerra alguns problemas muito graves. Por exemplo, a salvação decorre da graça de Deus e não das obras. Este ponto é gravíssimo e eu quero ver como a igreja católica resolverá o problema do purgatório, a questão da missa do sétimo dia, a questão da missa da intenção das almas. Eles terão que parar com isso, porque se a salvação decorre pela fé e não pelas obras, eles não poderão mais rezar missa em intenção da alma de ninguém." Pr. Juanribe Pagliarin. (http://www.pregadoresdotelhado.org.br/extras/a_igreja_catolica_confessou.php)

Agora vamos entender a história de verdade.

A Igreja nunca mudou sequer uma vírgula do seu ensinamento, por nós chamado magistério. Quem dirá tenha confessado algum erro, o que seria impossível devido a todo o ensinamento que temos e sabemos que Jesus tenha deixado à sua santa e una Igreja.

Já há mais de 20 séculos a verdade suprema ensinada na Igreja é a salvação pela graça. Temos um indivíduo chamado Lutero que resolveu, de uma hora pra outra querer mudar isso, mas ai já é outra história. O primeiro Papa, São Pedro, assim designado nominalmente pelo próprio Deus Filho, Jesus Cristo, disse: "Nós cremos que pela graça do Senhor Jesus seremos salvos, exatamente como eles." (At 15,11). O Catecismo da Igreja Católica, dedicado pelo Papa João Paulo II à Igreja menciona que "Nossa justificação vem da graça de Deus. A graça é favor, o socorro gratuito que Deus nos dá para responder a seu convite: tomar-nos filhos de Deus, filhos adotivos participantes da natureza divina, da Vida Eterna." (1996).

Já o Sr. Que se autodenomina “pastor” Juanribe Pagliarin, adepto do “somente a fé” (sola fides) que salva, advinda do excomungado Lutero, agora derrapa dizendo: “Isso foi tudo o que a igreja protestante pregou até hoje...”. – Fala sério! Não era o “somente a fé” que salva, que esse povo pregava e continua pregando, “mesmo praticando fornicação e assassinatos milhares de vezes ao dia”? Dizia Lutero, fundador do protestantismo, baseado no seu “somente a fé”:

“... Seja um pecador e peque fortemente, mas creia e se alegre em Cristo mais fortemente ainda...Se estamos aqui (neste mundo) devemos pecar...Pecado algum nos separará do Cordeiro, mesmo praticando fornicação e assassinatos milhares de vezes ao dia”. (Carta a Melanchthon, 1 de agosto de 1521 (American Edition, Luther's Works, vol. 48, pp. 281-82, editado por H. Lehmann, Fortress, 1963).

Essa "fé" que Lutero tanto pregou em vida, apesar de dirigida pela vontade, é um ato do intelecto. Apesar de necessária à salvação, não é suficiente e sabemos bem disso. Tiago diz que até mesmo os demônios têm esta fé (Tg 2,19). Não poderia deixar de ser. Lembro-me de uma expressão que dizia que crer em Deus até o diabo crê, e como crê. Aliás é o que mais crê. É por este motivo que Tiago diz: "Vedes como o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé?" (Tg 2,24). Infelizmente, Lutero designou esta carta do Apóstolo de "Carta de Palha". Claro, caso contrário não poderia justificar sua loucura. Ele não compreendeu absolutamente nada do que Tiago estava querendo dizer (sobre a fé de Abraão): "Vês como a fé cooperava com as suas obras e era completada por elas" (Tg 2,22). Através do erro do pai do protestantismo, as seitas protestantes até hoje, pregam que seus seguidores já estão “salvos” só porque simplesmente “crêem” em Jesus. Fácil né? Se assim fosse, iriam encontrar com Lúcifer no céu.

Mas vamos ao que interessa. A Igreja Católica é a que estava no princípio. Tens dúvida? Vejamos então:

Santo Inácio, que conheceu São João, autor do Apocalipse, dizia: “Onde estiver o bispo, está o povo, assim como onde está Jesus Cristo, está a Igreja Católica”. ( Sto. Inácio de Antioquia, Carta aos Esminenses, 8, ano 106 d.C.).

Muito antes de Constantino pensar em existir e de Teodósio imaginar oq eu era ser imperador, já dizia São Cipriano no ano 249: “Estar em comunhão com o Papa é estar em comunhão com a Igreja Católica.” (Epist. 55, n.1, Hartel, 614); “E não há para os fiéis outra casa senão a Igreja Católica.” (Sobre a unidade da Igreja, cap. 4); “Roma é a matriz e o trono da Igreja Católica.” (Epist. 48, n.3, Hartel, 607).

O Historiador Optato de Milevi, no ano 367, registrou: "Na cidade de Roma, quem por primeiro se sentou na cátedra episcopal foi o Apóstolo Pedro, ele que era a cabeça de toda a Igreja, (...) Os apóstolos nada decidiam sem estar em comunhão com esta única cátedra (...) Recorde a origem desta cátedra, todos que reinvidicam o nome da Santa Igreja Católica..." (O Cisma Donatista 2:2).

Quinze séculos depois me vieram com essa balela de que a Igreja Católica não é a Igreja de Cristo e que ela pode errar e todas as babozeiras que já conhecemos. Vinte e um séculos depois continuam querendo nos enganar. Dizia Santo Agostinho, nascido em 354, antes do “381” do nosso afamados “pastor”: “Eu não acreditaria no Evangelho, se a isto não me levasse a autoridade da Igreja Católica." (Sto. Agostinho, Contra epistulam Manichaei quam vocant fundamenti, 5,6).

A Igreja Católica não erra por um simples fato: é a Igreja de Cristo (Mt. 16,18 ss). Será porque que nenhum protestante consegue me interpretar essa passagem. Quem erra são as pessoas a frente da Igreja, mas nunca a Igreja. Qual a diferença? Várias. O Papa não erra em questões de fé e moral. Os dogmas são questão de fé. É tudo uma questão de lógica simples. Não precisa nem queimar muita massa cinzenta pra entender.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Bart Jabor.

Sinceramente eu não consegui me segurar. Essa eu tinha que divulgar aqui. Como diz a chamada para as charges do site Veritatis Splendor "uma imagem vale mais que mil palavras". É mais pura verdade. Que o mitigado Arnaldo Jabor realmente procure estudar um pouquinho, só um pouquinho, não precisa nem ser muito, antes de falar as asneiras que normalmente fala.

Ah, e isso serve para muita gente por ai viu. Nada de ficar achando que é só com ele não. Muita gente tem que penar meia vez antes de abrir a boca, porque quando abre só sai besteira. Vide nosso maior exemplo: Presidente Lula.

Emerson H. de Oliveira está de parabéns. Ai vai:


segunda-feira, 9 de março de 2009

Excomunhão Latae sententiae e Ferendae sententiae. Inutilidade da imprensa brasileira.

Na semana passada o caso da menina pernambucana de 9 anos que foi vítima de estupro e acabou grávida de gêmeos que foram, por sua vez, assassinados (abortados), foi a salvação da mídia brasileira em termos de IBOPE. Afinal, sabemos, atacar a Igreja é sempre um bom material. Interessante como eu mesmo iniciei falando de uma menina de 9 anos, estuprada, cujos filhos gêmeos foram assassinados (abortados), e acabo mencionando sempre a Igreja ao final.

Foi exatamente isso o que aconteceu semana passada. O show em que a mídia incorreu o caso foi digno de aplausos (sarcásticos).

Tudo aconteceu porque a Igreja, através do Arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, falou à imprensa sobre a excomunhão dos envolvidos no abordo, com exceção da menina de 9 anos, obviamente.

É obvio que seria muito pedir para a imprensa brasileira explicar que nesse caso o Bispo não precisaria nem mencionar nada sobre a excomunhão porque os envolvidos estão automaticamente excomungados. Seria um absurdo exigir da imprensa que explicasse a diferença entre excomunhão latae sententiae e excomunhão ferendae sententiae.

Acho que seria demais pedir uma explicação a eles sobre isso não é? Aliás, será que eles sabem a diferença. Em todo o caso, sabendo eles ou não vamos dar uma explicação bem rápida dessa diferença:

Ferendae sententiae - dada por um juiz após o julgamento do caso.

Latae sententiae – em palavras rápidas é a excomunhão automática.

O aborto incorre em excomunhão latae sententiae conforme se verifica no cânon 1398 do Código de Direito Canônico:

Cân. 1398 Quem provoca aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae.

Acho que mais claro do que esse cânon é meio impossível.

Pois então, o Bispo só quis deixar clara a posição da Igreja sobre o assunto, o que, na minha opinião faz muito bem, mesmo em casos de excomunhão latae sententiae. Isso devia ser feito por todos os Bispos em uníssono em casos como o dos comunistas (Lula) e os abortistas em geral. Penso que a Igreja deve ter seus filhos muito bem marcados, como Deus determinou que fosse feito quando levou os primogênitos do Egito. Mas isso é só a minha opinião. A Igreja sabe o que melhor fazer nesses casos e age bem conforme seus discernimentos.

Tivemos o infame Arnaldo Jabor, seria um pouco de pretensão minha que ele descesse do altar em que se coloca para ler esse texto, mas seria ótimo. Esse indivíduo que critica sem ter a mínima ideia (sem acento) do que fala, e isso não é privilégio da religião, afirmou que a lei de Deus não pode ser a mesma Lei escrita por homens: vide: http://colunas.jg.globo.com/arnaldojabor/2009/03/05/arnaldo-jabor-condena-excomunhao-em-olinda/

Grande cronista esse que sequer sabe interpretar um texto. É certo que esse texto é de grande complexidade e que outras coisas deveriam ser interpretadas e entendidas por ele antes de ousar pegar um texto bíblico, mas acho que isso seria demais para uma mente tão pouco abrangente que só sabe criticar sem encontrar alternativas.

Em todo caso ai vai a sua explicação Arnaldo Jabor:

As penas latae sententiae, assim como toda a lei eclesial (que quer dizer da Igreja, tá?) não estão prescritas por Deus; são delineadas pela autoridade da Igreja (Católica, claro) que tem o poder de ligar e desligar (Mt. 16, 19). São penas de Direito eclesiástico. Se o Papa quiser, retira a pena latae sententiae para o caso de aborto, mas a Igreja julga que deve existir por algum motivo. Independente das penas de Direito eclesiástico, há as de Direito divino, isto é, a pena eterna e a pena temporal.

Agora vamos aos argumentos mais diretos. Me digam porque a vida de uma mãe, não interessa a idade, vale mais do que a de uma criança que está por nascer. Uma não vale mais que a outra. No caso de precisar escolher, que a escolha seja feita para salvar a que tem mais condições de sobreviver, independente se está dentro ou fora do útero.

Essa história de que a menina poderia morrer está extremamente mal contada. Isso porque já estava com aproximadamente 4 meses de gestação e nenhum documento médico, até o momento foi divulgado. Apenas foram divulgados falatórios.

Não foi divulgado, também , que a mãe é absolutamente analfabeta. Claro que seria facilmente convencida de qualquer coisa para salvar a vida da filha e não iria pedir nenhum documento médico para provar o que lhe falavam, e mesmo se pedisse não iria conseguir ler. O pai é semi-analfabeto e também disse, assim como a mãe que só autorizaria o aborto porque sua filha corria risco. Mais uma vez afirmamos não haver prova nenhuma disso.

O Pe. Edson Rodrigues, que primeiramente acompanhou o caso, escreveu no site da Editora Cléofas relatando cada momento do acontecido. Tal relato pode ser lido em: http://www.cleofas.com.br/virtual/texto.php?doc=OPINIAO&id=opi0441

Muitas meninas já foram vítimas do mesmo crime acontecido e levaram a gravidez adiante. Por vezes foram meninas até mais novas. Por outro lado, por séculos, a menstruação era sinal de que a menina já podia contrair núpcias. Isso nunca foi impedimento para que meninas de 9, 10, 11 anos se casassem e tivessem não um, mas vários filhos antes dos 16 anos. Muitas morriam, isso é certo. Mas hoje também morrem, independente da idade.

Vários são os casos recentes e reais de gravidezes precoces levadas adiante, vejamos:

Mãe aos nove anos de idade - http://diario.iol.pt/noticia.html?id=704881&div_id=4071

A incrível história de Lina Medina a menina peruana que entrou para a história da Medicina por ter sido mãe aos 5 anos há mais de seis décadas vive hoje na miséria, sem assistência do governo - http://www2.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20020911/vid_mat_110902_36.htm

Menina estuprada de 9 anos é mãe mais jovem do Peru - http://noticias.uol.com.br/ultnot/afp/2006/12/02/ult34u169397.jhtm

Será que esses casos são diferentes assim? Ou será que a vontade de matar sobrepôs a vontade de tratar?

Fico feliz que a Igreja do Brasil tenha sido uníssona no caso, conforme se verifica na nota divulgada pela CNBB, bem como em entrevista do Cardel Primaz do Brasil Dom Geraldo Majela. Essa é a Igreja única e unida.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

O episódio do paralítico e a quaresma.

No domingo anterior à quarta-feira de cinzas, o último domingo do tempo comum antes da quaresma do ano B, temos um evangelho que mexe muito com os nossos brios e vida religiosa, para aqueles que realmente as tem.

O evangelho é o da cura do paralítico. Aquele que resolveram destelhar uma casa para que a cama em que ficava chegasse até Jesus. Nesse evangelho temos que Jesus se vira para o povo e para o próprio paralítico e pergunta se é mais fácil dizer “seus pecados estão perdoados” ou “levante, pega a tua cama e anda”. Essa pergunta nos leva a refletir sobre nossa atitude perante Deus e a Sua Igreja.

Quando procuramos a Igreja? Quando estamos em péssima situação de saúde? Quando nossa vida não anda lá essas coisas? Procuramos Deus através de Sua Igreja só para elaborar listas quilométricas de pedidos? A resposta normalmente é sim.

A resposta só é sim porque somos egoístas e pretendemos tirar o máximo possível das mãos de Deus que está estendida a nós. Queremos tirar o máximo de Deus Pai que já nos concede tanto. Nos esquecemos de algo simples: Deus prefere a cura da alma que do corpo. O corpo é importante mas secundário frente à alma. Esse nosso corpo temporário é muito menos significante do que nossa alma, que normalmente está em estado de putrefação.

Deus nos concede um remédio tão fácil, puro e simples que não acreditamos que seja tão possível assim e, conseqüentemente o desprezamos com facilidade. A confissão é o melhor antibiótico para a doença da alma. Quando se confessa com anterior arrependimento e vontade de não mais pecar, se cura a alma como se retira a dor com a mão.

É uma cirurgia rápida e simples que teimamos em ignorar dia após dia. Jesus disse aos apóstolos que “os pecados que perdoardes serão perdoados e aqueles que retiverdes, esses serão retidos”. A Igreja é o único médico que pode trazer saúde plena, porque teimamos em ignorar essa cura tão eficaz?

Criamos vários subterfúgios para chegar a Deus. Assim fez o paralítico que removeu as telhas da casa onde Jesus estava e fez descer sua cama até ele. Criamos mil caminhos, mil formas e fórmulas para nos aproximar Dele. Porque não nos lembramos que ele deixou Pedro com os apóstolos e a Sua Igreja para ser nosso guia? Porque no esquecemos de recorrer ao Seu perdão e infinita misericórdia através do sacramento da confissão, antes de querer uma lista infindável de pedidos?

Esse tempo de quaresma que se iniciou é um tempo em que somos chamados a profunda e contínua conversão. Uma conversão que passa pela meditação e sacrifícios e que desembocarão na eterna graça, Deus queira assim.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

A morte de Eluana. Afirmações que se calam.

No contexto que foi criado em torno da morte de Eluana, incrível como nenhum jornal ou emissora de TV citou que ela morreria de fome e de sede. No Jornal Nacional, da rede Globo, chegaram a citar que seriam desligados os aparelhos. Que aparelhos? Ora, os que forneciam comida e bebida, afinal ela não estava sendo mantida viva por aparelhos, era só um meio mais cômodo e menos trabalhoso de alimenta-la.

Falando em comodismo, foi justamente o que levou o pai de Eluana a pedir a sua morte. Ela vivia e não precisava de aparelho nenhum para continuar vivendo. Precisava apenas de ser alimentada, assim como várias pessoas idosas que não conseguem tomar banho, deitar ou se alimentar sozinhos. Assim como qualquer criança recém-nascida que precisa ser alimentada e cuidada.

O desenlace terreno desta frágil vida, mas vida e não coisa que pode ser jogada fora, que aconteceu enquanto no Senado da Itália se debatia em um projeto de lei para proibir a suspensão da nutrição e hidratação que mantinha a jovem com vida, aconteceu em um situação um tanto quanto estranha.

A morte de Eluana aconteceu enquanto se cumpria o terceiro dia sem alimentos nem hidratação na clínica La Quiete da cidade de Udine.

Claro que não serei eu que direi que é muitíssimo estranho que uma pessoa morra de sede e fome em três dias e justamente um dia antes de ser proibida a sua eutanásia, ou assassinato, como preferirem.

Nunca serei capaz de afirmar que podem ter acelerado a morte de Eluana, já que perceberam que um dia depois isso seria terminantemente proibido e considerado assassinato, como realmente é.

Os bispos italianos haviam pedido repetidas vezes que ela fosse mantida viva, pois não dependia de máquinas para viver, mas unicamente do fornecimento de alimentação e hidratação.

Obviamente que eu não faria tais afirmações. Isso seria calúnia. Não estou afirmando nada. Não digo também que a imprensa foi omissa ao omitir que as irmãs Misericordinas , que dela cuidaram por 14 anos , pediram à família que deixassem que Eluana ficasse com elas , que elas se ocupariam de tudo e , ainda , sugeriram que os familiares não a visitassem mais , mas que a deixassem viver. Claro que o pedido foi , terminantemente , recusado.

Muito menos vou dizer que a imprensa brasileira simplesmente mascarou os fatos ao dizer que ela estava ligada a aparelhos que a mantinham viva. Mentira! Todas suas funções vitais estavam em perfeito estado. Ela só precisa de alguém que lhe desse comida e bebida e cuidasse dela. Claro que os pais estavam muito ocupados para isso, não é?

Está claro que eu não afirmaria que essas coisas, inclusive a rapidez da morte de Eluana, foram coisas planejadas. Isso seria calúnia e calúnia parece ser mais importante que a vida, nesse caso. Mas que parece parece.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Daqui a pouco passa de 100%.

Dias atrás foi divulgado pela Sensus, a popularidade do presidente Lula que, surpreendentemente (sentiram a ironia?) bate novo recorde, próximo a 85% de aprovação. A pesquisa pode ser acessada nesse link: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u497945.shtml

Incrível ou não, todos os dias, vemos absurdos e barbaridades sendo cometidas por esse governo contra a moral, os bons costumes, a nossa religião, e principalmente contra a vida.

A manipulação de dados passa a ser cada dia mais escandalosa e clara (para alguns poucos). Na Venezuela e na Bolívia, os institutos só divulgam "maluquices estatísticas", verdadeiros malabarismos. Já, já, a aprovação do nosso presidente molusco passará de 100% nessas pesquisas e nós vamos só "engulindo" essa palhaçada.

E depois sou obrigado a ver a Sra. Dilma, (será esse mesmo o nome dela? Bom, pelo menos o atual é.) fazendo leitura e discurso político em missa, fábrica estatal de camisinhas, máquinas públicas de camisinhas nas escolas, projeto de lei do aborto, gel para homossexuais distribuído pelo governo, dólar na cueca, célula tronco embrionária, etc. etc. etc. E a popularidade do "homi" só subindo. Afinal: deixa o homem trabahar, né! Se somos uma nação eminentemente católica, se somos maioria e não concordamos com essa política presidencial grotesca, como pode esse tipo de governo ter tal "aprovação"? Ou os católicos não estão se posicionando como católicos, ou as pesquisas não mostram a realidade. Ou será que podemos considerar as duas possibilidades como plausíveis? Eu não preciso pensar muito pra poder me decidir.

Ai vemos um governo desse chegar a 85% de aprovação? Será mesmo? E por que para pesquisas em relação aos pré-candidatos a presidência "dona" Dilma (êta nomezinho que já mudou) nunca chega a 10%?

A popularidade do Lula (molusco) vem se dando graças ao longo período de crescimento que o mundo teve e o Brasil foi na onda (agora está indo na marolinha) ainda que sem surfá-la com toda a capacidade. Claro que essa onda de popularidade não é lá essa onda também, acho queé outra marolinha. Mas as pesquisas não dizem isso. Além disso, conseguiram manter longe do presidente os muitos escândalos e o Lula é um populista nato.

Panis et circenses, lembram disso a 5ª ou 6ª séries? Esse é o lema entalhado e nada original do governo. Agora entendo melhor porque temos que estudar história. Com isto, passa-se uma ideia (já sem acento agudo) que tudo vai às mil maravilhas. Isto sem dizer das imoralidades que o governo tenta implantar na surdina e onde o povo pouco se interessa, desde que não corte o dinheiro fácil do bolsa isso, bolsa aquilo.

Ao se fazer uma enquete dessas os institutos podem muito bem ir direto ao foco, e vão, onde pretendem mostrar resultado a favor/contra do que se é pesquisado. Se chegarem pra um eleitor nos postos que promovem "sexo seguro", distribuindo junto os kits um formulário perguntando o que eles acham do presidente, a resposta seria...

Não confio em pesquisas. Quando converso com diversas pessoas (católicas ou não, cristãs ou não) a grande maioria não aprova.

Das duas uma:

a)as pessoas que eu converso, por coincidência todas fazem parte dos 15%;
b) a pesquisa é tendenciosa

Não vou ousar pesar por ninguém aqui. Cada um tire as suas conclusões, por favor.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

O que será que vai ser feito com os presos de Guantánamo?

Bom, passados esses momentos de tensão (estou falando da possse do Barack Obama e não da Faixa de Gaza) acordei hoje com muita satisfação ao perceber que o sol continuava no mesmo lugar e que a BOVESPA continuava nervosa como sempre. Qual não foi minha surpresa ao perceber que o sol se foi no horário certo (com uma hora a mais devido ao horário de verão) e a lua acabou por dar as caras. Pensei que isso tudo também ia mudar com a posse do semi-deus negro nos EUA.

Parece que estou sendo cínico ou mesmo sarcástico mas não, estou sendo é sincero. Pensei mesmo que o dia ia amanhecer com três sóis ou anoitecer com duas luas, ou algo parecido tamanha a balbúrdia que fizeram por causa da posse de um presidente dos EUA.

Esquecem-se que ele é mais um presidente dos EUA e que vai defender os interesses do país dele, aliás como deve ser, coisa que o nosso presidente ainda não compreendeu bem. Bom, mas a verdade mesmo é que ele não compreendeu muito coisa na vida até hoje.

Mas vamos deixar de dar IBOPE ao Sr. Russeim Obama e vamos ao tema central: o que será que vai ser feito com os presos de Guantánamo? Pergunto isso porque o nosso, quer dizer o presidente dos EUA, disse durante toda a sua campanha e no primeiro dia de seu mandato reafirmou que vai fechar aquele presídio em no máximo um ano. Mas eu, chato como sou, fiquei me perguntando: o que vai ser feito com os presos de lá?

Bom, ele pode, por exemplo julgar todo mundo inocente e soltar todos, vai ser uma beleza. Bin Laden vai até mandar carta de felicitação. Pode também condenar todo mundo bem ao estilo norte-americano de justiça: rápida e pouco efetiva. Mas se fosse ele seguia uma das minhas sugestões:


1ª - Entrega todo mundo pro Raul (Fidel) Castro, ele vai dar 100% de educação pra eles, mesmo que vivam na miséria, mas vão saber ler jornais, mesmo que censurados pelo sonho de governo cubano;

2ª - Manda todo mundo pra Faixa de Gaza: quero ver se não resolve aquele problema rapidinho, mesmo que pra isso seja preciso colocar tudo no chão;

3ª - Exporta todo mundo pro Hugo Chavez: ele vai nomeá-los embaixadores e ministros de ralações exteriores;

4ª - Coloca todo mundo pra ir pra Colômbia: acho que vão até ficar calmos com o cheiro da maconha;

Claro que temos muitas outras sugestões mas acho que o Senado dos EUA já vai se debater quase fisicamente pra poder escolher uma dessas. Vamos deixar pra eles agora. Em todo caso entrem em contato e sugiram outras.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A ONU e a ameaça aos direitos humanos

Em uma entrevista da ZENIT o Mons. Schooyans que é membro da Pontifícia Academia para a Vida, da Pontifícia Academia das Ciências Sociais e professor emérito da Universidade de Lovaina (Bélgica), foi muito claro com relação ao posicionamento totalmente controverso da ONU que vem se modificando ao longo dos anos e, infelizmente, pende visivelmente para o lado abortista.

Lançaremos a entrevista e aqui e nos próximos dias prometemos o comentário de cada detalhe dessa entrevista, adequando à nossa realidade.


Por Alexandre Ribeiro



SÃO PAULO, quinta-feira, 25 de dezembro de 2008 (ZENIT.org). - Quando se celebram os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a maior ameaça ao documento e aos princípios ali proclamados vem da própria entidade que deu vida ao texto: a ONU.



Neste mês de aniversário da Declaração de 1948, Zenit entrevistou mons. Michel Schooyans, renomado especialista em filosofia política e demografia.



Mons. Schooyans é membro da Pontifícia Academia para a Vida, da Pontifícia Academia das Ciências Sociais e professor emérito da Universidade de Lovaina (Bélgica).



–Fale-nos, por favor, do surgimento da Declaração de 1948.



–Mons. Michel Schooyans: A ONU foi criada em 1945 com a carta de São Francisco e, de certa forma, consolidada em 1948 com a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Foi consolidada na base de uma missão essencial que é a promoção dos direitos de todo ser humano. Todo ser humano tem direito à vida, afirma o artigo terceiro da Declaração. O texto convida todos os homens, países, governantes a reconhecer a dignidade de cada ser humano, qualquer que seja a sua força, a cor da sua pele, a sua religião, idade. Todos merecemos ser reconhecidos simplesmente pelo fato de sermos homens. É sobre esta base, diz a Declaração, que vamos poder construir novas relações internacionais, uma sociedade de paz e de fraternidade.



Se houve a Guerra Mundial que terminou em 1945, é porque houve um desconhecimento da realidade desses seres humanos que, todos, têm direitos inalienáveis e imperecíveis. A Declaração situa-se na continuidade de todas as grandes declarações que marcaram a história política e jurídica das nações ocidentais. Por exemplo, a Declaração da Independência dos Estados Unidos, de 1776, a Constituição dos Estados Unidos de 1787, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, da França, em 1789, são as declarações clássicas. A Declaração de 1948 se situa na tradição mais fiel àquelas Declarações que demonstraram a sua eficácia no campo do reconhecimento e da promoção dos direitos humanos. Esses direitos são reconhecidos em decorrência de uma atitude moral e antropológica. Eu reconheço a realidade do meu semelhante. Eu me inclino na sua presença. Reconheço a sua dignidade. Ainda que ele seja doente, esteja no início ou no final da sua vida, ele tem uma dignidade igual à minha.



–Que tipo de documento é a Declaração de 1948?



–Mons. Michel Schooyans: A Declaração não é um documento de Direito no sentido técnico da palavra. O documento enuncia os direitos básicos. Mas para que esses direitos básicos sejam colocados em prática, eles necessitam de uma tradução em textos legais. Precisam ser codificados. Devem ser prolongados em instrumentos jurídicos apropriados, no que se chama o direito positivo. Isso significa que os direitos proclamados em 1948 devem se exprimir em leis que serão aplicadas pelos governos das nações e controladas pelo poder judicial. São, portanto, duas coisas: primeiro, o reconhecimento da realidade de seres humanos que têm a mesma dignidade e os mesmo direitos básicos, e, por outro lado, instrumentos jurídicos que dão uma forma concreta, exigível, àqueles direitos reconhecidos como fundamentais.



Quando se trata da Declaração de 1948, convém perceber que os mesmos direitos fundamentais podem dar lugar a codificações diferentes de acordo com as diversas tradições jurídicas dos países. As nações podem traduzir diferentemente o mesmo respeito que elas têm aos direitos fundamentais dos homens.



O que acabamos de evocar é o que se chama a tradição realista. Essa tradição se inclina frente à realidade de seres concretos: você, eu e a universalidade dos seres humanos. Essa mesma tradição comanda todo o edifício das nações democráticas, não só o edifício jurídico, mas o edifício político, que também se baseia no reconhecimento da igual dignidade. Agora, hoje em dia, a Declaração de 1948, que se inspira nítida e explicitamente na tradição realista, e que foi redigida com a colaboração de um dos brasileiros mais ilustres da história, Alceu Amoroso de Lima, está sendo contestada.



–Que tipo de contestação?



–Mons. Michel Schooyans: Uma contestação que vem da influência da teoria positivista do Direito, elaborada sobretudo por um autor chamado Kelsen (1881-1973). Sob a influência de Kelsen, propagou-se uma nova concepção do direito e, portanto, dos direitos humanos. Tudo o que a gente explicou a respeito dos direitos inatos do homem que, por ser homem, tem naturalmente direitos, é contestado. Tudo isso é negado, é colocado entre parênteses, é desprezado e esquecido. Só subsistem as normas jurídicas; só subsiste o direito positivo, barrando toda referência aos direitos que os homens têm naturalmente. Nesse contexto, as determinações jurídicas são a única coisa que merecem estudo e respeito. Agora esses ordenamentos jurídicos, essas disposições lavradas nos Códigos, podem mudar ao sabor de quem tem força para defini-las. São puro produto da vontade de quem tem poder, de quem consegue impor a sua visão do que seja tal ou tal direito humano. De modo que, como salta aos olhos, a visão puramente positivista dos direitos humanos depende finalmente do arbítrio de quem tem a possibilidade de impor a sua concepção própria dos direitos humanos, já que não há mais nenhuma referência à verdade, concernente à realidade do homem.



–Quais as consequências?



–Mons. Michel Schooyans: São trágicas. O positivismo jurídico abriu e abre o caminho para todas as formas de ditadura. Como o próprio Kelsen dizia, na União Soviética de Stalin havia estado de direito, já que havia leis. Era um ditador, mas ele fazia a lei. Mas que lei? A lei que era a expressão da vontade dele, da brutalidade dele. Não tinha referência a direitos que seriam naturais, que seriam objeto de uma verdade à qual a gente adere e que se impõe pelo seu fulgor. A lei no tempo de Stalin era reflexo da vontade do mais forte. Hoje em dia, a lei que permite o aborto, que permite a eutanásia, não é outra coisa. É uma lei que permite que vença a força do mais forte, que diz: já que tal é a minha vontade, nós vamos decidir quem pode ser admitido à existência e quem não pode.



Essa mentalidade entrou em várias agências da ONU. E a ONU hoje em dia está se comportando como uma superpotência global, transnacional, na linha exata de Kelsen. Ele mesmo diz que as leis nacionais, as que conhecemos nos nossos Códigos nacionais, devem ser submetidas à aprovação, validação, de um centro de poder piramidal. A validez das leis nacionais depende da validade outorgada, concedida pelo poder supranacional aos códigos nacionais, particulares. Isso significa que as nações ficam totalmente alienadas da sua soberania e os seres humanos de sua autonomia. A gente observa isso todos os dias, nas discussões parlamentares. Muitos parlamentos são simplesmente teatros de marionetes que executam determinações vindo de fora, cumprem a vontade de quem impõe suas decisões, eventualmente comprando os votos, através da corrupção.



Isso tudo se passa sob o simulacro da globalização, que merece muito a nossa vigilância. É que, na mentalidade de quem adere a essa concepção puramente positivista do direito, a lei não está a serviço dos homens e da comunidade humana; está apenas a serviço deste ou daquele centro de poder. Este pode ser uma nação como os Estados Unidos, mas pode ser sobretudo a trama das vontades que se aglomeram nas Nações Unidas, apoiadas por numerosas ONGs, e também por algumas sociedades secretas, como a maçonaria. Isso mostra que hoje em dia o direito internacional tende a prevalecer sobre os direitos nacionais, a esmagá-los, pois estão sendo aos poucos desativados. É uma coisa terrível! Estamos assistindo à emergência de um direito internacional tirânico porque puramente positivista, ignorando os direitos humanos inalienáveis proclamados em 1948. E a gente não percebe...



–Um novo tipo de totalitarismo?



–Mons. Michel Schooyans: Sim, porque daqui em diante a soberania das nações é pura fachada. Kelsen explica muito bem isso: o direito internacional, que dita sua lei às nações, deve ser ele mesmo validado, aprovado, pelo topo da pirâmide, pela instância suprema. Vejamos um exemplo: no momento em que estamos falando, há uma discussão na sede das Nações Unidas sobre a introdução ou não do aborto como “novo direito humano”. Seria uma nova versão da Declaração de 1948. Uma modificação calamitosa porque introduziria sub-repticiamente um princípio puramente positivo numa declaração que é antropológica e moral. Ali se colocaria também o direito à eutanásia. Restaria às nações particulares ratificar estes “novos direitos humanos” emanando da instância suprema. Isso significa que, como a referência aos direitos naturais dos homens já teria sido desativada, essa nova Declaração se tornaria um documento de direito puramente positivo, que deveria ser aplicado por todas as nações que aderissem ao novo texto da Declaração ou a algum outro documento similar.



É uma coisa pavorosa o que está quase acontecendo. E vai mais longe. A Corte Penal Internacional, que foi instituída há alguns anos, vai ter como área de competência julgar as nações ou as entidades que se recusarem a reconhecer esses “novos direitos” inventados ou a serem inventados. A Igreja Católica é um dos alvos possíveis dessa Corte Internacional. Já houve quem dissesse há anos que o Papa João Paulo II poderia ter sido intimado a comparecer no Tribunal Internacional por se opor a um “novo direito”, o “direito” da mulher ao aborto. Ameaça semelhante paira sobre Bento XVI. E no domínio da educação é a mesma coisa com a ideologia do gênero. Em virtude de um “novo direito humano”, as pessoas escolheriam o seu gênero, poderiam mudar de gênero. Então o gênero deve ser ensinado nas escolas. É doutrinação ideológica em grande escala, a ponto de quem não subscrever a essa ideologia ser passível de punição por uma corte internacional.



–Discute-se então uma alteração do texto da Declaração?



–Mons. Michel Schooyans: A Declaração de 1948 enuncia princípios fundamentais. São verdades primeiras, fundadoras. Nós reconhecemos esse fato, que o ser humano tem naturalmente direito à vida, à liberdade, à propriedade, a se casar, a se associar, a se exprimir livremente e que tudo isso não decorre da vontade arbitrária dos homens. Mesmo antes de entrar numa sociedade política, organizada, o homem já tem direitos humanos fundamentais. E os direitos precedem a lei. Mas o homem precisa que a sociedade se organize para que esses direitos sejam aplicados, respeitados e que, eventualmente, as infrações sejam reprimidas. Tudo isso está sendo questionado atualmente. Circulam abaixo-assinados. Há um abaixo-assinado a favor do aborto e outro contra. Mas os que mais alto gritam são os partidários da introdução de uma modificação da Declaração de 1948 que alteraria a natureza da Declaração, bem como da própria ONU.



–Isso é fruto unicamente da manipulação do poder ou também de um ‘obscurecimento das consciências’, utilizando uma expressão de Bento XVI?



–Mons. Michel Schooyans: Bento XVI tem motivos dos mais sólidos para insistir no papel e na nobreza da razão. Tudo o que acabamos de discutir são problemas de antropologia e de moral natural. Note-se que a defesa do ser humano não é um privilégio da Igreja; faz parte do patrimônio das grandes tradições morais da humanidade. A necessidade de defender o homem, de reconhecer a dignidade do homem é uma coisa à qual a gente tem acesso através do uso correto da razão. Infelizmente estamos assistindo a uma espécie de perversão da própria razão. A razão é utilizada para ser levada a certas armadilhas dela mesma. O homem é capaz de ser manipulado; é capaz de ser dominado. Em português há uma expressão muito bonita, ao que parece usada no candomblé, para dizer isso: a gente pode ‘fazer a cabeça’ de alguém. É exatamente isso. A razão de um indivíduo ou de um povo pode ser desconectada. E você pode encher a cabeça de alguém com idéias completamente malucas. É o caso do aborto e da eutanásia.



Na Bélgica, o aborto foi criminalizado pela lei em 1867. Quem mandou aprovar essa lei não eram os católicos, mas sim os liberais, que, naquela época, eram mais de tendência maçônica, como até hoje, aliás. Foram eles que fizeram essa lei. Os católicos aprovaram, mas a iniciativa veio dos liberais, então maioritários. Quer dizer que a razão funcionava. A razão deles tinha descoberto que era evidente que o ser humano devia ser protegido antes do nascimento. É uma questão de razão. Os tempos mudaram. Pode-se alterar a capacidade de raciocínio. Hoje assistimos a várias manobras que vão nesse sentido. Há os casos de aborto, de eutanásia, do gênero. Há o problema da homossexualidade: há 30 anos, quem teria pensado em promover um “novo direito” à homossexualidade? A razão humana é capaz de genialidade, mas é também uma faculdade delicada, vulnerável, frágil, uma faculdade que pode ser desmobilizada, hibernada. A pior forma de escravidão é a escravidão mental, a escravidão da razão, que comporta um brinde: o naufrágio da fé, porque não há ato de fé que não seja razoável. Então se você entra naquela confusão mental de dizer que o aborto é um direito, a eutanásia é um direito, você entra num processo que acaba corrompendo não só a sua razão, mas também a sua fé.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Jesus nasceu em 25 de dezembro?

Nesse natal, obviamente que não poderia me furtar ao dever de tocar sobre esse assunto aqui no blog. Sendo assim, não vou ficar importunando niguém com meu poder jornalístico péssimo no momento de escrever, deixarei isso para uma pessoa muito melhor do que eu no assunto.

Abaixo coloco um texto de Vittorio Messori falando sobre a questão da escolha da data de 25 de dezembro par o nascimento de Jesus. Essa "escolha" é motivo de muitos ataques por parte dos "catolicofóbicos", entretanto ninguém acabou percebendo que eu, nesse ano, fiz aniversário na quinta e comemorei no sábado e ninguém reclamou, porque relcamam tanto com relação a Jesus? Será que queriam que a Igreja tivesse a certidão de nascimento dele? De qualquer forma, ai vai o texo:

Devo corrigir um erro que cometi. Aconteceu que num momento de mau humor, desejei – precisamente num meu artigo – que a Igreja se decidisse a fazer uma alteração no calendário: que transferisse para o dia 15 de Agosto aquilo que celebra no dia 25 de Dezembro. Um Natal no deserto estivo – argumentava eu – libertar-nos-ia das insuportáveis iluminações, dos enjoativos trenós com renas e Pais Natais, e até da obrigação de mandar cartões de Boas Festas e prendas. De facto, quando todos estão fora, quando as cidades estão vazias, a quem – e para onde – mandar cartões de Boas Festas e embrulhos enfeitados de fitas e laçarotes? Não são os próprios Bispos que trovejam contra aquela espécie de orgia consumista a que se reduziram as nossas Festas de Natal? Então, “fintemos” os comerciantes: passemos tudo para o dia 15 de Agosto. A coisa – observava eu – não parece ser impossível: de facto, não foi a necessidade histórica, mas sim a Igreja a escolher o dia 25 de Dezembro para contrastar e substituir as festas pagãs nos dias do solstício de Inverno: colocar o nascimento do Cristo em lugar do renascimento do Sol Invictus. No início houve, portanto, uma decisão pastoral, mas esta pode ser mudada, consoante as necessidades.

Era uma provocação, obviamente, mas que se baseava naquilo que é (ou, melhor, que era) pacificamente aceite por todos os estudiosos: a colocação litúrgica do Natal é uma escolha arbitrária, sem ligação com a data do nascimento de Jesus, a qual ninguém estaria em condições de poder determinar. Ora bem, parece que os especialistas se enganaram mesmo; e eu, obviamente, com eles. Na realidade, hoje - graças também aos documentos de Qumran* - estamos em condições de poder estabelecê-lo com precisão: Jesus nasceu mesmo num dia 25 de Dezembro. Uma descoberta extraordinária a sério e que não pode ser alvo de suspeitas de fins apologéticos cristãos, dado que a devemos a um docente judeu, da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Procuremos compreender o mecanismo, que é complexo, mas fascinante. Se Jesus nasceu a 25 de Dezembro, a sua concepção virginal ocorreu, obviamente 9 meses antes. E, com efeito, os calendários cristãos colocam no dia 25 de Março a Anunciação do Anjo S. Gabriel a Maria. Mas sabemos pelo próprio Evangelho de S. Lucas que, precisamente seis meses antes, tinha sido concebido por Isabel, João, o precursor, que será chamado o Baptista. A Igreja Católica não tem uma festa litúrgica para esta concepção, mas a Igreja do Oriente celebra-a solenemente entre os dias 23 e 25 de Setembro; ou seja, seis meses antes da Anunciação a Maria. Uma lógica sucessão de datas, mas baseada em tradições não verificáveis, não em acontecimentos localizáveis no tempo. Assim acreditávamos todos nós, até há pouquíssimo tempo. Mas, na realidade, parece mesmo que não é assim.

De facto, é precisamente da concepção do Baptista que devemos partir. O Evangelho de S. Lucas abre-se com a história do velho casal, Zacarias e Isabel, já resignado à esterilidade – considerada uma das piores desgraças em Israel. Zacarias pertencia à casta sacerdotal e, um dia, em que estava de serviço no Templo de Jerusalém, teve a visão de Gabriel (o mesmo anjo que aparecerá seis meses mais tarde a Maria, em Nazaré), o qual lhe anunciou que, não obstante a idade avançada, ele e a mulher iriam ter um filho. Deviam dar-lhe o nome de João e ele seria grande «diante do Senhor».

Lucas teve o cuidado de precisar que Zacarias pertencia à classe sacerdotal de Abias e que quando teve a aparição «desempenhava as funções sacerdotais no turno da sua classe». Com efeito, no antigo Israel, os que pertenciam à casta sacerdotal estavam divididos em 24 classes, as quais, alternando-se segundo uma ordem fixa e imutável, deviam prestar o serviço litúrgico no Templo, por uma semana, duas vezes por ano. Já se sabia que a classe de Zacarias - a classe de Abias - era a oitava no elenco oficial. Mas quando é que ocorriam os seus turnos de serviço? Ninguém o sabia. Ora bem, o enigma foi desvendado pelo professor Shemarjahu Talmon, docente na Universidade Hebraica de Jerusalém, utilizando investigações desenvolvidas também por outros especialistas e trabalhando, sobretudo, com textos encontrados na Biblioteca essena de Qumran. O estudioso conseguiu precisar em que ordem cronológica se sucediam as 24 classes sacerdotais. A de Abias prestava serviço litúrgico no Templo duas vezes por ano, tal como as outras, e uma das vezes era na última semana de Setembro. Portanto, era verosímil a tradição dos cristãos orientais que coloca entre os dias 23 e 25 de Setembro o anúncio a Zacarias. Mas esta verosimilhança aproximou-se da certeza porque os estudiosos, estimulados pela descoberta do Professor Talmon, reconstruíram a “fileira” daquela tradição, chegando à conclusão que esta provinha directamente da Igreja primitiva, judaico-cristã, de Jerusalém. Esta memória das Igrejas do Oriente é tão firme quanto antiga, tal como se confirma em muitos outros casos.

Eis, portanto, como aquilo que parecia mítico assume, improvisamente, uma nova verosimilhança - Uma cadeia de acontecimentos que se estende ao longo de 15 meses: em Setembro o anúncio a Zacarias e no dia seguinte a concepção de João; seis meses depois, em Março, o anúncio a Maria; três meses depois, em Junho, o nascimento de João; seis meses depois, o nascimento de Jesus. Com este último acontecimento, chegamos precisamente ao dia 25 de Dezembro; dia que não foi, portanto, fixado ao acaso.

Sim, parece que festejar o Natal no dia 15 de Agosto é coisa não se pode mesmo propor. Corrijo, portanto, o meu erro, mas, mais que humilhado, sinto-me emocionado: depois de tantos séculos de investigação encarniçada, os Evangelhos não deixam realmente de nos reservar surpresas. Parecem detalhes aparentemente inúteis (o que é que importava se Zacarias pertencia à classe sacerdotal de Abias ou não? Nenhum exegeta prestava atenção a isto) mas que mostram, de improviso, a sua razão de ser, o seu carácter de sinais duma verdade escondida mas precisa. Não obstante tudo, a aventura cristã continua.

[tradução realizada por pensaBEM.net]

Nota: * Os manuscritos de Qumran foram descobertos em 1947, perto das margens do Mar Morto, na localidade de Qumran, localidade onde a seita hebraica dos Essénios tinha nos tempos de Jesus a sua sede principal. Os manuscritos foram encontrados em ânforas, provavelmente escondidos pelos monges da seita, quando tiveram de fugir dos romanos provavelmente entre 66 e 70 d. C. Aqueles pergaminhos deram-nos os textos de quase todos os livros da Bíblia copiados de dois a um século antes de Jesus e perfeitamente coincidentes com os que são usados hoje pelos hebreus e pelos cristãos(cfr. Hipóteses sobre Jesus, Porto, Edições Salesianas, 1987, p. 101)

Fonte.
MESSORI, Vittorio. Apostolado Veritatis Splendor: JESUS NASCEU MESMO NUM DIA 25 DE DEZEMBRO.... Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/4698. Desde 03/12/2008.